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Um dia na Usina Hidrelétrica de Queimado

Com potencial de produção para abastecer 300 mil habitantes, a UHE Queimado é uma das construções hidrelétricas mais sustentáveis de Minas Gerais. Casa de força subterrânea, três geradores e muito mais informações desta hidrelétrica situada em parte dos municípios do noroeste de Minas, incluindo Unaí-MG. Confira como foi um dia na UHE Queimado!

Concluída em 2004 e já em pleno funcionamento no mesmo ano, a UHE Queimado, construída pelo consórcio Cemig (82,5%) e Ceb (17,5%), recebeu a visita do IDnesta terça-feira (12). Com um potencial de geração instalado de 105MW, sendo 3 geradores (turbinas tipo Francis) de 35MW cada, a Usina Hidrelétrica de Queimado – que recebeu esse nome por causa da Cachoeira do Queimado – abrange vários municípios e estados: Unaí (1,5%) e Cabeceira Grande (38,5%) em Minas Gerais, Paranoá (8,5%) no Distrito Federal, e, Cristalina (41%) e Formosa (10,5%), no Goiás. Com mais de um quilômetro de extensão, a barragem possibilitou a ampliação do turismo nas áreas próximas e os pequenos agricultores que investiram no segmento hoje estão felizes com os resultados.
Pioneira no estado de Minas Gerais ao ter uma casa de força à 150m abaixo do nível do solo, a UHE Queimado tornou-se bastante importante para o desenvolvimento de novas explorações da energia hídrica da região. Desde então, o governo tem tentado implantar várias Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) como a Unaí Baixo que causou polêmica ao inundar mais de mil hectares para gerar apenas 21MW, produção considerada ineficaz no Sistema Interligado Nacional de Energia Elétrica e Transmissão que abastece todo o Brasil.

Exemplo nacional de sustentabilidade
Ainda na época de construção da UHE Queimado, várias entidades de fiscalização e apoio ambiental analisaram os prós e contras da instalação da hidrelétrica e, em comparação com outras hidrelétricas de mesmo porte, a UHE Queimado se tornou um ícone em sustentabilidade justamente por causa dos contornos e cânions existentes no curso do Rio Preto. Esses cânions possibilitaram diminuir a devastação de espécies locais e assim, com ações mitigadoras e compensatórias, a UHE Queimado virou exemplo no contexto nacional da sustentabilidade em construções de usinas para geração de energia hídrica.
Todo o serviço de manutenção da UHE Queimado é terceirizado, ou seja, empresas prestam seus serviços na usina. A Diretoria de Operação da Cemig Geração e Transmissão SA que administra a usina fica em Unaí-MG, enquanto a Diretoria Administrativa e Financeira sob responsabilidade da Ceb Participações situa-se em Brasília-DF. O valor total da construção da UHE Queimado chegou próximo dos R$3 bilhões. A obra fomentou o desenvolvimento da região em que a usina foi implantada e trouxe vários investimentos para investimentos.
A implantação de programas ambientais contínuos em detrimento dos impactos ambientais causados na época da instalação da hidrelétrica estão em vigor até hoje e tem seus vários e amplos resultados. O programa de monitoramento de macrófitas, monitoramento limnológico e da qualidade da água são dois que além de auxiliar no bom funcionamento da usina ainda são importantes para a preservação do meio ambiente local. Existem mais uma dezena de projetos voltados à preservação, reinserção e proteção da fauna e flora regional.

A UHE Queimado por dentro
O Centro de Referência da UHE Queimado é um espaço para palestras, instruções, cursos e afins. Conhecer o local é o primeiro passo para conhecer a Usina Hidrelétrica de Queimado que reserva muitas surpresas, inclusive relacionadas às espécies encontradas na região e que foi alvo de estudos e reconstituição. Na estrada de mais de um quilômetro que separa o Centro de Referência do Centro de Controle, é necessário atravessar a barragem, onde é possível visualizar a tomada d’água, as boias de orientação, o vertedouro e também a Cachoeira do Queimado juntamente das comportas.
O Centro de Controle conta com equipamentos de última geração para gerenciamento da usina, já que caso haja falha no controle por satélite feito através da central em Belo Horizonte, um operador está sempre disponível para fazer as alterações e os monitoramentos da UHE Queimado. Servidores de dados, estrutura virtual precisa, ultra tecnológica e com profissionais especializados e terceirizados pela Cemig que efetua a administração da usina. Ao lado do Centro de Controle estão posicionados três transformadores gigantescos que transferem energia para a subestação por meio de cabos de alta tensão. No local, a vista da paisagem é a melhor e mais natural possível por causa da altitude das instalações.
O IDvisitou a Casa de Força da usina que está a 150m abaixo do solo, portanto, claustrofóbicos e usuários de marca-passo não podem visitar este local. Na ocasião, o gerador 2 estava já quase pronto para o início da demorada montagem que perdurará por meses até o pleno funcionamento, assim, a visita será impedida por um período de tempo. A Água e Terra, empresa terceirizada que presta serviço de educação ambiental na usina é também uma agência de palestrantes para atuarem em eventos ambientais, assim como já estiveram presentes em vários encontros de discussões ambientais em Unaí-MG.
Na casa de força, estão todos os três geradores, os controles individuais, os níveis de óleo, temperatura e água em cada gerador, assim como todos os equipamentos que são necessários para que haja geração de energia no complexo da usina. Se seguidas todas as instruções passadas no Centro de Referência pelos técnicos, não há como nada dar errado, por isso, o visitante que quiser um passeio seguro, produtivo e encantador precisa, além de tudo, seguir todas as normas e orientações de segurança passadas pelos palestrantes, pois até o apontar dos dedos libera energia e pode causar algum fator de risco em uma área muito energizada.
Depois de devolver os capacetes, é hora de deixar a usina com a mesma segurança com que entramos. Mantendo sempre a velocidade adequada no local e respeitando as normas estabelecidas dentro do perímetro da usina, com certeza, seu passeio termina com muita produtividade e nenhum incômodo.

Visitação aberta para todos
No mesmo dia ao qual o ID acompanhou as operações na UHE Queimado, 34 estudantes da turma do 3º ano do ensino médio da Escola Estadual Delvito Alves da Silva visitavam também a usina acompanhados do professor de Física da turma, que conversou com o ID e disse que é importante trabalhar com os alunos em locais assim, pois uma aula de visitação como essa vale dezenas de aulas teóricas, segundo ele “os alunos aprendem e cada vez mais podem aplicar seus conhecimentos naquilo que estava escrito no caderno”, completou Talles Vinicius.
A visitação é aberta a qualquer pessoa, no entanto, é preciso agendar com bastante antecedência e nos próximos meses, as visitas à casa de força estarão vetadas em virtude da manutenção do gerador 2 da usina, que está inativo e será recolocado para voltar a produzir. Segundo técnicos que trabalham no local, essa manutenção deverá durar quase um mês, pois além de recolocar o rotor, é preciso uma série de ajustes que, mesmo trabalhando diuturnamente, não serão rápidos.
A visita guiada é feita por uma equipe de técnicos que trabalham no local. Antes de tudo, a UHE Queimado oferece aos visitantes uma palestra com a história da usina, normas e instruções de segurança, projetos desenvolvidos pelas empresas prestadoras de serviços, além de uma explanação do local da hidrelétrica através de uma maquete e após a resposta de um questionário é oferecido um lanche. Antes de sair do Centro de Referência, onde são ministradas as palestras, cada visitante recebe um capacete na cor branca que além de proteger indica que a pessoa está visitando o local.
Os pontos visitados além do Centro de Referência são o vertedouro, o posto de controle virtual da abertura das comportas, o centro de transformação, onde estão instalados três transformadores que operam abaixo de sua capacidade total para evitar falhas levando a energia até a subestação de distribuição, e você visita também a casa de força subterrânea, tudo isso acompanhado de técnicos especializados para proporcionar segurança e maior aprendizado para cada visitante. Vale a pena conhecer toda a estrutura que é oferecida aos visitantes e conhecer, verdadeiramente, o processo de produção da energia elétrica que chega às nossas casas.
Bruno de Oliveira Rocha 

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

0 resposta em “Um dia na Usina Hidrelétrica de Queimado”

Legal saber que a UHE QUEIMADO é referência. Lembro-me de ir lá algumas vezes durante a construção. Unaí tem sido palco de importantes projetos, conciliando “preservação ambiental” e “desenvolvimento” de uma forma economicamente interessante.
Parabéns também pela iniciativa do ID.
Abs.
Danilo Meneses

Obrigado por sua leitura, Danilo, é um prazer tê-lo como leitor do Idade Digital. Realmente a UHE Queimado tornou-se referência quando a sua construção demandou uma das menores perdas de biodiversidades das usinas construídas em Minas. Depois, ao analisar o contexto nacional, viu-se que usinas daquele porte devastavam bastante e essa, por utilizar a forma natural do rio acabou por degradar menos. Todavia, as ações governamentais em relação à preservação ambiental na época eram mais duras do que hoje. Quando citada a PCH Unaí Baixo, está aí um exemplo claro de obra com benefício muito pequeno e uma devastação gigantesca em relação a sua produção. Continue nos visitando. Aproveite e curta agora http://www.fb.com/idadedigital e fique inteirado de tudo que o ID publica.

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