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Adota Unaí: animais salvos pela comoção de voluntários

Cães e gatos abandonados à busca de comida e tratamento. Um gesto pequeno comoveu dezenas de pessoas que hoje ajudam o Adota Unaí a encaminhar e dar publicidade a animais para adoção. Funcionando como uma entidade social, o Adota Unaí é uma das iniciativas mais positivas e eficazes em Unaí, mas ainda falta o olhar dos governantes. O Idade Digital entrevistou Fernanda Carolina, que ao lado de seu pai, iniciou esse gesto voluntário. Confira agora!

Quantos cães você vê vagando pela sua rua? Muitos? O aumento do número de cães e gatos em situação de abandono em Unaí-MG é, no mínimo, preocupante, já que a taxa de reprodução de uma cadela vira-lata chega aos 6 filhotes em média (podendo chegar a mais filhotes em outros casos), semestralmente (nos meses de fevereiro e agosto, elas entram no cio e demoram mais ou menos 60 dias para terem seus filhotes).
A iniciativa do Adota Unaí tem encaminhado semanalmente vários filhotes para adoção, contudo, segundo fundadora do movimento, falta uma campanha de conscientização e promoção da castração gratuita pelo Centro de Controle de Zoonoses, diminuindo assim as crias e consequentemente colocando em controle a população de cães e gatos. Além do mais, as doenças que podem ser transportadas por cães de rua precisam ser observadas, já que a Leishmaniose, por exemplo, pode levar à morte.

Abrigo para cães e Centro de Controle de Zoonoses (CCZ)
A causa animal em nossa cidade sofreu poucos avanços. O Centro de Controle de Zoonoses que foi implantado na gestão de Antério Mânica, entrou em funcionamento reduzido no último ano em função da falta de espaço para abrigo dos cães. Por não haver um abrigo municipal para encaminhar os cães para adoção, iniciativas como a do Adota Unaí são muito importantes para continuar dando o destino correto aos milhares de cães espalhados na cidade, que entram em situação de abandono, se acidentam ou são submetidos a maus tratos.
Por questões judiciais, foi interrompida também a operação do CCZ de forma completa, onde agora os cães só podem ser levados caso estejam em situação de “risco aparente de doença”, isto é, os agentes do CCZ deverão observar os cães e assim identificar aqueles que estão doentes ou com sintomas de doenças caninas. Essa é a principal causa de dezenas de cães estarem vagando pelas ruas de Unaí diariamente. Enquanto no ano passado, cerca de cinco cães se abrigavam na grama da Praça da Prefeitura, hoje esse número pode chegar aos 20, que no período noturno buscam comida nas lanchonetes da praça. Então esse é o retrato da situação em que se encontram os cães em nossa cidade, com uma taxa cada vez mais alta de reprodução e, portanto, um descontrole imenso da população de cães.
A realização do 1º Pet Show, pelo Rotary Club Unaí Centenário, no mês passado, em parceria com o CCZ foi uma das iniciativas que prometem ficar para os próximos anos. Os técnicos do CCZ, na oportunidade, aplicaram vacina antirrábica em cães e gatos, fizeram testes rápidos para Diagnóstico de Leishmaniose Visceral em Cães, e ainda deram orientações aos donos sobre leishmaniose e guarda responsável de animais domésticos, visando assim criar uma conscientização da população, no entanto, a pouca difusão do evento fez com que uma pequena parcela da população participasse.

Entrevista com Fernanda Carolina

Em 2011, a pequena iniciativa de divulgar uma cadela que passava os dias na grama da Prefeitura Municipal de Unaí, abandonada, foi o suficiente para dar início à um verdadeiro movimento pela adoção e por tratamento dos animais. Roberto, pai de Fernanda e responsável pela comunicação virtual da Prefeitura Municipal de Unaí-MG com a população, criou o perfil Adota Unaí e decidiu divulgar essa cadela em busca de alguém para adotá-la. Em pouco tempo, a cadela que foi chamada de Manchinha, recebeu um lar.
A jovem Fernanda Carolina, de 20 anos, estuda Medicina Veterinária e se mostra apaixonada pela causa da adoção em Unaí-MG. Em entrevista, ao ID, Fernanda nos disse que a causa principal do Adota Unaí é “a construção de um abrigo para animais abandonados, em regime de urgência, onde possam ser abrigados, tratados e encaminhados para adoção”. Confira abaixo a entrevista completa:
ID: O Adota Unaí surgiu de uma mobilização individual, pelo que sabemos. Como ele chegou a essas proporções?
Fernanda Carolina: Particularmente acreditamos que nada acontece por acaso. Como sempre fazemos questão de enfatizar em nossas publicações, “mudar o mundo é interferir positivamente nas coisas que estão próximas ou longe de nós, mesmo quando elas não signifiquem nada para a maioria das pessoas”. E, poder dar uma nova chance a um animal indefeso é mudar o mundo sim. Entretanto, no caso do Adota Unaí nossa missão não seria tão exitosa se não fizéssemos uso de uma ferramenta por muitos tida como alienadora, porém, quando usada com disciplina e foco, absolutamente fundamental; o Facebook. A dedicação das centenas de pessoas que fazem o Adota Unaí a cada dia solidifica mais nossa missão, e hoje, piamente acreditamos que estamos no caminho certo.
ID: O fato de Unaí não ter um abrigo para cães dificulta o trabalho de todas as entidades e pessoas que tentam proporcionar cuidados e uma vida melhor para os animais. Como o Adota Unaí enfrenta essa situação?
Fernanda Carolina: De fato as dificuldades se multiplicam. Se tivéssemos um abrigo poderíamos fazer um trabalho mais planejado e com melhores resultados, sem dúvida. Diante da falta de um abrigo nos valemos da boa vontade das centenas de pessoas que acompanham nosso perfil no Facebook, buscando lares temporários e outras alternativas. O animal que se encontra em estado de abandono sente fome, sede ou pode estar acometido por alguma enfermidade, necessitando, portanto, de ajuda imediata. Essa busca por soluções às vezes “paliativas”, torna a situação ainda mais dramática.
ID: Em Unaí, não é tão difícil encontrar casos de abandono e maus tratos a animais, tanto de carga, como cavalos, quanto de estimação, como cães e gatos. Qual a posição do Adota Unaí e quais as ações que podem ser realizadas para evitar novos casos?
Fernanda Carolina: Estamos convictos que campanhas de conscientização junto à sociedade são de extrema importância. Todavia elas não existem. Para ilustrar o assunto, segundo informações que obtivemos junto à Secretaria Municipal da Saúde de Unaí, de janeiro a agosto de 2012 cerca de 500 donos entregaram seus animais de estimação ao Centro de Controle de Zoonoses. Evidentemente muitos destes animais apresentavam doenças, e naturalmente poderiam colocar em risco a saúde das pessoas. Entretanto, temos certeza que, se as autoridades responsáveis tivessem verdadeiramente interesse na causa animal em nossa cidade e promovessem campanhas sobre guarda responsável, muitos destes animais não teriam sido sacrificados e estariam por aí gozando do sagrado direito da vida junto aos donos, que na precipitação os entregaram para serem sacrificados. O direito á vida é sagrado, e isso vale para homens e animais, pois todo ser tem seu valor. Naturalmente, outras ações são imprescindíveis. Logicamente atuações exemplarmente punitivas sobre aquelas pessoas que ainda insistem em maltratar animais são indispensáveis. Cabe às autoridades constituídas para este fim, cumprirem o seu papel.
ID: Qual é a esperança que o Adota Unaí tem da Prefeitura Municipal de Unaí em relação à melhoria das condições de tratamento e vida de animais?
Fernanda Carolina: Acreditamos que a causa animal em nossa cidade nunca foi de fato tratada com a seriedade que ela requer pelo Poder Público. A política da matança em outros tempos já foi pior. Todavia ela ainda existe, porém, agora vigiada e proporcionalmente em menor escala. Apenas para ilustrar outro fato, há algum tempo atrás o CCZ de Unaí executava animais usando “modus operandis” similares aos empregados pelos nazistas sobre seus inimigos de guerra. Os cães eram levados para um cômodo que possuía um pequeno orifício na parede, o qual dava saída para um cano que era conectado à descarga de uma Kombi. O motor era ligado e o motorista acelerava, injetando gases tóxicos no ambiente, por consequência matando vagarosamente os cães que estavam no cômodo. Isso não acontece mais, porém a Prefeitura faz pouco ao apenas recolher os animais e levá-los para as celas do CCZ. Estamos esperançosos e convictos que nossos representantes, tanto na Prefeitura de Unaí quanto na Câmara Municipal, passem também a representar a causa animal, e definitivamente entendam que é necessário fazer algo urgentemente. Esperamos que os novos gestores do município promovam campanhas de castração e esterilização de cães e gatos; campanhas de conscientização sobre guarda responsável; que apoiem a construção de um abrigo decente para os animais recolhidos; que diligenciem com o objetivo de realizar estudo epidemiológico com a finalidade de elaborar um perfil de saúde dos animais do município, para saber quais são as principais doenças que os acometem; que também possam apoiar a realização de feiras de adoções e que o Centro de Controle de Zoonoses seja efetivamente um centro de controle, e não um depósito de condenados, um lugar de sacrifício.
ID: Quais são os canais para comunicar animais em situação de abandono, perdidos ou que esteja recebendo maus tratos?
Fernanda Carolina: Quanto aos animais abandonados ou perdidos, como ainda não há um abrigo para acolhê-los, o que particularmente podemos fazer é continuar contando com a adesão e participação do maior número de pessoas possível, compartilhando nossas publicações através das redes sociais. Dezenas de animais já foram encaminhados para novos lares através da metodologia que gere o Adota Unaí. Quanto aos animais em situação de maus-tratos, diz a lei 9605/98, parágrafo 32, inciso primeiro e segundo, que “abandonar e maltratar animais é crime e a pena pode variar de três meses a um ano de detenção”. Logo, recomendamos às pessoas que tiverem conhecimento desse tipo de situação, que acionem os órgãos competentes. Se o animal estiver sendo vítima de agressão, obtenha o maior número possível de informações para identificação do agressor. Em caso de atropelamento ou abandono em local público, anote a placa do carro para identificação junto ao DETRAN. Chame a polícia. Obrigatoriamente os agentes deverão ir até o local para emissão de um Termo Circunstanciado (TC), que é um registro próprio feito no local do crime. O artigo 225 da Constituição Federal diz que os animais são tutelados do Estado. Portanto, nenhum agente da lei pode se negar a atender este tipo de denúncia. Outra recomendação: procure sempre fazer a denúncia usando de anonimato, através do telefone 181. É seu direito se preservar. Nunca denuncie sem provas. Certifique-se que a denúncia é verdadeira, pois falsa denúncia é crime conforme o artigo 340 do Código Penal Brasileiro.
ID: Qual a mensagem que o Adota Unaí passa para a população unaiense?
Fernanda Carolina: Os animais, assim como o homem, têm direito à vida. Assim como nós, eles também sentem fome, sede, e necessitam ser amados e respeitados. Estas são condições basilares inquestionáveis. Comece a observar mais o seu cãozinho ou gatinho e verá o quanto você é importante para ele. Seja recíproco, pois ele merece. Ao sair pelas ruas da nossa cidade, repare que muitos deles estão por aí, condenados à própria sorte, passando fome, sede, se sentindo sozinhos. Dentro de cada um deles bate um coração, como o nosso, e um olhar cabisbaixo, triste, seguido de um tímido abanar de calda pode ser um pedido de socorro. Nunca se omita. O Adota Unaí acredita nisso: uma casa com cachorrinhos e gatinhos é uma casa muito mais feliz. Aproveitamos para agradecer ao blog Idade Digital pela grande oportunidade.
Bruno de Oliveira Rocha 

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

0 resposta em “Adota Unaí: animais salvos pela comoção de voluntários”

Bela iniciativa. infelizmente nem todos possuem condições de ficar com um animal de estimação.
Porém, acredito que todos, de alguma forma podem tentar doá-los para alguém que possa dar muito amor e carinho a eles, nesse sentido o Adota Unaí está fazendo sua parte contribuindo para uma vida mais digna para esse animais, e claro, consequentemente contribuindo para termos uma cidade melhor, com esses mesmos animais longe das ruas, longe de doenças e acidentes. “Porque todos tem direito a vida”

É diante de iniciativas assim que a cidade de Unaí tem que se curvar. São pequenos gestos que originam grandes mudanças. Luiz Paulo, você foi feliz demais ao afirmar sobre “uma cidade melhor”, pois além de tudo, a cidade de Unaí carece de uma atenção nesse ramo em face do grande número de cães e gatos abandonados à deriva. Muito obrigado por seu comentário!

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