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[ARQUIVO] Drogas: a guerra está declarada!

1 – Drogas: o mal que assola jovens unaienses e de todo o Brasil

Não mais em “bocas de fumo” propriamente ditas, a droga está mais próxima do que você pensa. As drogas estão em todos os lugares e o consumo cresce a cada ano; veja como identificar comportamentos estranhos e tomar decisões.
Um estudo ainda inédito feito por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB) aponta que cerca de 735Kg de cocaína (na forma de crack, que é cinco vezes mais forte) são consumidos anualmente só no Distrito Federal, a menos de 200Km de Unaí-MG. O trabalho foi realizado a partir de análises laboratoriais de urina colhida em estações de esgoto no Plano Piloto, Melchior, Samambaia, Riacho Fundo, Gama, Paranoá e Planaltina. O levantamento será apresentado oficialmente no final de novembro, mas o estudo já adiantou que o maior consumo de crack está no Plano Piloto, no Varjão e no Lago Norte.
Infelizmente, as drogas são o passo para a destruição de uma vida, de uma família e até de uma sociedade. No Brasil, cada vez mais são vistos novos tipos de drogas – sendo o mais recente o ‘desirré’ ou ‘craconha’ – e isso aumenta a probabilidade das nossas crianças e jovens entrarem nesse mundo obscuro e com trágicas histórias.
Uma das drogas mais consumidas pelos adolescentes hoje é o crack, com alto poder de vício, onde segundo especialistas, a primeira pedra é a porta de entrada para o vício. O crack está onde você menos pensa, desde a sua família, nas escolas, nos bares e nas cracolândias existentes. O crack é bastante utilizado por causa do efeito maior que de outras drogas, com um menor valor por pedra.
As drogas causam efeitos psíquicos e físicos no indivíduo, além de reduzir a expectativa de vida quando esse indivíduo mergulha nesse mundo. Você sabia que o crack é a cocaína pronta para o consumo? Com o estímulo trazido pela cocaína, isso pode levar a um comportamento agressivo. Para o sistema circulatório, o consumo da cocaína representa sempre um risco, pois a droga acelera o coração e contrai os vasos sanguíneos, o que pode levar a um infarto.
O governo federal instaurou um programa denominado “Crack, é possível vencer”, tendo como artefato principal o alcance de usuários de crack, como droga de domínio maior no Brasil. Segundo estudos realizados pelo Ministério da Saúde desde 2010, a maior aliada do usuário de crack é a família que pode mudar a trajetória do indivíduo inserido nas drogas sem precisar da internação, ou seja, as relações familiares, quando estáveis, trazem benefícios aos usuários e apoio para parar o consumo e destruir o vício.
Há algumas ações como cursos, capacitações e palestras fazendo parte do programa do governo federal que instruem comunidade escolar, policiais rodoviários e outros membros dos governos, que traz incentivo a ajudar os usuários de drogas, fazendo com que os usuários acompanhados sejam cada vez mais monitorados em busca do extermínio do vício.
As drogas aceitas pela sociedade e suas consequências
Álcool e cigarro (tabaco) são drogas com menor potencial danoso a saúde humana e aceitas na sociedade brasileira, no entanto, essas drogas acabam por prejudicar o desenvolvimento de atividades das pessoas, podendo causar acidentes e problemas futuros na saúde dos usuários.
Com relação ao uso do álcool, a campanha Parada do governo federal vai implementar ações de conscientização para evitar o consumo de bebidas alcoólicas e a condução de veículos. A implantação da Lei Seca rendeu efeitos positivos, mas mesmo assim, as mortes em acidentes de trânsito causadas por pessoas embriagadas ao volantes ocupam um índice alto.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aposta no aumento do preço dos cigarros para evitar o uso excessivo do tabaco, uma droga aceita pela sociedade. Mas, para a maioria dos usuários, não adianta, “o vício não mede preços, hoje eu compro por R$3,00, amanhã, pode ser R$10,00 que vou comprar também” – disse Silésio ao Idade Digital.
Outra vertente do aumento do preço do tabaco é a migração dos usuários de tabacos nacionais para cigarros “paraguaios” como é chamado no comércio ilegal, o que proporciona um valor menor e dribla a tentativa do Ministério da Saúde em diminuir as doenças causadas pelo consumo do cigarro e de outras drogas como o álcool.
A situação unaiense
Até uma década atrás, a criminalidade em Unaí tinha pontos críticos em seis bairros: Cachoeira, Politécnica, Canaã, Novo Horizonte, Iuna e Cidade Nova, mas com o passar dos anos, essa criticidade veio para o lado das drogas, sendo esses os principais pontos de venda e uso de drogas. Nos últimos três anos, por sua vez, é cada vez mais comum ver usuários de drogas com sintomas evidentes trafegando por bairros que antes eram considerados protegidos desse mal.
O centro de Unaí-MG, região que até alguns anos atrás era sinônimo de segurança, sofre com um problema ainda não tão grave, mas que pode se agravar ainda mais se uma decisão não for tomada pelas forças de segurança e o poder público, pois basta observar as ruas do centro da cidade após as 23h e verificar indivíduos pedindo com o simples objetivo de “alimentar o vício”.
Segundo um morador do centro que não quis se identificar, “acabou para nós [moradores do centro], há muito tempo atrás, Canaã, Novo Horizonte, Politécnica e Cachoeira eram os bairros perigosos, mas hoje, os usuários de crack estão perambulando pelo centro da cidade, onde é mais movimentado. Para saber quem são eles é fácil, basta olhar os olhos vermelhos, as vestimentas rasgadas e o olhar agressivo quando você nega a dar dinheiro, mesmo quando ele te conta uma história trágica que ocorreu com ele ou com alguém da família dele. É a tática que eles usam, é um público diferente de pessoas que andam nas ruas do centro da cidade nesse horário”.
O tratamento do vício
A iniciativa privada de clínicas de tratamento para dependentes químicos de álcool e outras drogas, várias clínicas fazem trabalhos de recuperação de dependentes químicos na cidade, mas a maioria das famílias que precisam internar algum de seus familiares passa por problemas financeiros para interna-los, isso porque o tratamento custa caro é o mais barato conforme orçamento feito pelo Idade Digitalé R$800,00 num pacote, valor incompatível com a renda familiar da maioria das pessoas que precisam ser internadas. Essas empresas oferecem serviços de clínica geral, psiquiatria, psicologia, psicanálise e terapias para erradicar o uso de drogas, mas a vontade do internado é determinante para que o uso seja ou não erradicado.
A Prefeitura Municipal, por meio da Secretaria de Saúde, atua com o Centro de Atendimento Psicossocial, que além de atender pessoas com problemas psicológicos, também faz o atendimento de usuários de drogas. Outro grupo que faz o atendimento à dependentes químicos são os Narcóticos Anônimos, executando um trabalho baseado no modelo nacional onde são atendidos vários dependentes.
Instituições religiosas como a Primeira Igreja Batista de Unaí-MG através de sua congregação, Igreja Batista do Novo Horizonte, trabalham no resgate de pessoas viciadas na região dos bairros Canaã, de Lourdes, Iuna, Novo Horizonte e Cidade Nova para encaminhá-los ao tratamento psiquiátrico em Brasília-DF como uma das ações feitas pela igreja. O Idade Digital conversou com o seminarista Antonio Ramos, que coordena as ações da igreja no local. Veja abaixo:
ID: Como a igreja trabalha, como é feito o encaminhamento e quais as ações desempenhadas pela congregação no complexo dos bairros Canaã, Novo Horizonte, Iuna, Cidade Nova e de Lourdes?
Antonio Ramos: A Primeira Igreja Batista de Unaí é parceira do ministério Cristolândia, é um projeto de cunho religioso, mas também social, da Junta de Missões Nacionais que existe já há mais de três anos e atua na recuperação de dependentes químicos. Esses dependentes, quando assim reconhecem a carência e a necessidade de ajuda e nos procura, nós encaminhamos esta pessoa à Cristolândia mais próxima, pois existem oito no Brasil, a mais próxima está no Distrito Federal e automaticamente, ao nos procurar, ela vai ser encaminhada e terá toda ajuda, auxílio, suporte social, familiar e espiritual que necessitar.
Como proteger a geração atual das drogas?
É preciso que o Poder Público e a comunidade escolar atentem-se para o consumo de drogas por adolescentes e jovens para assim, juntos, trazer uma diminuição concreta do uso de drogas. Crack, “merla”, maconha, cocaína, desirré, ecstasy, cola, entre outros, são tipos de drogas de uso nas cidades de todo o mundo. No entanto, ainda existem autoridades que defendem a descriminalização da “maconha”, fato que, se ocorrido, iria trazer consequências gravíssimas para as próximas gerações do Brasil.
Não é difícil para a família perceber as atitudes de quem inicia o uso de drogas. Comportamento agressivo, isolamento, agressões familiares, humor desequilibrado, agitação, indisposição para trabalhar ou estudar, insônia quando sob efeito das drogas, sonolência sem as drogas, falta de alimentação e higiene pessoal, são esses alguns dos sintomas do usuário de drogas. Outros fatores como falta de atenção e concentração são típicos do uso de drogas, em especial, quando comportamentos atípicos vêm a ser repetidos.
Família, poder público, setor privado, comunidade escolar e cidadãos estão convocados a fazer parte de uma mudança radical pelo futuro de nossos jovens e crianças. Drogas: a guerra está declarada! Compartilhe essa ideia!
Bruno de Oliveira Rocha

2 – Drogas: conheça o Projeto Cristolândia, maior projeto de tratamento gratuito de dependentes químicos do Brasil

Em entrevista ao Idade Digital, o fundador da Missão Batista Cristolândia no DF derruba a ideia de que o crack é uma droga barata. Confira a rotina de atendimento na Cristolândia do Planalto Central e como são feitos os encaminhamentos para o atendimento.
Em São Paulo-SP, na Cracolândia, são mais de 4000 pessoas, de 7 a 80 anos, perambulando pelas ruas do complexo, usando e vendendo os mais diversos tipos de drogas, desde a cola até o último “lançamento”, a ‘desirré’. Vivendo há dias, meses e até anos sem tomar um banho, esses indivíduos afundam no vício e perdem tudo, desde família até a vida financeira e social.
Entretanto, todas as capitais do Brasil sofrem com esse mal, embora algumas tenham cracolândias mais discretas, São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Salvador, entre outras tantas capitais, sofrem com este problema evidente. O poder público vem tentando mudar a estratégia para acabar com esse mal, mas o número de viciados é muito alto para a pequena estrutura governamental gratuita de atendimento aos dependentes químicos, que vem aumentando continuamente, mas ainda é considerada pequena para um atendimento eficaz.
As clínicas de iniciativa privada oferecem um tratamento cada vez mais eficaz, mas ainda assim, as famílias de baixa renda que não conseguem pagar os pacotes de atendimento para os dependentes. Outra vertente que dificulta o tratamento de pessoas nas clínicas privadas é a falta de vontade dos próprios dependentes químicos para o tratamento, fazendo ineficaz o tratamento forçado.
Organizações não governamentais (ONGs) e outras entidades de cunho social e religioso fazem um trabalho de distribuição de alimentos aos dependentes químicos nas noites das capitais, a maioria também oferece o encaminhamento às clínicas de recuperação.
As “cracolândias” unaienses
Em Unaí, ainda não se conhecem as cracolândias propriamente ditas, mas existem pontos críticos onde usuários e traficantes já se reúnem para fumar na madrugada. Além do complexo de bairros do Novo Horizonte, Cachoeira e Politécnica concentram outro levante, mas o que chama a atenção são relatos de moradores do bairro Divineia.
Esses moradores alegam que vários usuários, inclusive menores, se reúnem “numa rua sem saída abaixo do Abrigo Frei Anselmo e praticam pequenos furtos nas residências das redondezas, inclusive no próprio abrigo, no Santuário e em casas próximas para alimentar o vício”. Ainda segundo os moradores, esses usuários circulam têm pontos de encontro em vários locais dentro do próprio bairro e suspeitam que a droga seja vendida por traficantes em suas residências.
Como mostrado na primeira matéria desta série, o Idade Digital conheceu também o relato de um morador do bairro Centro afirmando que o número de usuários de drogas nas ruas mais agitadas da cidade tem aumentado bastante e precisa-se de uma ação rápida do poder público para coibir o avanço das drogas na madrugada.
Missão Batista Cristolândia do Planalto Central
Idade Digital conheceu o trabalho da Missão Batista Cristolândia na região do Planalto Central e vai mostrar uma entrevista com o fundador da primeira Cristolândia do Distrito Federal. O projeto é de iniciativa da Junta de Missões Nacionais da Igreja Batista brasileira e somente na Cristolândia de São Paulo, coordenada pelo pastor Humberto Machado, já encaminhou mais de 1000 usuários de drogas para tratamento gratuito em clínicas de recuperação.
Neste final de semana, um grupo de 33 pessoas que integram o Coral da Cristolândia do Distrito Federal veio à Unaí na ocasião do aniversário de 13 anos da Primeira Igreja Batista de Unaí, que faz o encaminhamento de dependentes químicos para essa unidade da Cristolândia no Distrito Federal.
A Cristolândia do Planalto Central atende a 82 homens no projeto de recuperação, mas ainda pretende abrir a ala feminina para passar a atender homens e mulheres no tratamento da dependência química. Um indivíduo assistido pelo projeto foi encaminhado pela Primeira Igreja Batista de Unaí, Josemar, que foi tratado e hoje afirma estar “longe do vício, está tudo sarado, não uso mais nada desde o dia em que fui para a Cristolândia”.
A Cristolândia do Planalto Central funciona 24h por dia, 7 dias por semana, e tem também um ônibus para fazer o transporte dos voluntários para fazer a distribuição de sopa e evangelização de usuários de drogas nas madrugadas das cidades-satélites e do entorno, como Ceilândia, P. Sul, Conic, entre outras, a exemplo do que é feito na cracolândia paulista. Outra ação também realizada é a oferta de três refeições com cultos realizados no horário em que os usuários estão se alimentando, o café da manhã, o almoço e o jantar são ofertados não somente aos usuários de drogas, mas a famílias pobres do entorno do templo. Segundo o pastor José Roberto, “há pessoas que chegam na Cristolândia sem ter o que comer e, graças à Deus, conseguimos alimentar essas pessoas”.
Segundo as mulheres que fazem as refeições, os gastos são imensos e não há ajuda governamental por não se tratar de uma ONG, mas a ajuda parte de membros das igrejas que doam valores para manter o trabalho. Ainda segundo essas mulheres, o levante de produtos com maior gasto é impressionante: são 30Kg de arroz, 17Kg de carne, 14Kg de feijão, tudo isso diariamente. Além disso, há um gasto maciço em desodorantes e sabonetes por causa da oferta de banhos diários na própria Cristolândia.
Para ajudar neste projeto resgatador de vidas, basta acessar o site www.missoesnacionais.org.br e preencher a ficha de doação.
Entrevista com o fundador da primeira Cristolândia no Distrito Federal
Idade Digital falou com o Pr. José Roberto, 28, que fundou a primeira Cristolândia do Distrito Federal e que hoje coordena as ações na Cristolândia do Planalto Central, no Distrito Federal, o projeto é hoje o maior do Brasil em tratamento de dependentes químicos a custo zero. Confira na íntegra, a entrevista do Pr. José Roberto:
ID: O que faz a Missão Batista Cristolândia crescer tanto a ponto de se tornar o maior projeto gratuito de tratamento de dependentes químicos do Brasil?
José Roberto: Nós acreditamos que um dos principais fatores que têm levado o projeto à essa projeção nacional, acreditamos que seja a principal marca do cristão, o amor. Observando outros projetos que fazem tratamento de dependentes químicos, projetos sociais, nós percebemos que mesmo a gente trabalhando com essa população especial e específica, é necessário ter um amor muito grande para com essas pessoas. Nós percebemos que nos seus lares, a sociedade em si não oferece esse amor que excede esse campo de você chegar ao ponto de abraçar alguém sem tomar banho, alguém que está maltrapilha, alguém que em uma situação de rua, de fato. Então, nós cremos que o que tem levado esse projeto a ter a atitude que tem é o amor.
ID: Vocês, que trabalham nas ruas, porque o crack é tão influente na vida de pessoas que tinham uma vida plena e hoje se afundaram no vício?
José Roberto: Na verdade, o crack é muito avassalador, infelizmente, 95% das cidades brasileiras já experimentaram o crack, mas a grande porta de entrada é a maconha, o álcool e outras drogas de menor porte. Mas, o crack, de fato, tem sido o tendão de Aquiles do Brasil hoje, o crack tem um poder de destruição, comparado as outras drogas, ele é muito rápido e durante muito tempo, nós que trabalhamos com recuperação, achávamos que o crack era uma droga barata, mas desde quando sentamos pra observar o comportamento para saber quanto um usuário consome de droga, nós percebemos que o crack é uma droga muito cara porque o tempo dele, ele demora aproximadamente de três a quinze segundos para tomar toda a corrente sanguínea, mas o tempo de duração dele no sangue é muito curto, por isso, a pessoa precisa se drogar o tempo todo, quase que o dia inteiro, para dar uma sensação que a cocaína ou as outras drogas produzem. Então nós percebemos que um dos fatores pelo qual o crack tem crescido é o seu acesso, pois em qualquer ponto de esquina, em qualquer cidade, em qualquer rua, infelizmente nós encontramos pessoas vendendo crack. A grande maioria dessas pessoas não são nem traficantes, são pessoas que também consomem, mas para conseguir a droga ela está sujeita a este tipo de proposta se enquadrando como traficante. Na grande maioria das vezes, ela vende a droga porque ela consegue alguma coisa em troca para se drogar também, e nós acreditamos que o crack chegou a essa proporção por causa do fácil acesso.
ID: Qual a importância da recuperação do dependente químico e de sua reinserção em atividades religiosas e sociais? Qual é a receita para luta contra as drogas?
José Roberto: Bom, nós acreditamos que a recuperação em si tem várias faixas e segmentos, a igreja, por si só não consegue reparar o cidadão como um todo, são necessários outros braços da sociedade para assim dar esse apoio. Nós acreditamos que o projeto Cristolândia em si não é um projeto de recuperação, mas sim um projeto de vida. A pessoa não vai para o nosso projeto firmado em nove meses, seis meses ou um ano, a validade, nós acreditamos que é o projeto de vida. Na primeira abordagem que fazemos com uma pessoa, nós procuramos esclarecer a ela da condição que ela se encontra e que ela precisa de fato recuperar, de uma recuperação como um todo, por completa, pois acreditamos que o evangelho transforma uma pessoa por inteiro e por completo, mas nós precisamos de contar com outras braços da sociedade, até mesmo do governo, desse auxílio para que este projeto seja completo. Ainda assim, como igreja estamos fazendo nosso papel, acredito que muito bem, estamos conseguindo alcançar muita gente, mas acreditamos que podemos ir muito mais além. No tratamento ao crack e também na prevenção, e acreditamos também que o trabalho de prevenção é muito importante, pois o primeiro passo para recuperação começa na prevenção. Se conseguirmos fazer um trabalho de prevenção forte no nosso país, nós vamos resultar que menos pessoas cheguem a situação de Cracolândia, então, acreditamos que o trabalho de prevenção é uma importante recuperação.
Por isso é cada vez mais importante que a família atenta no comportamento, nos hábitos e principalmente na prevenção de cada componente familiar, inclusive os jovens, que estão mais suscetíveis a entrar nesta vida obscura e de difícil saída. Portanto, família, poder público, setor privado, comunidade escolar e cidadãos estão convocados a fazer parte de uma mudança radical pelo futuro de nossos jovens e crianças. Drogas: a guerra está declarada! Compartilhe essa ideia!

Bruno de Oliveira Rocha

3/3 – Drogas: escolas viram palcos para a entrada no mundo das drogas

Com a imersão contínua de jovens nas drogas, a sua grande maioria conheceu as drogas influenciados por colegas ou amigos, ligados ao ambiente escolar. Você vai conhecer como essa droga dribla o ambiente escolar e como o Poder Público tem tentado evitar que nossos jovens caiam nessa armadilha.
O Brasil vem desempenhando um forte trabalho contra o tráfico de drogas, como você pôde acompanhar na nossa primeira matéria da série. Um dos principais pontos críticos são as escolas, onde há um aglomerado maior de pessoas suscetíveis ao vício.
Unaí, por sua vez, não é diferente, tem um patrulhamento ostensivo da Polícia Militar na frente das escolas, mas mesmo assim, os traficantes conseguem driblar essa vigilância e comercializar as drogas mais nocivas a jovens, crianças e adolescentes.
O PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas) faz um trabalho de conscientização de adolescentes na faixa de risco, sendo que a importância principal dada ao projeto é a realização de aulas nas escolas para conscientizar os alunos da importância de não consumir drogas.
Outra ação da Polícia Militar em busca de diminuir os conflitos e o uso de drogas por adolescentes é a ação do Conselho Municipal de Segurança Pública Escolar (CONSEP – Escolar), que além de contribuir para a vigilância externa das dependências da escola, ainda fornece apoio a família com problemas.
Idade Digital conversou com um jovem de 16 anos, estudante, que teve iniciação nas drogas, para saber quais são os efeitos e a dificuldade para superar o vício, uma entrevista esclarecedora sobre a armadilha das drogas. Esse jovem não quis se identificar por questões pessoais de segurança. Confira abaixo a entrevista:
ID: Quando você começou a usar drogas? E quando você parou?
Jovem: Eu comecei no meio do ano, foi na festa junina da escola. Parar, eu parei faz um mês.
ID: Qual foi a primeira droga que você usou?
Jovem: A primeira droga foi a maconha mesmo que eu usei, a primeira eu fiz foi fumar, não foi cheirar não. Depois de um tempo fumando, eu passei para o pó.
ID: Você nos disse que hoje não usa mais drogas, mas como você conseguia entrar com essa droga na escola?
Jovem: Tinha vez que eu colocava dentro de meu bolso, pois era só o saquinho branco, era só pra eu cheirar mesmo e assim, nos intervalos eu ia no banheiro e usava.
ID: Você notou algum comportamento estranho dentro do ambiente escolar?
Jovem: Não, os efeitos era que eu ficava “ligado”, “noiando”, achando que os outros estavam olhando pra mim. Ficava “ligadão” com o olho aberto e vermelho.
ID: Se você fosse traçar um mapa deste a compra da droga até o seu uso, como você nos descreveria?
Jovem: A droga já vem arrumada, nos saquinhos, daí eu compro, vou num local que não há ninguém, enrolo com guardanapo e fumo; sempre num lugar que não há nenhuma pessoa para não encontrar a gente.
ID: Sua família teve conhecimento do seu uso de drogas? Qual foi a reação de sua família?
Jovem: Sim, ela descobriu. A família toda não, mas, só minha mãe, meu pai, minha avó e meus irmãos. A primeira vez que meu pai perguntou pra mim, eu falei que era mentira, eu neguei [que usava drogas]; mas depois eu contei para ele e disse que eu estava usando e que eu até vendia, porque comecei vendendo, e a reação dele foi mau. Ele falou que era pra mim parar com isso, porque tinha muitas pessoas da minha família que me amava, que não precisava usar isso, e foi assim.
ID: Você nos confessou que começou vendendo a droga, portanto, como você vendia e quem era o alvo das vendas?
Jovem: Tinha de tudo [pessoas], até mulher que usava, comprava de mim. Eu comprava, partia, embalava e vendia na rua mesmo, porque durante o dia eu conheço muitas pessoas que usam, então, eles compravam de mim.
ID: Na sua escola, você tem amigos ou colegas que usam drogas?
Jovem: Dentro da escola tem sim.
ID: Se você hoje pudesse dar uma palavra aos jovens que pensam em entrar nesse mundo, o que você diria a eles?
Jovem: Olha, no início, todo mundo acha bom, mas não mexe com isso não, porque depois é que você vê que está perdendo as coisas e vai piorando.
As escolas de Unaí
As drogas trazem vários efeitos ao ambiente escolar, desde a perda da pontualidade até a destruição do patrimônio escolar ou pequenos furtos em função da necessidade de alimentar os vícios. O Idade Digital passou duas semanas visitando as portas de escolas dentro da cidade de Unaí em todas, o que tem se visto é uma ação preventiva da Polícia Militar, entretanto, mesmo assim traficantes insistem em vender as drogas mais próximo do que se pensa.
O relato em quase todas as escolas é o seguinte: “uma viatura da polícia faz a ronda normal em horário de saída dos alunos e não consegue deter os traficantes que se camuflam ou disfarçam-se por aguardar alguém que esteja saindo da escola. Na maioria das vezes os traficantes, usam motos ou bicicletas customizadas, os jovens, por sua vez, são atraídos por amizades e são encaminhados até os traficantes que sempre se trajam com blusas de frio (caracterizadas por bolsos largos) e bermudas com bolsos também grandes”.
Os portões das escolas que antes eram vistos como portas de entrada das universidades e das profissões, hoje, estão sendo uma armadilha para a deficiência ainda maior do ensino nas escolas, advinda do uso de drogas por crianças e jovens com idade escolar.
São as drogas que proporcionam o aumento da criminalidade, da miséria e da desigualdade social, portanto, é muito importante que todos estejam atentos ao que acontece na comunidade em que estamos inseridos, desde o princípio básico da sociedade até a provisão de recursos terapêuticos para diminuição do uso de drogas.
A cracolândia do bairro Divineia
Na segunda matéria desta série, o Idade Digital relatou a denúncia de vizinhos da instalação de usuários e traficantes num terreno baldio atrás do Abrigo Frei Anselmo, nas proximidades da Rua Rui Barbosa, no bairro Divineia. A Polícia Militar efetua o policiamento na área, mas os usuários já criaram um ‘sistema de vigilância’ que funciona do seguinte modo: um indivíduo fica na rua sem saída esperando que a Polícia Militar passe, se caso a polícia ir até o local, eles avisam antes e os outros se escondem.
Idade Digital voltou, no período da madrugada desta sexta-feira (07), ao local onde foi feita a denúncia e constatou uma concentração incomum de jovens e adultos no local, no mesmo momento, a Polícia Militar fazia a ronda e não constatou nada de errado no local. O Idade Digital ouviu alguns vizinhos do local e novamente foi relatado que há suspeitas de que pequenos furtos estão sendo praticados por usuários de drogas para alimentar o vício.
Família, poder público, setor privado, comunidade escolar e cidadãos estão convocados a fazer parte de uma mudança radical pelo futuro de nossos jovens e crianças. Drogas: a guerra está declarada! Compartilhe essa ideia!
Bruno de Oliveira Rocha

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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