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Calor e falta de chuva aflige população urbana e rural de Unaí-MG

Como em 1963, há 50 anos atrás, o mês de dezembro ficou marcado pela falta de chuva, por isso, muitos produtores rurais estão preocupados com as plantações e com o gado, se não chover, a produção não irrigada poderá ficar completamente perdida e o preço subir; confira relato exclusivo do que ocorreu naquele ano.

Esta não é a pior seca que Unaí-MG sofreu, mas a falta de chuvas no período considerado chuvoso tem preocupado a população urbana e rural. Entre a segunda quinzena de dezembro e a primeira quinzena de janeiro as chuvas sempre foram comuns na região, mas nesse ano a falta delas surpreendeu produtores e a população urbana.
Embora os serviços meteorológicos tenham avançado bastante no Brasil, as perdas com a falta de chuva são inevitáveis. O gado perece pela falta de pastagem que foi impedida de crescer por causa da falta de chuvas, mas o problema não reside apenas na agropecuária, os agricultores também estão sofrendo com as perdas das mais diversas culturas em função do sol forte e da falta de chuvas num período essencial para as plantas.
O drama destes produtores pode ser evidenciado quando se passa pelas rodovias que ligam Unaí às cidades vizinhas do noroeste mineiro, grandes produtoras também. Em função da falta de chuvas, os grandes produtores, exportadores de grãos em nossa região, já preveem um aumento nos preços em todo o país já que não foi apenas em nossa região que faltou chuva.

Calor e baixo nível dos reservatórios das hidrelétricas
Há duas semanas, o calor virou assunto dominante nas rodas de conversa da população unaiense. Realmente, as temperaturas estão subindo e a chuva não vem. Com o desmate de árvores na zona rural cada vez mais intenso e a impermeabilização do solo na região urbana da cidade, a área central da cidade parece ser mais ‘quente’ que outras áreas, intensificando o uso do ar condicionado e de ventiladores.
A falta de chuvas e o sol forte faz com que aumente o movimento em clubes, córregos e rios na região, mas um ramo que está lucrando muito com esse calor são as sorveterias que estão ficando abertas por mais tempo para atenderem os clientes que clamam por algo gelado para se refrescarem. A venda de refrigerantes também vem crescendo, segundo os lojistas.
Entretanto, há mais um lado negativo da falta de chuvas que atinge todo o sudeste e centro-oeste: a baixa no nível dos reservatórios das hidrelétricas, prejudicando a geração de energia. A Usina Hidrelétrica de Queimado está com níveis abaixo do esperado para a época em contraste com a mesma época no ano passado.
Hoje (4), pela manhã, a previsão deu os primeiros sinais de que a semana que vem será marcadas por chuvas em Unaí e toda a região, mas mesmo assim, muitas plantações já estão praticamente perdidas por causa do sol forte. Para a semana que vem, estão previstos mais de 200mm de chuva para Unaí-MG.

Lembranças de 1963

O Idade Digital fez uma busca em documentos sobre a precipitação no Brasil e principalmente na região sudeste e encontrou relatos de que o Brasil enfrentou uma das maiores secas da história. Unaí não foi diferente e também sofreu muito. Depois de pesquisar esses relatos, fomos à busca de alguém que tenha residido em Unaí nessa época, há 50 anos atrás, e encontrou Joaquim Nogueira, que nos fez um relato exclusivo e inédito do que Unaí-MG passou naquele ano.
Grande amigo de Sebastião Alves Pinheiro (Tão), Joaquim Nogueira, na época motorista de caminhão, hoje, proprietário de um ferro velho no bairro Bela Vista, aos 81 anos, relembra aquele momento triste e delicado da história de Unaí. Confira a entrevista que ele concedeu ao ID:
ID: O que ocorreu no início do ano de 1963?
Joaquim Nogueira: Em novembro de 1962 choveu o mês inteiro, muito mais do que o esperado, daí depois do dia 15 de dezembro não teve mais chuva e aí entrou janeiro sem chuva, com muito calor, como está agora, veio o veranico, não tinha cereais na região e meu serviço teve de ser substituído por carregamento de outras cargas.
ID: Na época em que ficou sem chuva, o senhor tem lembranças do Rio Preto?
Joaquim Nogueira: Foi uma tristeza, o rio Preto ficou com água baixinha, eu conseguia lavar meu caminhão no meio do rio, inclusive, tinha que procurar os poços mais fundos.
ID: E as plantações, o senhor consegue nos descrever como ficaram?
Joaquim Nogueira: Perderam tudo, nem os mais ricos da cidade, até a família Adjuto [pioneiros na cidade] ficaram sem arroz, que era o que plantavam os agricultores. O noroeste não produziu nada e naquela época não tinha como prever as coisas como hoje tem e então, os preços subiram porque não tinha nada, ninguém produziu.
ID: O senhor, veterano em nossa cidade e também na vida em geral, se pudesse dar um conselho à geração atual, o que o senhor falaria?
Joaquim Nogueira: Não tenho muito a falar, mas queria que todos parassem de desmatar e começasse a plantar, porque sem árvores o mundo só vai esquentar e eu não sei onde vamos parar.
Bruno de Oliveira Rocha 

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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