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12 DE JUNHO DE 2014: UM DIA MEMORÁVEL NUM RELATO INFORMAL

Ainda apreensivo quanto à violência nas manifestações do Brasil, acordei às 6h da manhã. De leve, agarrei meu celular e fui checar o que havia de informação nova desde às 2h da manhã – horário em que dormi.

De início, uma ótima notícia: os metroviários não pararam. Mais alguns toques e, de repente, notícias relacionadas à violência nas manifestações. Confesso que fiquei triste. No Rio, no entanto, nenhum saldo negativo: lindo! Professores e garis manifestaram com faixas em inglês: excelente.

Todavia, como a “bola da vez” era a estreia do Brasil, era preciso correr contra o tempo afinal havia vários compromissos a serem cumpridos.

Sem tomar café da manhã, organizei o cabeamento de som externo, realizei os testes e ajustei a imagem da TV para uma nova experiência de imagem em alta definição, afinal, um momento histórico merece uma imagem melhor.

Às 6h30 tudo estava pronto. De posse de uma escada, cola, tesoura, papel de seda, barbante, 10 litros de tinta, dois corantes, um rolo de pintura e dois pincéis, comecei a jornada que se estenderia até às 15h27.

Para início de conversa, comecei solitário ainda quando, do nada, meu irmão aparece na sacada do apartamento dizendo que iria me ajudar. Não recusei. Começamos a aprontar as bandeirinhas nas cores verde, amarelo e azul.

Em menos de duas horas, as bandeirinhas estavam esticadas embelezando um pouquinho a decoração que mais tarde viria a ser “diferente”.

Nesse meio tempo, iniciamos eu, meu irmão e meu pai a pintura dos meio-fios nas cores verde e amarelo. Um sol escaldante saía. Simultaneamente minha mãe organizava os afazeres do lar para se aprontar de vez para a abertura: lavando roupa, fazendo comida e ainda dando suporte quando necessário no mercado.

Alguns amigos passavam, buzinavam e acenavam. Outros apenas olhavam. Outros ainda criticavam nosso “gasto”.

Em pouco mais de quatro horas os quinze metros de meio-fios, de um lado e outro, estavam prontos. Era só o começo de um momento incrível, impensado, improvisado, real.

Parei um pouco, ainda sem café da manhã, para assar alguns pedaços de carne – picanha! Em uma hora, a carne estava pronta, toda assada. Enquanto meu pai e meu irmão comiam eu aproveitei para iniciar a escrita do chão.

Eu poderia ter escrito: “RUMO AO HEXA”, “BRASIL”, “COPA DO MUNDO”… Mas decidi escrever algo diferente, que chamou a atenção de quem passava. Pode não ser nada, mas a palavra “REDUZA” tem um efeito gigante: causa receio ou pelo menos preocupação.

Além de escrever “REDUZA”, escrevi “BUZINE”. O resultado: além de passar, acenar e gritar, as pessoas buzinavam. Gerou um efeito lindo, mas isso antes de eu começar a pintar as letras. É aqui que entra o momento genial.

Junto de meu irmão, eu havia pintado três letras da palavra “REDUZA”, até que, demarcado com cones o local para assegurar nossa integridade, algumas crianças apareceram. Sem serem chamados, por pura curiosidade.

Curiosidade?! Não, não foi curiosidade. Eles chegaram, pediram o rolinho de pintura e o pincel. Adivinhem! Eles terminaram de pintar todas as letras, com muita excelência, inclusive, coisa que eu não conseguiria fazer.

De repente, aqueles 15 metros pintados já não eram apenas mais 15 metros. Era um recanto de crianças, bicicletas, cornetas, apitos: pelo menos 10 crianças estavam ali. Os carros que passavam começaram a reduzir muito a velocidade e buzinarem, não para que as crianças saíssem da rua, mas comemorando ou parece que parabenizando-os por estarem pintando a rua.

A alegria estava solta. Com toda segurança, demarcação preventiva com cones, alguns engraçadinhos imprudentes resolviam passar em alta velocidade. Todos eles levavam uma salva de barulho: “apitaço”, “cornetaço”, “gritaço”.

Mas quem passava fazendo festa recebia o sorriso daquelas crianças.

Mais adiante, terminado o serviço, fiz jus a todos: pedi que escrevessem o nome quem tivesse ajudado a pintar a rua. E escreveram. E os seus nomes prevalecerão aqui até que o tempo apague a tinta, mas tenho a certeza de que todas as vezes que eles por aqui passarem se lembrarão de que, em um dia muito feliz, esqueceram das coisas que porventura os entristeciam para fazer arte e liberar a criatividade.

Mais tarde, pronto o serviço, tomamos juntos um bom refrigerante. Era quase 16h. Tomamos banho e fomos assistir ao jogo.

Uma abertura medíocre, mais uma peça da FIFA. Creio que eles vão aprender com o Brasil algumas coisas.

Alguns meios de comunicação começaram a avalanche de críticas. A mídia internacional está batendo forte. O ESPN está recriando o Brasil “Ladrão”. Vamos aguardar. Dilma vai cair nas pesquisas, mas eu acredito que a verdade vencerá a desinformação, assim como em 2002 a esperança venceu o medo.

Como anunciado, teve ‪#‎HinoÀCapela‬ e foi emocionante.

Teve gol pra deixar o Brasil de “cabelo em pé”. Mas também teve gol de garra, teve gol que veio de um pênalti inexistente e teve a consagração com Oscar, sozinho no meio de três, enfiando a bola no cantinho direito do goleiro da Croácia.

E, no momento do gol, àquelas crianças que haviam ajudado a pintar a rua já tinham contagiado outras e mais outras. Já andavam em grupo. E alguns não se conheciam: viraram amigos!

No final da noite, uma volta pela cidade para ver como se comportaram os torcedores no Centro da cidade. Não deu outra: falta de educação e sujeira. Nos bairros mais afastados, poucas manifestações de apoio à Seleção e, por consequência, ruas desertas e limpas.

No Parque de Exposições, o show dos namorados levou milhares de pessoas ao local. Henrique e Juliano se depararam com uma plateia predominantemente feminina. Eram cerca de, a cada 10 pessoas, 7 mulheres e 3 homens.

Fim de papo, fim de jogo, fim de dia. Início de Copa com sucesso!

É, o esporte une as pessoas. A arte também. O que faz continuar esta união é o amor.

Viva o Brasil! Sigamos em frente.

Essa é a ‪#‎CopadasCopas‬, mas deve ser também a ‪#‎CopaNaNossaCasa‬.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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