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Unaí comemora 69 anos; veja história

Doze prefeitos, centenas de vereadores e milhares de habitantes. São números que a história de Unaí conta desde 1944, quando a cidade foi emancipada político-administrativamente. O Idade Digital fez uma busca em documentos que contassem a história de Unaí e conseguiu reunir diversas informações. Confira!
Delvito Alves é o décimo segundo prefeito de Unaí-MG e chegou à Prefeitura de Unaí-MG nesse ano. O desafio de administrar um território de mais de 8 mil km² e com 69 anos é, com certeza, algo de valor para a carreira de qualquer governante que tenha passado pela Prefeitura Municipal de Unaí nesses anos todos.
Com um povo hospitaleiro, obras de importância regional, obras com grande valor agregado ao território municipal e um conjunto de serviços prestados por órgãos públicos como sendo esta cidade polo, Unaí tem suas virtudes consumadas pela proximidade com o Distrito Federal, bem com também a sustância principal de sua economia: agropecuária e grãos.
O ID, no uso das atribuições de blog com abrangência regional e principalmente na cidade de Unaí-MG, agradece à cidade e consequentemente a seus habitantes que tem nos dado o prazer de sermos lidos diariamente por centenas de pessoas.
Feriado Municipal
Unaí-MG foi emancipado politicamente em 31 de dezembro de 1943, pela Lei Estadual nº 1058, mas o seu aniversário é comemorado em 15 de janeiro. Até o ano de 2011, a data era comemorada como feriado religioso, o que não condizia com a realidade. Em 21 de dezembro de 2011, o aniversário da cidade em 15 de fevereiro foi considerado feriado civil.
Hoje, a cidade recebe shows regionais nessa data e comemora com várias ações da Secretaria Municipal de Cultura e também da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer, responsável pela realização de competições no município nessa data. Enfim, os unaienses podem participar todos os anos de uma programação muito especial, que sempre é divulgada e como nesse ano, está no site da Prefeitura Municipal de Unaí-MG.
História de Unaí nos mínimos detalhes
Com base em documentos históricos como livros, relatos, trabalhos científicos de formandos em faculdades do município de Unaí, além do atlas municipal do ano 2003, o Idade Digital conseguiu reunir, fruto de um trabalho exaustivo, um conteúdo que explica, minuciosamente o crescimento dessa cidade que hoje, com uma produção invejável, faz história no Brasil. Uma história grande, porém, esclarecedora.
Antes dos conquistadores ocuparem e dominarem o sertão do Rio São Francisco, a região era ocupada pelos Jê. Os Jê dividiam-se em diversas nações individualizadas e, não raro, rivais entre si, sendo que o mais antigo e importante desses povos era o Kaiapó. Os Kayapós formavam dois grupos: os Kayapós Meridionais, que ocupavam o sul de Goiás, o Noroeste de Minas e o Triângulo Mineiro; e os Kayapós Setentrionais, que habitava a região compreendida entre o Xingu e o Araguaia.
Conforme os portugueses foram ocupando o litoral, inúmeras outras tribos fugiram para o vale do São Francisco, bem como os brancos foragidos da lei e os negros que se rebelaram contra a escravidão. Assim sendo o vale passou a ser ocupado pelos marginalizados (brancos, mamelucos e índios).
Voltando novamente a respeito das primeiras ocupações, o governador geral em Salvador nomeou Antônio Guedes de Brito para o posto de Mestre de Campo, em 31 de janeiro de 1671, com a instrução para eliminar os marginalizados na região do São Francisco e estabelecer a ordem. À frente de um grupo de homens armados, Antônio Guedes percorreu o vale, tentando liberar a região dos ladrões, contrabandistas, quilombos e assassinos. Sérgio Buarque de Holanda afirma que: o sertão era mistério, a aventura, era provocação constante à índole aventureira e a imaginação do branco e, principalmente, do mameluco, esse produto de um povo de guerreiros, navegantes e de tribos nômades, habituadas ao sertão como animais à sua mata, sempre movidos pelo anseio pelo anseio de liberdade e pelo desejo de egresso à floresta.
Posteriormente, três expedições passaram a percorrer o sertão entre o rio Carinhanha e Paracatu: expedições de caça ao índio, expedições de exploração de riquezas e expedições de extermínio do índio. As expedições de extermínio eram verdadeiros exércitos uniformizados sendo que cada potentado uniformizava o seu próprio exército. Os comandantes desses exércitos privados e suas tropas eliminaram os índios da região e ocuparam as terras, formando as grandes fazendas de gado. A guerra contra os índios visando à implantação de uma nova sociedade que foi tão cruenta e desumana que os que ficaram vivos se vendiam por um prato de farinha ou se entregavam à escravidão. Em decorrência das expedições de extermínio, os que participaram da matança passaram a ocupar grandes extensões de terra. A família do Mestre de Campo Matias Cardoso dominou a região entre os rios Urucuia e Paracatu. A tática utilizada pela família Cardoso foi dividir o grande território em latifúndios, governados por pessoas de sua confiança, mas submetidas à autoridade do regente. Na região do Rio Preto, várias famílias receberam sesmarias: Domingos Martins da cunha formou a fazenda Boqueirão, recebeu a terra em 12 de julho de 1728; Gabriel Penna formou roça às margens do Rio Preto em 16 de maio de 1744; José dos Santos Pereira ocupou terras anexas do sítio da Tapera no sertão do rio Preto em 19 de abril de 1740; José Francisco Silva fez um sítio às margens do rio Preto em dezembro de 1744 e João de Villas Boas em 16 de maio de 1744.
Muitas tribos, fugindo do massacre, foram-se concentrar entre os rios Paracatu e Preto. Especificamente a respeito da ocupação das terras que atualmente é a cidade de Unaí, podemos dizer que, fundamentando na famosa escritora Maria Torres Gonçalves, a região foi ocupada por Nicolau Rodrigues Frois, filho de José Rodrigues Frois. Pesquisando os documentos do Arquivo Público Ultramarino de Lisboa, cujos microfilmes estão no Arquivo Público Mineiro, encontrei na Caixa 52, documento 95, o documento relata que José Rodrigues Frois residia em São Paulo, sendo o seu pai coronel Pedro Rodrigues Frois que possuía muitos bens e escravatura. Devido a alguns motivos que desconhecemos, acabou perdendo tudo que tinha e ficou reduzido à grande pobreza deixando, inclusive, de pagar a capitação dos escravos que possuía há muitos anos, devido a sua situação financeira. O coronel, apesar das dificuldades, conseguiu reter três escravos. O seu filho, José Rodrigues Frois, devido a sua pobreza nenhum escravo possuía. Eles eram bons sertanistas e possuíam bons conhecimentos do sertão e, assim sendo, foram buscar ouro na região do Serro Frio que era uma comarca da capitania de Minas Gerais. José Rodrigues Frois, em companhia de seu pai, posteriormente passou a morar na comarca do Rio das Velhas. Em julho de 1743, José Rodrigues Frois pediu ao seu pai os três escravos emprestados e, com eles, saiu a examinar a região entre o rio Paracatu e o rio Preto. Os quatro não tinham ferramentas, mantimentos e vestuários próprios para percorrerem o sertão.
Na vizinhança do Rio Paracatu encontrou ouro no córrego no qual José Rodrigues Frois colocou o nome de São Luiz de Santa Anna. Inúmeros documentos referentes a esta época fazem alusão à região do Rio Preto: “O ouro de Paracatu vai permitir o povoamento do sertão do Rio São Francisco, que antes parecia quase impossível devido aos índios bravos e ferozes desta região. Vai ser possível domar ou afugentar o gentio do rio Preto”. “Vai ser possível domar o gentio entre Paracatu e Rio Preto e povoar esta região estabelecendo sítios e fazendo novos descobrimentos”. José Rodrigues Frois foi o fundador da cidade de Paracatu e seu filho Nicolau Rodrigues Frois tomou posse das extensas terras que hoje constituem o município de Unaí, conforme salienta Maria Torres Gonçalves em seu livro “Hunay de hontem, Unaí de hoje”.
Por fim, o pequeno povoado, quando no século XVII, Manoel Afonso Pinto Brochado aqui chegou com o seu pessoal em 1972, adquirindo o grande latifúndio que compunha as terras do distrito do rio Preto. Os seus demais parentes acomodaram-se pelas imediações.
Mais tarde, um deles salientou-se pelo esforço e boa vontade. Suas ideias e seu trabalho frutificaram e houve o eclodir da vida no povoado, sendo o responsável pela sua formação: trata-se de Domingos Pinto Brochado.Aqui ele viveu, aqui viveram os Rodrigues Barbosa, os Souto, o Padre Antão José da Rocha e outros mais, colaboradores no crescimento do Arraial.
Bem desejaria transportar-se aos idos tempos, para ver o heroísmo daqueles corajosos pioneiros, baluartes de um futuro promissor! Como devem ter lutado! Sem maquinários, sem as facilidades da vida de hoje! Sua arma era a esmagadora vontade de criar alguma coisa de positivo, contando com o mecanismo de seus precários instrumentos de trabalho. Nada de tratores possantes que rasgam estradas, num abri e fechar de olhos. Nada de pontes de concreto e cimento armado, nada de verbas conseguidas sem dificuldades, como nos dias atuais.
Mas a terra era rica e fácil, e a boa vontade ainda era maior. Por isso, pouco a pouco, o povoado floresceu. Depois veio a demarcação das terras para a formação de novas fazendas. E de longínquos chãos foram chegando as primeiras famílias. Hoje uma casa, amanhã outra, mais outras: eis o povoado, revestido de encantadora simplicidade.
Ali estava o Rio Preto de águas esverdeadas e murmurosas, pronto a estabelecer os laços das comunicações. Subindo e descendo nas suas barcaças, sertanejos corajosos faziam o seu comércio entre São Romão e Januária. Forma tempos de paz, fartura e alegria. Intermináveis eram as boiadas que vinham de distantes lugares, para serem transportadas para outras pragas além.
Antes de ser construída a primeira ponte sobre o Rio Preto, no local funcionava o porto, onde os sertanejos atracaram os primeiros barcos. Canoeiros ou passadores, como eram chamados, fizeram a travessia de muitos fazendeiros, comerciantes e aventureiros.
Por muitos anos os barqueiros trabalharam felizes e em sucessão, subindo e descendo nas suas barcaças. Sertanejos corajosos que faziam o comércio entre São Romão-MG e Januária-MG, assim como Formosa-GO, e muitos outros lugares.
Era uma verdadeira aventura! Foi assim que nasceu o porto do Rio Preto na Fazenda Capim Branco, para se comunicar com outros povos; para ser um mediador de um comércio que pouco a pouco ligaria seus moradores a novas presenças.
Os moradores da fazenda Canabrava (hoje um florescente bairro), vinham cedinho ao povoado para vê-las passar. Horas e horas, ouvia-se o aboio triste ecoando pelos ermos dos caminhos solitários. Como era pungente o mugir das reses! Adivinham talvez, a longa viagem e o destino cruel que as esperava. Aos poucos, o tropel dos seus cascos batendo, às vezes em nuvens de poeira, ia desaparecendo, até sumir de todo.
O Rio Preto nasce na Lagoa Feia em Formosa, no estado de Goiás, e vai desaguar no Rio Paracatu. Ele faz parte de duas grandes bacias brasileiras, a Bacia do São Francisco e a Bacia do Prata. É um rio de grandes possibilidades visto que, em breve teremos três barragens no decorre de seu curso: a hidrelétrica de queimados, a de Zico Esteves, e a da Mata Velha.
Ele tem suas particularidades. Ocasionalmente seu curso é cortado por bancos de pedras ou corredeiras de pequeno desnível, as quais apresentam passagens relativamente estreitas e rasas. Existem algumas ilhas e praias de cascalhos, que forçam o rio a passar em lugares apertados com dificuldade e velocidade. O rio é famoso também pelos prejuízos e danos causados pelas enchentes: de 1918, 1952, 1954 (que inundaram grande parte do pequeno arraial e levou embora a velha ponte de madeira). A enchente de 1969 deixou de novo o povo que morava na região ribeirinha desalojado, e andando de canoa ao invés de carro.
Houveram outras enchentes, porém a de 1979 foi considerada de calamidade pública (choveu naquele ano ininterruptamente, de dezembro a fevereiro).
A enchente de 2004 foi a última grande enchente, porém vieram outras mais brandas, e hoje em dia toda vez que chove um pouco a mais, os antigos moradores ainda se perguntam: “será que este o ano o rio vai sair?”, porém o Rio Preto já não é o mesmo. Por muito tempo ele foi depositório do esgoto da cidade e sofreu com a derrubada de suas matas ciliares.
Só agora, no século XXI, é que o esgoto foi retirado do rio Preto, devido a isto, a instalação da ETE (Estação de Tratamento de Esgoto), uma bela e necessária ação do SAAE-Unaí, que entregou ao município uma das maiores e indispensáveis obras da região. O rio agora respira um pouco aliviado. Vai demorar algum tempo para termos o rio Preto com alguma semelhança do passado.
Cenas comuns naqueles tempos. Ninguém vendia ovos, leite ou frutas. Estava tudo ali mesmo, ao alcance de quem quisesse. Os doces eram feitos em enormes tachos, os biscoitos em gamelas e acondicionados nas grandes arcas de madeira que havia nas casas das famílias mais abastadas e, mesmo nas classes humildes, sempre apareciam um pequeno agrado para oferecer aos visitantes.Após anos, o antigo povoado do Porto do Capim Branco foi crescendo na evolução dos tempos. Começou a modificar-se, tornou-se vaidoso e hoje é uma senhora cidade, jovem ainda, porém plena de sonhos e realizações positivas.
A Avenida Governador Valadares já nasceu grande, ia do Rio Preto passando pela residência do Senhor Porfírio Gaia (a primeira casa construída em estilo colonial assoalhada e de janelas envidraçadas. Foi a primeira casa de Unaí com água canalizada e instalação sanitária), pela igrejinha de Nossa Senhora da conceição e terminava nas proximidades da casa que pertenceu ao senhor Pedro Aguiar, acima da Casa Pimentel. Ao longo da rua, havia grandes pomares com mangueiras e cajueiros, ali à disposição de quem quisesse pegar seus frutos ou descansarem em suas sombras.
Era embaixo destas mangueiras que se reunia o pessoal, para além de descansar, negociar e trocar mercadorias, comentar o preço das coisas e por em dia as conversas. Um pouco mais tarde, Francisco Costa fixou residência mais afastada onde, mais tarde, funcionaria “A Revolução”, famosa loja de tecidos. A Rua Grande foi famosa porque, além de seu comércio, nela surgiu um grande movimento social em Unaí denominada “Vai-e-Vem”, que foi praticado durante décadas na cidade; as pessoas subiam a rua Grande para verem e serem vistas.
Este vai-e-vem também se aplicava ao comércio: era o movimento do pessoal que vinha da zona rural no ônibus pela manhã, descia na “Boca da Ponte”, e subia a Rua Grande fazendo compras, retornando ao mesmo local na parte da tarde, causando grande movimento na “Boca da Ponte” pegando o ônibus de volta para suas casas e embarcando suas mercadorias. Este movimento de passageiros, mercadorias e marreteiros ainda existe até hoje.
A Rua Grande acabava onde é hoje o cruzamento da José Luiz Adjuto com a Avenida Governador Valadares. Ali acabava o perímetro urbano, tinha um mata-burro e uma porteira, porém seguindo em frente, não muito além, estava a casa da hospitaleira Borginha, local de passeios no final de semana. Mais adiante ficava a Barroca: posto de banho e lavação de roupa em suas profundas grotas que eram abundantes naquela época na região.
Bem mais acima (onde hoje é a praça São Cristóvão) ficava a chácara dos Currais sendo seu último proprietário o senhor Anísio de Souza Gonçalves, que posteriormente doaria parte da chácara para formação do bairro Divinéia. A Rua Grande hoje termina no bairro Bela Vista nas proximidades da Sede do Rotary de Unaí e tem 3 mil e novecentos metros de extensão.
O tempo passou e Unaí finalmente se vestiu de cidade. Quem passa agora pela Avenida Governador Valadares está indo ao encontro do seu progresso, com seus mil ruídos e seu intenso movimento.A sede com suas construções é uma variação de cenários bonitos, as ruas se agitando em todas as direções. Unaí aos 69 anos é como se fosse uma moça que veste roupas novas todos os dias, e que tem consciência do poder de seus horizontes.
Restam as lendas que embalam a imaginação. Restam as lembranças de tudo o que se foi para sempre. Apenas a saudade reverencia o passado, nas páginas da história de Unaí estão inscritos os feitos daqueles primeiros e bravos homens que lançaram as bases da edificação da nossa cidade, a capital da hospitalidade. A eles, a veneração, o respeito e culto as suas memórias.
Para contar esta história de forma tão minuciosa foi necessário analisar livros, como de Maria Torres Gonçalves, trabalhos científicos de alunos que decidiram levar a sério a história unaiense, bem como o uso do atlas histórico que Unaí tem desde 2003.Hoje, 15 de janeiro de 2013, Unaí completa 69 anos de emancipação político-administrativa. Parabéns, Unaí! Parabéns, unaienses!
Bruno de Oliveira Rocha

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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