Categorias
Finanças Política

A crise chegou… Vamos crescer!

Em todos os lugares da cidade, comerciantes de todos os ramos reclamam da “crise financeira”, alimentando o pensamento de que nosso país está se afundando e logo estaremos na miséria. Salvando alguns mais realistas e outros poucos mais otimistas, grande maioria de nós reclama da crise como se ela fosse a culpada de tudo de ruim que estamos passando, o que não é verdade. A pior crise pela qual estamos passando não é a financeira. Trata-se de uma crise política, onde temos muitas variáveis e constantes a serem identificadas e entendidas antes de pensar em como combater tal crise.

O sacolejo político que o Brasil está vivendo com a operação Lava Jato (marco principal das operações da Polícia Federal em crimes de corrupção no país) é fundamental para essa crise, tanto em seu aspecto positivo quanto negativo. Poupados os comentários sobre exageros ou não e sobre a boa ou má característica da delação premiada, a operação é um verdadeiro esplendor de justiça para a sociedade brasileira. Executivos, mafiosos da arena política e funcionários da cúpula estatal estão sendo investigados, presos e logo serão julgados, desmontando um esquema que vem sendo aprimorado desde os primórdios da república (ou até mesmo da Independência monárquica, no caso da “corrupção institucional”). Apesar de tudo, o estrago midiático na imagem de todos os envolvidos (e até de quem não está envolvido) já está sendo feito, como uma espécie de prejulgamento.

De outro lado, existe uma vertente política engessada e politicamente conivente com a máquina da corrupção nas eleições: o financiamento empresarial de campanhas. Afetado por um corte bilionário de gastos, o governo se torna uma marionete do Legislativo, tendo que bancar emendas parlamentares altas e abaixando a guarda em questões essenciais para o desenvolvimento institucional. Para tentar coibir essa fraqueza institucional, o governo criou uma arma infalível, que já foi calada uma vez quando o Senado Federal derrubou a Política Nacional de Participação Social (PNPS). Agora temos a oportunidade de dar a contribuição para a melhoria do país a partir do Dialoga Brasil, uma plataforma que receberá propostas, sendo as mesmas votadas pelos próprios cidadãos-internautas e as importantes tornar-se-ão políticas de governo. Ao dar voz ao povo, o governo tenta extirpar a crise política do país, pois envolve o cidadão na discussão política e mostra, de verdade, quem são os malfeitores e quais os gargalos da nossa democracia.

Enquanto isso, manifestações pelo impeachment de Dilma Rousseff acontecem. Apesar de não haver nenhuma base jurídica para o mesmo até o momento, descartar o efeito vertiginoso de um processo de impeachment é deixar de imaginar o estrago que seria para o sistema democrático em que estamos. Mais ainda, é não perceber que um abalo sísmico na estrutura política do país pode fazer com que a tão falada crise financeira se torne um monstro de proporções irrecuperáveis.
Com os ministérios mais técnicos, mais alinhados ideologicamente com o plano de governo e com os anseios da população, é bem possível que Dilma termine o ano muito bem, com as contas sob controle e a instabilidade política acalmada. É possível, mas não é certo. O tempo é de instabilidade e, neste momento, a Chefe de Estado precisa muito mais que fazer acordos, ela precisa restaurar um sentimento de esperança numa Nação que tem pouca confiança na sua classe política.

Porém, de outro lado há uma operação policial que ainda revelará muitos malfeitos e, apesar de ser uma afirmação de justiça, deixará seus rastros na história política deste país. Espero que a História sinta-se à vontade para sempre avançar e não retroceder, como uma parte pequena da população do país defende a intervenção militar. A crise chegou? Chegou! Mas é enfrentando ela, da mesma forma que estamos enfrentando a crise financeira com inovação e muito trabalho, é que venceremos.

Embora exista uma crise no ar, existe um outro fator que não pode ser desprezado: a politização dos discursos. Estamos numa era em que as pessoas, a partir da internet, são capazes de ingerir mais informações e, a partir destas, formarem concepções acerca de vários assuntos. Infelizmente, ainda temos um grande caminho a trilhar, melhorando a educação e democratizando ainda mais o acesso à informação para, enfim, alcançarmos maior e melhor politização dos cidadãos, o caminho para um sistema mais participativo com decisões mais justas e sensatas. A crise é fator de crescimento. Aproveitemos!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

Comente! Aqui é o lugar!