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‪#‎PodemosTirarSeAcharMelhor‬: uma questão a ser levada em conta

Desde que a hashtag #PodemosTirarSeAcharMelhor invadiu o Twitter, temos visto um aproveitamento massivo da militância petista do caso. Mas antes de partidarizar o efeito dessa “falha” da Reuters, é preciso estudar o que ocorreu, o que está por trás disso e quais lições devemos e podemos tirar do caso.

O caso

A Reuters Brasil publicou no dia 23/03/2015 uma reportagem contendo trechos da entrevista que o veículo fez com o ex-presidente do Brasil, Fernando Henrique Cardoso (FHC).
Até aí nada de mais, até porque a versão em inglês (distribuída para jornais e revistas de todo o mundo) da reportagem havia sido publicada mais cedo.
O problema é que num parágrafo em que citava Pedro Barusco dizendo sobre a corrupção na Petrobras ter iniciado em 1997, durante a gestão de FHC, ao seu fim havia um parêntese com uma sugestão bastante indigesta a qualquer leitor: “Podemos tirar se achar melhor”.
O texto, com o parêntese, foi distribuído para os principais portais online do Brasil. Os prints screens da reportagem com o tom humorístico sobre o erro logo correram o Brasil dando início à hashtag mencionada. Depois de alguns minutos, a Reuters se defendeu do erro e retirou o parêntese, deixando o parágrafo que prejudicava FHC no contexto da reportagem.

Outros fatos que ajudam a entender o que pode estar por trás da possível manipulação do conteúdo

Brian Winter, autor do texto, escreveu há alguns anos uma biografia de FHC em parceria com o ex-presidente chamada “O improvável presidente do Brasil”, o que por si só demonstra que os dois possuem boa relação. A tentativa de neutralizar as críticas ao governo FHC podem ter sido com a melhor das intenções, todavia, isto deixa a desejar aquilo que tanto sonhamos: a isenção de uma reportagem (se fosse um artigo de opinião ou um editorial, era direito o posicionamento).

Ora, se a Reuters gostaria de garantir a isenção, porque o parágrafo polêmico não foi publicado também no texto em inglês? É uma pergunta que não se cala, mesmo após as retratações feitas pela agência internacional.

Daí, vemos a grande importância de buscarmos sempre mais de uma fonte e, claro, sempre que possível, checar todo o contexto de um caso ao invés de tomar por base uma reportagem ou uma fala somente.

O #PodemosTirarSeAcharMelhor foi o engate que os militantes mais ativos da web encontraram para voltar a pedir a democratização das mídias a partir da edição de uma lei de mídias, por exemplo. Alguns mais extremistas seguem fazendo protestos e marcando manifestações contra a Rede Globo.

Todavia, como sabemos que não é com a ignorância que resolveremos o problema da desinformação no país, falta muito para chegarmos onde precisamos. O caminho passa, sim, pela reestruturação de veículos de imprensa (melhoria do jornalismo e das programações) e pela formação de novas fontes de notícias a partir da web, considerado um território livre, democrático e bastante seletivo a gosto do leitor, diferentemente da televisão que, ligada, obriga o telespectador a “engolir” o que lhe é transmitido, muitas vezes, sem tempo para observar que existia, na prática, ali um “podemos tirar se achar melhor”.

Leia mais. Busque mais informações. Seja mais atento. Cuidado com a Central de Boatarias (videhttps://www.facebook.com/brunocidadao/posts/328777497317628).


Informações de subsídio:

Hashtag no Twitter – https://twitter.com/search…

Versão em inglês da reportagem: http://www.reuters.com/…/us-brazil-politics-cardoso-idUSKBN…

Versão em português:http://br.reuters.com/a…/domesticNews/idBRKBN0MJ2B120150323…

Comentário sobre as versões: http://brasilianismo.blogosfera.uol.com.br/…/em-ingles-reu…/

Redenção da Reuters: http://www.cartacapital.com.br/…/podemos-tirar-se-achar-mel…

Livro de FHC e Winter: http://livraria.folha.com.br/…/improvavel-presidente-brasil…

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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