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CENTRAL DE BOATARIA: UM SÍMBOLO DA DESINFORMAÇÃO

Trinta segundos após ter acordado, o celular vibra. É mais uma mensagem da “central de boataria”.

Bruno, você está ficando louco, o que é “central de boataria”?

Antes de qualquer coisa, usarei um artefato clássico que os inventores desta central utilizam: “Deu na Veja, vai passar no Jornal Nacional e a New York Times vai publicar nesta semana que o público da página Bruno Cidadão está crescendo”.

Sim, estou falando dos boatos transmitidos em todos os meios, principalmente, na internet, com o advento das redes sociais. Os boatos se espalham, convencem por um espaço de tempo e revelam um fato geralmente alarmante.

A “central de boataria” é um neologismo para a criação de boatos (falácias, inverdades, notas extraoficiais, documentos de falsidade ideológica entre outros) em massa. Isto é, boataria é a sucessão de boatos transmitidos, não necessariamente sobre o mesmo assunto, mas com a mesma finalidade: desinformação.

Como funciona este processo?

O propulsor dos boatos, no momento é o WhatsApp. Uma mensagem grande, com cerca de 600 caracteres em média é enviada a todo a agenda de um telefone celular. Esses que recebem, ao tomarem conhecimento da “informação” passada na mensagem a reproduzem para toda a sua agenda. Nesta ramificação, milhares são contatados e recebem a mensagem. Por falta de tempo ou interesse, muitos não conferem o teor do assunto e da mensagem em si, propagando a mensagem agora de forma verbal àqueles que têm e que não têm acesso às redes sociais.

Depois de todo este processo, o próximo passo é simples, basta que isso seja maturado no cérebro do indivíduo. O boato se espalha e fica “no ar” por alguns dias, tempo suficiente para demandar esforços gigantescos para desmentir o mal feito. Ao final de tudo, ninguém sabe, ninguém viu, ninguém conhece quem deu início ao boato.

Esse processo de desinformação se instalou de forma tão poderosa na nossa democracia que temos agora a probabilidade de perdê-la pela falta de conhecimento de alguns e principalmente pelo aproveitamento indevido de alguns outros, intencionados a criminalizar, anular e derrotar a política do país.

E os boatos, que se espalham da mais alta esfera do Executivo até a menor prefeitura do Brasil, desestruturam governos e além disso, golpeiam os debates verdadeiros. Neste processo, quem perde é só o receptor dos boatos que acredita fielmente no que lhe é passado, outrossim, fica preso à uma face absurda de um determinado momento ou situação.

A “central de boataria” tem que acabar. E ela só acabará quando o processo de informação for democratizado ainda mais, quando a reforma do sistema educacional e do sistema político ocorrer e quando as pessoas começarem a buscar a profundidade dos fatos.

Na próxima vez que receber uma mensagem sobre um fato supostamente importante e alarmante, cheque se é verdade. Pergunte a um amigo de confiança. Pesquise na internet. Nas supostas reportagens, procure por falas de pessoas e não somente pelas palavras do autor das reportagens. Quando tiver vídeo, assista ao vídeo inteiro ao invés de ler ou ver um resumo. Busque a profundidade do assunto. Tire suas próprias conclusões. Repudie quem espalha boatos não os propagando adiante. Revide com a verdade, sem ofender. Exponha o que sabe, discorde quando for necessário e concorde quando for legítimo. Se o boato for de ordem pessoal, procure autoridade competente para denunciar. Contribua para o fortalecimento da democracia e para expulsar de vez a “central de boatarias” de nossa democracia antes que ela acabe com este sistema que tanto demoramos para voltar a ter nos dando a liberdade de nos expressarmos, desde que embasados devidamente.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

0 resposta em “CENTRAL DE BOATARIA: UM SÍMBOLO DA DESINFORMAÇÃO”

O mais difícil é tentar convencer uma pessoa que aquilo não é verdadeiro, elas preferem acreditar numa simples mensagem que veio de alguém que eles talvez nem conheçam direito.

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