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Dilma: atitudes que precisávamos, mas não queríamos nem acreditávamos

Dilma Rousseff, eleita por mais de 54 milhões de brasileiros – incluindo eu -, recebe de todos os lados críticas ferrenhas. E não é pra menos, o novo governo da estadista mostrou que veio para colocar o Brasil “na linha do crescimento”, como declarou o ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

Mas, se o Brasil pode crescer e voltar a ter um PIB forte na América Latina, o que faz com que Dilma receba tantas críticas e cause até mesmo um clima de insegurança partidária? Justamente as promessas de campanha dela, “continuarei a fazer as reformas e mudanças que o Brasil precisa”.

Reeleita, Dilma se mostrou indolor com o povo que lhe elegeu, a classe trabalhadora deste país. As Medidas Provisórias que alteram direitos como pensão e seguro-desemprego foram um “golpe”, como afirmou a revista Carta Capital em uma edição há dias.

Antes de as medidas impopulares serem anunciadas, a minha célebre concidadã e ex-professora Cássia Migliorança Brandão, me questionou sobre isso. À época, minimizei os efeitos, e o faço novamente na defesa da manutenção da nossa Previdência Social.

Contudo, vamos ao cerne da questão: as medidas anunciadas vão surtir efeito?

Imediato, sim. A longo prazo, talvez. Temos uma inserção diária de pessoas na Previdência Social do país e a qualidade dos trabalhos não é boa. O seguro-desemprego tem um “plano B” sugerido por Dilma, a redução da carência de 18 meses para 12 meses. A pensão, acredito eu, que vai na dianteira de um país que quer equiparar as pessoas pela educação e não pela renda, fazendo com que as pensões deixem de ser vitalícias.

O corte de Dilma no orçamento do próprio governo foi grande, alcançando números que sacrificam determinadas áreas, mas não as debilitam. Por exemplo, o número de pastas ministeriais continua o mesmo, ao contrário do que sugerem a maioria dos gestores de oposição.

O Brasil precisa forçar um recuo nas contas públicas, mas tem um porém: a dívida pública. Com a alta dos juros pelo Banco Central (medida importante para retomar a confiança do mercado), o governo atira em si próprio. Lidar com a dívida pública para pagá-la é muito importante e isto motivou a contratação de Levy para a pasta mais importante do Governo Central, a Fazenda. Nelson Barbosa, ministro de Planejamento, também foi um acerto.

A condução da economia do país está em boas mãos. As medidas impopulares doem, mas são necessárias. Como defensor de um Brasil melhor e não de um país maquiado, é hora de aceitar a realidade de que precisamos melhorar a gestão pública, financeira e conceitualmente.

Eu, como servidor do IBGE, tenho visto que a ordem é gastar menos e fazer sempre mais com o que já se tem. O corte no orçamento atinge nosso trabalho, mas não o debilita, apenas nos força à inovação e a reciclagem de nossos métodos de trabalho. E isto viria, com Dilma, com Marina ou com Aécio. Veio com Dilma, ainda que muitos não esperavam.

Ainda é muito cedo para falar. Estamos vivendo a maior seca dos últimos anos, que tem comprometido regiões estratégicas do desenvolvimento agrário, tecnológico e industrial de nosso país. No ambiente externo, temos um Banco Central Europeu colocando dinheiro no mercado, na contramão de nós. Temos uma ameaça iminente de terrorismo por parte do Estado Islâmico e uma frente militar ingerente por parte dos Estados Unidos.

E quanto à Lava Jato, que investigue-se, corrija-se, devolva-se e puna-se. Que isto seja um fomento para a ‪#‎ReformaPolítica‬.

Se fosse para dar nota, Dilma levaria um oito. Seus ministros, seis. O governo novo, como um todo, cinco. Vamos para frente, trabalhando e lutando por reformas essenciais, otimistas para ver o Brasil crescendo. Vem muita coisa nova por aí.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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