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Delvito Alves em dois anos

Delvito Alves da Silva Filho, prefeito de Unaí-MG, assumiu a Prefeitura com 49,88% dos votos nas eleições de 2012. Depois de pedir publicamente seis meses para ‘arrumar a casa’, o prefeito encontrou outros gargalos a serem sanados de imediato e até hoje não colocou em prática boa parte de seus planos de campanha e pós-campanha. Na visão do prefeito, organizar a gestão pública e adotar um choque de gestão no erário municipal é a melhor saída para enfrentar os problemas e anseios do povo com maior disposição.
Até aqui, o prefeito se destacou por cuidar respeitosamente da zona rural do município, cumprindo com o auxílio das verbas estaduais viabilizadas pelos deputados Dilzon Melo e Rodrigo de Castro, o compromisso de entregar tratores e recuperar as estradas. Faltam alguns tratores e algumas estradas para terminar antes que as chuvas se estabeleçam com maior intensidade.
A limpeza da cidade parece ter ficado melhor também, embora só tenha mudado a empresa que cuidava da limpeza e coleta de lixo urbana. Fator decisivo foi a nomeação do subsecretário, Jó Corrêa, que assumiu a área de limpeza urbana, determinado a realizar um bom trabalho e plantar sua candidatura para vereador em 2016. O trânsito passou por melhorias inegáveis, mas que ainda não são satisfatórias. O Saae vive uma fase de ‘vacas gordas’, porém, sem ações maiores. Falta uma postura mais corajosa e incisiva do diretor da autarquia, Petrônio Valadares, para dar início a obras que mudarão a história de Unaí.
Nas ruas da cidade, Delvito publicitou muito o tapa-buracos usado em 2013, mas descontinuou seu uso nos últimos meses. O progresso, ainda que sob força de uma legislação federal, chega com o asfalto que liga o bairro Cachoeira ao frigorífico da cidade, numa obra que dispende qualidade no serviço, afinal cruza uma serra e está próxima à Cachoeira do Rio Preto, ponto turístico.
Para a educação, Delvito não cumpriu o pagamento do piso salarial aos professores, que prometeu em 2012 no calor da campanha. No entanto, o diálogo com a classe parece estar muito bem conceituado, o que favorece a expectativa do cumprimento do compromisso até o final do mandato.
Foi na saúde que Delvito mais investiu seus esforços. Além de criar a Central de Regulação e a Fundação Municipal de Saúde, exonerou Andréa Machado (vereadora e esposa de Zé da Estrada) por suspeitas de má gestão da saúde municipal. Na prática, segundo suspeitas, Andréia dava privilégios a determinadas pessoas, prejudicando outras que aguardavam horas e mais horas no Pronto Atendimento, além de também viabilizar exames e cirurgias ignorando as listas de espera existentes no SUS. Delvito também decidiu tentar implantar a humanização do atendimento em saúde, além de tentar também o Protocolo de Manchester, ainda sem sucesso.
Nenhum governante será perfeito, muito menos Delvito Alves. Há um caminho muito longo a trilhar, e na área de gestão pública, o caminho é mais pernicioso, duradouro e estreito, mas com determinação, coragem e admissão dos riscos, pode se chegar até o fim com êxito. Delvito, com a definitiva sentença de inelegibilidade de Antério Mânica (ex-prefeito que era cotado a disputar em 2016), deverá tentar a reeleição contra Thiago Martins ou Branquinho (ambos nomes de oposição, sendo o primeiro mais cotado).
O que a população unaiense realmente espera é que Delvito não caia no ‘profissionalismo político-eleitoreiro’ que nossa democracia vive em que o governante realiza um montante “inesquecível” de obras e ações num curto período de tempo para angariar votos, mas sem qualidade, sem o devido planejamento e, o pior, sem o foco onde deve estar: nas pessoas.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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