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Com vitória sobre o Legião, Unaí fica na Primeira Divisão

Pela 5ª rodada do Candangão 2013, o Unaí venceu o Legião por 1 a 0 com o gol decisivo de Sandro Goiano, há 11 jogos sem marcar. O jogo que decidiria o destino dos times terminou com um final feliz para as duas equipes. Você vai conferir detalhes e declarações inéditas dessa partida que marcou a permanência do Unaí e do Legião na Primeira Divisão do Campeonato Brasiliense, o Candangão.

Para o Unaí, só interessava a vitória para que a equipe se safasse do rebaixamento e ganhasse vaga para disputar o Candangão 2014; para o Legião, que estava em melhor situação que o Unaí, um empate do Botafogo-DF e o empate com o Unaí daria a chance de escapar do rebaixamento, mas, mesmo com a derrota, o Legião conseguiu a permanência.
Início de partida e o Unaí levou um sufoco do Legião, porém, o time do rock passou o restante da primeira etapa sem levar perigo ao goleiro Tiago. Alemão iniciou a partida levando perigo para o goleiro Amauri, mas foi na bola de Renatinho que o zagueiro Rafael teve que expulsar a bola em cima da linha do gol do Legião. O Legião tentou atacar mais uma vez com Rodrigo Melo, sem sucesso. Com Thiago cobrando falta fechada, mas também sem sucesso. No contra-ataque, o Unaí levou perigo com Filhão, que tocou para Renatinho, que foi derrubado na área, mas o árbitro José Neto ignorou.
Alemão descontou duro em Julen e Thiago, na cobrança, colocou Bocão na cara do gol, que desperdiçou e ainda acertou as costelas do goleiro Tiago. Na sequência, de novo, Thiago acerta o travessão e a linha de meta do gol do Periquito mineiro, mas a bola não entra. Unaí tenta mais vezes e perde as melhores chances, mas leva sufoco para o Legião. A equipe brasiliense ficou perdida no jogo. Das 5 chances claras do Unaí, nenhuma foi aproveitada.
Luan e Filhão, por duas vezes, mandaram a bola na trave, dando trabalho para o goleiro do time do rock trabalhar. Ao final do primeiro tempo, 0 a 0, a equipe do Legião tinha três jogadores “amarelados”, enquanto, o Unaí tinha apenas Gilvan com cartão amarelo. No intervalo, os treinadores das duas equipes aproveitaram para pressionar os jogadores. Cleiton Mineiro, treinador do Unaí Esporte, mostrou que queria ganhar o jogo e falou a seus jogadores que precisavam “entrar lá e fazer esse gol, é pra entrar e fazer, cadê a bola que não chega? Vamos lá, nós temos que fazer, temos que ficar na Primeira Divisão. Eu quero de vocês é isso, nós vamos entrar lá agora e fazer esse gol; nós estamos perdendo chances demais, tem que fazer o gol, isso que importa”.
Os dois treinadores fizeram alterações em seus times. Do lado do Unaí Esporte, entrou Sabino no lugar de Alemão; do lado do Legião, Rol Faúla sacou Thiago Catarinense para o lugar de Emerson, machucado. Os dois jogadores que entraram no segundo tempo fizeram boas jogadas nos dez primeiros minutos. Porém, foi quem mais sofreu durante todo o campeonato com as críticas da torcida que marcou o gol decisivo da partida aos 9’, o centroavante Sandro Goiano, camisa 9, dominou e tocou para o gol depois do “limpa” de Filhão dentro da área. Unaí Esporte 1 a 0.
Aliviado, Sandro Goiano passou a atuar mais atrás, buscando a bola. Aos 21’, Rodrigo Melo, num lance pela direita, recebeu a bola em condição de chute, mas furou. Pela direita, Sabino recebe uma bola enfiada de Renatinho, mas Jocelmo decidiu parar o atacante e leva amarelo. Na falta, mais um perigo para o gol do Legião, Filhão acerta o travessão e a bola explode no zagueiro saindo no lado esquerdo do gol de Amauri. Com medo de ficar com um jogador a menos, Rol Faúla, treinador do Legião, tirou Jocelmo para a entrada de PC. Inconsolado, Jocelmo xingou muito a decisão do técnico. Até o fim da partida, poucos lances do Legião conseguiram levar pressão ao Unaí que segurou até o apito final.
Em entrevista ao site Esporte Candango, o técnico do Legião, Rol Faúla, disse que “o jogo hoje foi atípico, o Unaí tinha que vir pra cima de todo jeito e conseguiram marcar um gol que teoricamente foi normal. Depois, pra variar, pecamos mais uma vez, perdemos mais oportunidades e erramos nas finalizações. O Unaí foi merecedor da vitória e da permanência também, já o campeonato como um todo, o nosso time errou em muitas coisas e o que podemos fazer é não errar de novo pra que a gente não passe o que passamos hoje”.
Time forte para 2014
Todos os times da Segunda Divisão do Campeonato Candangão passam por problemas financeiros e de infraestrutura. No ano passado, por exemplo, o estádio Urbano Adjuto, do Unaí Esporte era o melhor em se tratando de campo. Na Primeira Divisão, times como o Brazlândia, o Legião, o Unaí e o Botafogo sofreram com problemas financeiros, tanto para contratação de jogadores, quanto para manutenção de equipes. Essa dificuldade é pleiteada principalmente pela falta de incentivo e patrocínio.
Em entrevista ao site Esporte Candango, o presidente do Unaí Esporte, Elias Andrade, disse que “sem o apoio do Poder Público não é fácil, o futebol profissional é muito caro, as pessoas não tem noção, são 30 homens dependentes do dinheiro, de tudo. A gente precisa, realmente, repensar, conversar com o prefeito, sentar com ele e os assessores dele, mobilizá-lo e sensibilizá-lo para que ele possa entender o que é o futebol, a cidade se transforma tendo futebol e não só futebol, mas qualquer tipo de esporte, só que o futebol é uma vitrine. Se você tem um time de futebol, a cidade fica na mídia, uma mídia barata, para todo o país, então a gente precisa sensibilizá-lo para que no ano de 2014 as coisas aconteçam de melhor forma”, chamou a atenção do prefeito Delvito Alves.
Depois do jogo, a equipe festejou bastante, agradeceu a torcida e desceu para o vestiário comemorando bastante. O jornal Folha de Unaí teve acesso exclusivo ao vestiário do Unaí Esporte após o jogo e trouxe o momento de preces e agradecimentos dos jogadores do clube em função da permanência na Primeira Divisão do Candangão, já com a participação concedida no Candangão 2014. Confira abaixo a íntegra do momento, com créditos totais ao fotógrafo e chefe de redação do jornal, André Oliveira.
Sandro decisivo e travesseiro psicólogo
O jogador Sandro Goiano, centroavante que passou por times como Grêmio e Goiás estava sem marcar durante todo o campeonato. Na última partida, o seu gol valeu a permanência do Unaí na Primeira Divisão do Candangão. Em entrevista ao ID no último dia 7, o técnico Cleiton Mineiro disse antes da partida, “o Sandro Goiano é um caso complicado. A bola não chega para ele fazer o gol. Até então, ele nunca pegou a bola em situação de fazer o gol, a parte tática ele cumprido ela certinho, mas infelizmente na hora de passarem a bola pra ele, a bola não tem chegado. […] Eu tenho certeza que nesse jogo ele vai começar fazer os gols e daí então voltará a ser aquele Sandro decisivo, onde trabalhou e foi campeão em vários clubes e eu sei que o torcedor cobra, mas a gente sabe da importância e do respeito que as outras equipes têm por ele dentro de campo”.
O gol de alívio, como o próprio jogador classificou pode dar início a uma nova temporada para o jogador. Perguntado sobre a possível permanência de mais uma temporada no Unaí Esporte, Sandro Goiano disse que não sabe e adiantou que “a Deus pertence o meu futuro”. “Eu parei de jogar bola há poucos anos e eu trabalhei com ele [Sandro] muitos anos, me fale a imprensa ou qualquer torcedor: qual a chance clara de gol que o Sandro teve? Uma chance que ele teve, ele fez; então, ele é um jogador, que além de ser meu parceiro, me respeita muito, em todo momento é professor e Sandro Goiano. […] A gente fica satisfeito com o desempenho dele, é claro, ele teve um desacordo ontem, mas chegou a mim e disse: Cleiton, eu ia embora, mas como eu sou profissional, e além de ser profissional eu gosto de você, eu fazer esse jogo. Sim, depois, eu pego minhas coisinhas e vou-me embora. Então, a gente fica muito feliz com um profissional desse e é claro, hoje eu tenho ele como jogador, amanhã quem sabe eu trago ele para trabalhar na minha comissão”, desabafou Cleiton Mineiro.
O treinador ainda falou sobre a sua permanência na equipe, bem como a má fase que havia se instalado no clube em partidas anteriores. “Eu tenho família e sou da cidade, como eu sou da cidade, a cobrança em cima de mim é enorme, a gente fica envergonhado de sair na rua, eu não estou saindo mais na rua. […] às vezes tem certos torcedores que pensam que realmente me conhecem por terem me conhecido lá com sete, oito anos e pensa que tem intimidade de chegar em mim e falar certas coisas. […] Eu estava ao ponto de dar um surto, mas a minha permanência foi pelos atletas, foi pelo profissionalismo, pela dedicação dos atletas e aquilo me deixou muito feliz. Quando a gente chega em casa, deita a cabeça no travesseiro que é o maior psicólogo que nós temos, a gente vê as besteiras e bobeiras que a gente falou, então, a melhor decisão tem que ser tomada com a cabeça fria, então, por isso a minha permanência”, concluiu Cleiton.
“A gente tirou um peso tremendo das nossas costas, pois a gente vinha fazendo um bom campeonato, fazendo boas partidas e o resultado não vinha acontecendo, fazíamos partidas com domínio quase total, mas a gente não conseguia a vitória e hoje fomos coroados com essa vitória em casa pra lavar alma. Essa permanência na Primeira Divisão hoje é tão importante quanto no ano passado a gente ganhou a Segunda Divisão e agora, temos que comemorar mesmos”, finalizou Alemão, um dos jogadores mais importantes do Unaí Esporte.

Bruno de Oliveira Rocha 

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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