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A COPA, na visão de um nacionalista ou patriota, ou os dois!

PARTE I

Amanhã (12/06/2014), o mundo escreve mais uma página da história do futebol e consequentemente da política, com o singelo pseudônimo de Copa das Copas.

64 anos depois da Copa de 1950, no Brasil, que levou mais de 200 mil pessoas (173 mil na versão oficial, porém, catracas que registravam os números quebraram antes de todos passarem) ao Maracanã, na trágica final em que perdemos por 2 a 1 para o Uruguai, voltamos a sediar uma Copa.

O Brasil havia saído ileso das duas Grandes Guerras Mundiais, portanto, era o país que estava mais preparado para receber uma Copa, já que desde 1938 não havia Copa por causa da II Guerra Mundial que assolava a Europa.

Naquela época, os problemas maiores eram a situação política do país e a precária infraestrutura existente nas cidades que vinham crescendo com o êxodo rural. Getúlio Vargas havia voltado ao poder, depois de muitos anos longe dele. Voltou com o movimento intitulado Queremismo, onde a população “clamava” pela volta do ex-presidente do Estado Novo.

Economicamente, o Brasil estava crescendo. Investimentos estrangeiros, construção do arcabouço jurídico em fase de melhorias (CLT, Código Florestal, Código Penal, etc.), e, relativo aos investimentos para a Copa do Mundo de 1950, a construção do Estádio Independência (em Minas Gerais) e do Maior do Mundo, o Maracanã!

Mesmo assim, o clima de “já ganhou” provou mais uma vez que desfavorece os que contam a vitória antecipadamente. O Brasil se enlutou. O Uruguai nem comemorou.

Agora, 64 anos depois, o Brasil pode dizer que se amadureceu. Passou por uma ditadura militar, teve sua sede administrativa mudada para o Distrito Federal, inclusive uma capital planejada para tal, e agora vive um governo assistencialista pela primeira vez na história.

PARTE II

Então, acreditando que poderia manter acesa a paixão nacional pelo futebol, Lula reivindicou junto à Fifa o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014. O Brasil foi o país que, até hoje, teve mais tempo para planejar uma Copa do Mundo.

Depois de ter ganhado o pentacampeonato, o Brasil parou com a Seleção Brasileira em 2006. 2010 foi outro fracasso. E 2014?

Vamos deixar isso para mais adiante.

Desde 2007, quando a Fifa ratificou o Brasil a se preparar para a Copa de 2014, tivemos vários “abalos sísmicos” na estrutura político-cultural do Brasil. Celebramos o Panamericano de 2007, no Rio, que de legado deixou algumas obras. Passamos por uma crise financeira mundial, em 2009, sob a qual o Brasil foi protegido com a política econômica vigente. Em 2011, quebramos a cultura masculina do Poder Executivo Nacional, com a presença de Dilma, representando a maioria do país, isto é, as mulheres.

De repente, o Brasil acorda. “O gigante acordou”. Em junho de 2013, as Jornadas de Junho movimentaram milhões de pessoas nas capitais protestando. O foco: a corrupção. O meio: a presença das mídias internacionais durante a Copa das Confederações. O veículo: as redes sociais e a mídia colaborativa informal puxada pela Mídia NINJA.

O símbolo de paixão nacional pelo futebol é ofuscado por um povo que protesta infeliz com seus governos e com a Fifa. Algo de errado acontecia e o mundo enxergou isso como algo similar à Primavera Árabe.

Mas, a democracia é isso. Os autores da Constituição de 1988, promulgada por Ulysses Guimarães, já sabiam as cobras que estavam criando para mordê-los. Sim, cobras.

A democracia é a liberdade e o poder. E liberdade é como uma faca de dois gumes. Ora fere, ora mata, ora alisa, ora salva.

“O gigante dormiu”, alegraram-se os malfeitores da política nacional. Cuidado. A Copa vem aí, e com ela, os protestos, organizados, com propostas melhor embasadas e muita organização, principalmente dos sindicatos e comitês.

PARTE III

Se o Brasil teve tanto tempo para se preparar para a Copa do Mundo, por que algumas obras ainda não terminaram? Por que há movimentos grevistas? Por que estamos à beira de uma destruição total da imagem do Brasil perante o mundo?

Para os tantos porquês, não existe somente uma resposta. Aliás, as respostas não são tão simples assim. Há motivos para tudo isso, inclusive, o maior deles é a corrupção.

Voltemos à 1950.

64 anos atrás. O Brasil hoje tem muito mais eficiência política que antes. Tem uma economia melhor, tem um povo maior, tem mais cidades, mais escolas, mais hospitais, mais profissionais, etc.

No entanto, com uma estrutura gigante, com dimensões continentais, os problemas se multiplicam. É complicado.

Temos uma Copa, onde o ingrediente de qualidade não serão os estádios, as obras de suporte ao fluxo ou ainda a política nacional. O ingrediente de qualidade será a mensagem, dentro e fora dos gramados, que passaremos enquanto brasileiros.

Não é porque a maioria de nossos políticos tem histórico de corrupção que deveremos nos rebelar e quebrar tudo que é nosso, ou que é do outro.

Não é porque estou indignado com o “meu” Brasil, mesmo tendo carro novo na garagem, casa quitada, televisão nova, escola para os filhos, etc., que devo deixar de pintar minha rua, colocar a bandeira brasileira no carro, entre outras manifestações de torcida à Seleção, porque querendo ou não, ela não tem culpa alguma.

Mas, enfim, e 2014?

PARTE FINAL

Em 2014, os brasileiros darão dois passos rumo ao futuro.

Depois de se tornar o quarto país a sediar uma Copa do Mundo de Futebol pela segunda vez, vai terminar à “la jeitinho” de se preparar para as Olimpíadas de 2016, que acontecerão no Rio de Janeiro.

Mas, o segundo passo rumo ao futuro será a expectativa de um Brasil melhor: o voto no dia 5 de outubro.

Esse voto será decisivo.

E é neste voto que você vai depositar de vez a sua ideologia, e mais que isso, irá depositar a sua expectativa de um Brasil melhor.

Desta vez, não farei campanha neste post, pois o objetivo aqui é mostrar uma visão diante da Copa do Mundo.

Avante, Brasil, como patriotas ou como nacionalistas, mas não como ingratos.

A vitória está chegando.

O Brasil aprendeu com a Copa. E aprenderá mais ainda.

E como já dizia o saudoso Cazuza, “O Brasil vai ensinar o mundo | A convivência entre as raças preto, branco, judeu, palestino | Porque aqui não tem rancor | E há um jeitinho pra tudo”.

Vamos usar o jeitinho que damos para tudo, com exceção da morte, para dar amor a quem precisa e respeitar o que merece ser respeitado.

Vem que vai começar! A Copa do mundo é nossa!

O mundo vai aprender com o Brasil a ser alegre, protestar por melhorias pacificamente e a ignorar um protocolo que a Fifa estabeleceu: cantar apenas parte do Hino Nacional no início dos jogos.

Vamos mostrar que não se pode calar um estádio inteiro.

E as vaias vão ser lindas!

Nessa Copa, ‪#‎VaiTerCoro‬, ‪#‎VaiTerHinoCompleto‬, ‪#‎VaiTerHinoÀCapela‬!

Ai, ai, ai ai, ai ai ai
Está chegando a hora
Quinta já vem raiando, meu bem
Eu tenho que ir pra Copa!

Fiquem com Deus.

E vamos à torcida!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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