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Crônica: um idoso de 60 anos na vida real e virtual

A consulta médica é sempre um ponto importante para manutenção de nossa saúde física, mas quando estamos bem, a tendência – em especial masculina – é não procurar o médico. Realizo exames e consultas médicas anualmente, mas nesse ano, a boa saúde não rondou a mim. (Esse fato aconteceu ontem no Posto de Saúde Familiar do Bairro Bela Vista em consulta médica com a excelente doutora Juliana Mendes Cardoso, num atendimento que não tenho do que reclamar, pelo contrário, devo elogiar).
Pois bem, vamos aos fatos. Depois de passar pela triagem com seis quilos acima da média para a minha idade e uma pressão adequada, 12 por 7, aguardei por duas horas e vinte minutos – explicado por ser um dos últimos da fila, portanto, não houve demora – e nesse espaço de tempo, distraí lendo as queridíssimas revistas das empresas de aviação que estavam disponíveis no PSF.
Ao ouvir o meu nome ser chamado pela médica, logo imaginei que seria uma consulta cotidiana, mas desta vez não foi. Para contrariar os meus ideais errados de vida e contrariar também o meu pensamento de saúde, a médica me avaliou e perguntou: o que você tem? Naquele momento, era hora de dizer todas as complicações que tinha ainda não repassadas para a médica (já havia passado anteriormente um desvio de coluna, dores lombares e a síndrome do olho seco). Depois de ter relado um inchaço no meu dedão do pé esquerdo e uma dor “fina” no pulso direito, ela me informou: você está com tendinite e com a unha encravada!
A mim mesmo, refleti, se tivesse me cuidado mais, hoje não estaria assim – pensei comigo. Enquanto ela me recomendava atividades físicas diárias para diminuir o peso, ouvi da sua boca a frase: “você tem que se cuidar, porque senão, com 25 anos você vai ter tendinite, bursite, artrite, obesidade, diabetes […]”. O dever do médico é falar a verdade, mas tenho certeza que se não tivesse o controle emocional que tenho, teria chorado no momento.
Já estava pra levantar da cadeira, quando ela me passou dois remédios e um encaminhamento para uma cirurgia ambulatorial. No mais, a agradeci e fui embora. Satisfeito com o atendimento, com o profissionalismo, mas insatisfeito comigo mesmo. A única pergunta que ficou no pensamento foi: o que fazer agora?
Antes de redigir esta crônica, me lembrei de uma frase que a doutora me disse: “com os hábitos que você tem, você está parecendo um idoso de 60 anos”. O maior baque. Se não bastasse isso, a partida ainda estava no seu primeiro tempo, fui para o intervalo, voltei dos vestiários e recebi uma nova lição. Desta vez, estava realmente velho, não na forma física nem nos hábitos, mas no escrever.
A questão não é que escrevo errado, mas que não me adapto aos ambientes, como por exemplo, as redes sociais. Um amigo do Facebook veio puxar-me a orelha “até Willian Bonner escreve vc”. Depois disso, resolvi que as dicas e os conselhos eram os corretos, mas prefiro continuar escrevendo da mesma forma, não perdendo a qualidade nem subjetivando nada.
Disse que o jogo estava no segundo tempo, mas não disse que tinha acabado. Uma amiga me respondeu a uma mensagem que a enviei desta forma: “quase que tive que procurar no dicionário para entender sua escrita”. Repliquei dizendo: Eu não escrevo com tamanha dificuldade. A dúvida fica. O porquê não é o que. Mas como.
Enfim, ao apagar das luzes daquele dia, recebi várias lições. Algumas (lições de saúde) seguirei com maior pragmatismo que antes, outras ignorarei. Quem me conhece sabe do que estou falando, afinal de contas, é mais fácil escrever (risos) do que rsrs; é mais fácil escrever por quê do que pq. As tais manias das redes sociais tentarei não pegar, prefiro meu estilo conservacionista de enxergar (e de escrever) alguns pontos da vida.
A todos amigos e leitores, muito obrigado pela presteza e leitura.
Bruno de Oliveira Rocha 

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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