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O custo do desenvolvimento: obras que contribuem para o desenvolvimento econômico de Unaí-MG já apresentam seus impactos à fauna e a flora das áreas atingidas

Obras de desenvolvimento infraestrutural de Unaí-MG que estão em processo de conclusão ou já concluídas deixam seus rastros que já podem ser vistos, assim também com os loteamentos em áreas intactas, esses impactos na fauna já são vistos. A questão ambiental no Brasil é bastante discutida e conta com avanços na legislação, embora o Novo Código Florestal crie um desconforto por parte dos ambientalistas.
Em Unaí, a duplicação da BR-251 já está em fase de conclusão, faltando apenas a conclusão da ponte sobre o Ribeirão Santa Rita e o término da pavimentação após o trevo de Paracatu. Entretanto, a área a qual os moradores já começam a ser importunados pela presença de animais silvestres em suas casas como tatus, cobras, micos, etc., são os bairros Vale do Amanhecer e Riviera Park.
Depois de um embate judicial entre ambientalistas e o Poder Público em face da derrubada de uma planta popularmente conhecida como “gameleira” com aproximados 80 anos de existência, venceu o desenvolvimento e a obra que se encontrava embargada, recomeçou com o tempo de entrega estimado para o início de 2013.
Observando a área de cima, a pavimentação asfáltica da duplicação acabou por diminuir a área de mata próxima ao ribeirão, e, além disso, as obras da ponte e na abertura de loteamento em áreas intactas fazem com que os animais comecem a atravessar a pista em diversos horários, em especial no turno da noite, com isso, cresce o número de animais atropelados, já que o fluxo de veículos é muito grande, principalmente de caminhões e carretas, veículos pesados.
Schonewald Cox&Buechner afirmaram que “os efeitos de uma rodovia podem estender-se, causando danos à fauna, por até 600m no interior da floresta”. Embora os atropelamentos pareçam particularmente uma questão ambiental, também envolvem asegurança do motorista, já que na maioria das vezes, acidentes com animais causam graves danos materiais e humanos, inferindo que a comunicação visual e a interpretação tornam-se importantes recursos e uma premissa para qualquer projeto de minimização de impactos e envolvimento da comunidade.
O cidadão que quiser observar a travessia perigosa de animais silvestres nos arredores das obras de duplicação da BR-251 basta passar alguns minutos parado observando a mata que ainda resta. As espécies do cerrado unaiense estão sendo aos poucos trocadas por vias largas de pavimentação asfáltica em busca do desenvolvimento econômico e do escoamento da produção da região.
A construção de PCHs no município de Unaí também é outro fator preocupante, principalmente porque há a projeção da construção de mais duas PCHs além das que estão concluídas ou em construção. Em virtude do relevo e do potencial energético apresentado pelos rios da região noroeste, há a viabilização de construções como essas, de porte menor. Em 2004, a Usina Hidrelétrica de Queimados apresentou um verdadeiro “exemplo” para o meio ambiente, foi uma das obras de produção energética menos impactantes ao meio ambiente no contexto nacional, essa diminuição dos impactos é devida aos cânions e às quedas d’água existentes no Rio Preto.
Infelizmente, o crescimento apresenta seus custos, e mesmo tentando mitigar os efeitos ao meio ambiente, ainda existem impactos irreversíveis. Especificamente em Unaí, os impactos não são tão relevantes quanto em outras obras como centrais hidrelétricas, que em grande número são construídas em nosso município, entre outras coisas. Em se tratando disso, é importante lembrar aos cidadãos unaienses que acontecerá nesta segunda-feira, 22 de outubro, uma audiência pública para discutir a viabilidade da construção da Pequena Central Hidrelétrica (PCH) de Fogos, que ficará situada entre Unaí e Uruana de Minas. Os estudos de impacto ambiental da obra estão disponíveis nas Prefeituras e Câmaras dos dois municípios. O cidadão consciente sabe o quanto é importante a participação em decisões como esta que observa uma obra que tem índice alto de impacto ambiental.
Bruno de Oliveira Rocha

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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