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A contradição sobre o voto dos evangélicos

Desde que os dados do Censo de 2010 diagnosticaram que os evangélicos são 22,2% da população brasileira, os candidatos começaram a preparar o “terreno” para conquistar os votos deste contingente de pessoas que professam a mesma fé.

O primeiro equívoco vem no rótulo dos evangélicos. As doutrinas – centenas – são diversas e os principais números estão nas chamadas “igrejas da bênção”, isto é, aquelas que ‘ofertam’ bênçãos sistematicamente por meio de pastores interpretando de forma ignorante a Bíblia e os ensinamentos de Cristo nela contidos. Por tal motivo, considerar os 42,3 milhões evangélicos como pertencentes a um mesmo grupo é um erro, já que a diversidade de pensamento é visível.

O segundo equívoco vem da concepção daquilo que os evangélicos defendem ou reprimem. Em tese, eles são contra a legalização do aborto, o casamento gay e a legalização das drogas, o que leva à serem taxados de conservadores de direita. Ora, se assim são, deveriam apoiar o candidato peessedebista Aécio Neves ou o conservador de extrema direita Pastor Everaldo, não?
As pesquisas, porém, demonstram o oposto. De acordo com as amostras interpretadas pelo Datafolha, a maioria dos evangélicos está com Dilma Rousseff e Marina Silva, ambas candidatas originárias de esquerda. Seria uma contradição do rótulo imposto aos evangélicos?

Se há tamanha diversidade de pensamento e de posicionamento político, não cabe mais dizer que “os evangélicos definirão as eleições deste ano”. Inclusive, é bom lembrar, que os estatutos da maioria das igrejas não permite que haja correlação entre candidatos e a Igreja, ou seja, não permite campanha dentro das igrejas. Os Batistas Brasileiros, por exemplo, são categóricos em relação à isso, não permitindo acenos políticos nas igrejas convencionadas.

Ao passo em que está, o segundo turno terá historicamente duas mulheres dividindo tempo igualitário de televisão, dividindo opiniões da sociedade brasileira, não pela fé dos candidatos, mas pelas propostas para o Brasil de amanhã, como deve ser.

Nesta disputa estará presente a continuação e a mudança, a engrenagem e a reconstrução. Seria prudente lançar mão de todas as conquistas sociais e trabalhistas dos últimos anos em face de uma nova política, ideológica e economicamente retrógrada?

Talvez não.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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