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Um dia na saúde unaiense; veja

Como está funcionando a saúde pública em Unaí? Quanto tempo demora? Qual a real situação? Quais foram as mudanças nos últimos anos? Por essas e outras perguntas, o ID produziu uma série de matérias sobre algumas unidades de saúde de Unaí (PSFs, Policlínica, P.A., Farmácia Básica), percorrendo e infiltrando-se dentro das unidades para saber, sem escrúpulos, qual a realidade da saúde de Unaí. Tudo você confere agora nessa grande, inédita e exclusiva matéria!

“Saúde de Unaí-MG precisa de um trabalho emergencial”, essa talvez foi a frase mais repetida nos jornais e matérias dos veículos de imprensa unaienses, pois foi a fala de Delvito em entrevista ao G1, portal de notícias da Globo, no mês de janeiro. Reafirmando isso, os unaienses que votaram na enquete do Idade Digitalescolheram saúde com 44% dos votos como área mais precária no município. O trânsito, tema da série que o IDtraz desde janeiro, está em segundo lugar, com 33%. Em seguida vem educação, segurança, meio ambiente, zona rural e esporte.
Saúde: a saga
A saúde envolve a vida e por essa questão, é uma das áreas, acompanhada de educação, mais importantes de qualquer governo e do ser humano. O atendimento na saúde melhorou bastante nos últimos oito anos, na gestão de Antério Mânica à frente da Prefeitura Municipal, começando pela reforma administrativa tão publicitada até os mínimos detalhes, como a refrigeração do Pronto Atendimento, a instalação de TVs e principalmente a limpeza. No entanto, um fato que acaba trazendo opiniões divergentes é o aluguel de casas para abrigar órgãos de saúde municipais – que estão espalhados por toda a cidade, o que acaba onerando as contas do município, contudo, o mérito de reorganizar o atendimento da saúde não pode ser tirado.
Intitulada como “Um dia na saúde unaiense”, essa matéria traz mais do que a convivência de um só dia, mas de semanas e até meses aguardando um atendimento completo. Ao invés de enviar alguém uniformizado para coletar informações, fizemos diferente e convidamos um produtor que, oportunamente, estava com problemas de saúde para colaborar conosco na produção dessa matéria. Nesse aspecto, por questões de segurança, todas as vezes em que nos referirmos a essa pessoa, ao invés de citarmos o nome, citaremos “nosso produtor”.
Como será que está funcionando o sistema de saúde unaiense desde o fim das eleições 2012 até hoje? Quantos dias tenho que aguardar para conseguir realizar uma pequena cirurgia? Onde preciso ir? Quais os procedimentos burocráticos são necessários para efetuar marcações de exames? Exceto o Pronto Atendimento Municipal, há sobrecarga nos outros setores? Para responder essas e outras perguntas, o IDse posicionou literalmente na pele de um usuário do Sistema Único de Saúde (SUS) em Unaí-MG. Utilizando a oportunidade fornecida em função da necessidade do nosso produtor e a sua boa vontade em ajudar a diagnosticar a saúde de Unaí de perto, preparamos um material surpreendente e exclusivo.
Remédios de graça
A Farmácia Básica de Unaí fornece milhares de medicamentos diariamente, o cidadão unaiense que quiser obter remédios de graça deverá levar sua receita expedida no atendimento público e então receberá os remédios que estiverem disponíveis. No entanto, as filas são as maiores possíveis, chegando a ultrapassar por várias vezes o espaço interno do local, principalmente em dias de chegada dos remédios.
Quando acontece a superlotação e o número de pessoas é muito grande, há a distribuição de senhas que permitem o usuário ser atendido e não sendo diferente, muitas pessoas ficam para o próximo dia. Nosso produtor entrou na fila da farmácia básica para verificar se havia dois remédios de composição variada, mas que sempre foram disponíveis na rede pública. Depois de quase uma hora e um empurra-empurra em face da distribuição de senhas, nosso produtor levou apenas um dos remédios prescritos.

Unha encravada
Entrevistado pelo ID, nosso produtor afirmou que vinha sentindo dores no canto esquerdo da unha do dedão do pé esquerdo, logo no início de novembro. Morador do bairro Bela Vista, nosso produtor procurou o PSF, onde marcou uma consulta com a Dr.ª Juliana Cardoso para o dia 30 de novembro de 2012. Sem demoras e com um excelente atendimento, o paciente recebeu o encaminhamento de cirurgia ambulatorial a ser marcada.
O primeiro impasse nessa jornada foi a não marcação de cirurgias devido o processo de transição governamental. A marcação só voltou a ser feita na última semana de janeiro. Nosso produtor fez a marcação da avaliação para o dia 05 de fevereiro de 2013 no PSF do bairro Novo Jardim, onde atende o médico Dr. Rodrigo Andrade. Os procedimentos de marcação foram realizados no setor de ambulâncias municipais. Submetido à uma rápida avaliação, nosso produtor recebeu o prontuário para marcação de cirurgia que seria feita pelo mesmo médico e no mesmo local, mas mesmo assim, deveria ser marcada novamente na Secretaria Municipal de Saúde.
Realizados os procedimentos burocráticos, nosso produtor conseguiu marcar a cirurgia para 14 dias após a avaliação. O médico alertou que só faria três procedimentos cirúrgicos diários e depois de algumas horas de espera, enfim, o paciente foi submetido à pequena cirurgia para retirada de parte da unha encravada. Acompanhado de três estagiários da Escola Técnica de Unaí (UNITEC) e uma equipe de ajudantes excelentes, carinhosos e atenciosos, o Dr. Rodrigo fez o procedimento cirúrgico que ocorreu como era esperado. Com quase 1,5cm de unha retirada, nosso produtor elogiou bastante a sensibilidade e presteza do médico e da equipe que o auxiliou.
Após receber o atestado médico, nosso produtor recebeu a receita para compra dos medicamentos e voltou no dia posterior para nova avaliação e troca de curativos no mesmo PSF. O saldo desse paciente foi, da marcação da primeira consulta no PSF Bela Vista até a retirada da unha definitivamente, 97 dias de espera, cerca de 11 horas em fila de espera e ainda, dois médicos, três consultas e três marcações, sendo que duas três consultas e as três marcações foram em locais diferentes.
Dificuldade de audição
Nosso produtor relatou que sentia dificuldade para ouvir a TV ou som em volumes baixos e sempre quando regulava o volume dos aparelhos, incomodava os outros da sua casa. Ele relatou também que nunca gostou de fones de ouvido, o que elimina a possibilidade do problema ter surgido por essa causa.
A marcação da consulta no PSF Bela Vista se deu no dia 17 de janeiro, com a consulta agendada para o dia 29 do mês. Depois de analisar externamente, a Dr.ª Juliana Cardoso expediu um encaminhamento para o médico otorrinolaringologista. Diferente da marcação da cirurgia, a marcação da consulta é feita pelos próprios servidores do PSF.
A consulta que foi marcada para o dia 18 de fevereiro com o Dr. Marcelo Formoso foi realizada no Centro Especializado de Saúde Policlínica de Unaí, onde em menos de uma hora, nosso produtor conseguiu ser atendido e lhe foi recomendado passar por uma audiometria (exame da capacidade auditiva por meio de audiômetro), que deverá ser marcada na Secretaria Municipal de Saúde para realização na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e depois, com uma nova marcação de consulta diretamente na Policlínica com o mesmo médico, será possível obter o diagnóstico completo e enfim, o resultado da avaliação.
Como o diagnóstico da doença não se findou, o saldo até o presente momento foi de 33 dias, desde a marcação da primeira consulta até a consulta com o médico especializado no tratamento de doenças auditivas, duas consultas e pouco mais de 4 horas em filas.

Limpeza
Exceto o Hospital Municipal Doutor Joaquim Brochado e o Pronto Atendimento do hospital, a limpeza dos PSFs e da Policlínica é, no mínimo, precária. O modelo administrativo regulamentador que Antério Mânica instituiu em sua gestão nos últimos oito anos fez com que a infraestrutura e a limpeza dos estabelecimentos dos estabelecimentos de saúde melhorassem bastante, mas não equitativamente. Mas a causa da sujeira não é apenas a falta de limpeza, muito pelo contrário, a sujeira vem das mãos dos usuários.
Como já foi dito, a limpeza do Hospital Municipal e do Pronto Atendimento são exemplos deixados pela administração de Antério e Branquinho frente à Prefeitura Municipal de Unaí-MG. Entretanto, a situação dos PSFs é caótica, há cascas de banana, garrafas PET, papel de balas, chicletes e muitos fios de cabelos embaixo de cadeiras e bancos de estabelecimentos de saúde. Talvez porque nos PSFs e na Policlínica não há limpeza contínua, apenas uma limpeza diária. A comprovação dessa situação está exposta na foto acima.
Panorama e conscientização dos usuários
Até o momento, nenhuma grande mudança no setor de maior preocupação do prefeito Delvito Alves foi notada. Espera-se que haja uma real desburocratização da saúde no sentido de agilizar e melhorar a qualidade da avaliação de cada paciente, todavia, para que isso aconteça é necessário que o médico esteja bem preparado, seja bem remunerado e busque cada vez mais o conhecimento atualizado.
Outra questão de grande valia é a conscientização da população que utiliza o SUS em buscar o estabelecimento correto para sua necessidade e urgência. No caso do nosso produtor, a procura do PSF do bairro dele foi a atitude mais correta já que não é uma emergência e que não causaria complicações a espera. O que mais acontece no Pronto Atendimento do Hospital Municipal e o que evidentemente causa demora e superlotação é a procura do médico de plantão para razões superficiais, mínimas e irrelevantes, como uma pequena gripe ou ferimento leve que poderia ser tratado em casa, ou persistindo a gravidade, num PSF, desafogando assim a carga de ocorrência emergenciais no Pronto Atendimento da cidade.
Bruno de Oliveira Rocha 

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

0 resposta em “Um dia na saúde unaiense; veja”

Nosso Prefeito Delvito tem a missão de mudar a cara da saúde em Unaí, vamos aguardar que após esse primeiro semestre tudo vá melhorando aos poucos. Na minha opinião até o presente momento a saúde em Unaí vai de mal a pior, principalmente em se tratando de atendimento. Como em grande parte do Brasil onde o brasileiro sofre para garantir um atendimento de saúde decente. Como vi em recente notícia, em várias capitais, mais de 170.000 pessoas terão de esperar até cinco anos por uma cirurgia não emergencial. Nos hospitais e pronto-socorros, o que significa mais filas e queixas quanto à qualidade do atendimento.

Com certeza, Luiz Paulo. Você foi enfático em relação ao atendimento. Hoje recebi reclamações duras de um usuário que votou em Delvito, mas disse estar decepcionado com a falta de material nos PSFs e no Hospital. Segundo ele, sua mulher iria fazer cesariana, mas acabou ganhando o bebê de parto normal, se fosse para fazer como planejado, não havia anestesia. Nos PSFs, já falei sobre a falta de material e quanto ao P.A., a situação está pior.
Na verdade, Delvito está tentando planejar o envio dos próximos recursos reunindo-se e planejando bastante, no entanto, o hoje está sendo esquecido e coordenadores de PSFs estão brigando diariamente com operadores da CEMIG para evitar o corte de energia que até o dia 15 ainda não havia sido pago. Enfim, é preciso alimentar uma esperança, pois a dívida do município praticamente acabou, agora é esperar.

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