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Eleições disputadas e o futuro

Nos últimos dias, chegamos ao cúmulo do ridículo na campanha dos dois presidenciáveis à República.
De um lado, Dilma arregimentando várias comparações e ajuizando decisões sobre Aécio.
De outro, Aécio encontrando no deboche a forma mais eficaz de confrontar Dilma.

Fato é que os debates se tornaram arenas onde as pessoas se reúnem para ver dois candidatos se desrespeitando um ao outro e se tornando repetitivos. Lamentável!
Corrupção, salário, educação, saúde, segurança, corrupção, salário… Quanta repetição!
Essa forma arcaica de debater enche a paciência do eleitor, mas por outro lado, promove humor, dissemina ódio e, sobretudo, a necessidade da existência de um candidato “do mal” e outro “do bem”.

Precisamos mudar esta realidade. Debater sobre previdência social, controle climático, ampliação de programas de desburocratização, dívida pública, controle midiático, sistema político, sistema carcerário, votação de leis vetadas, redução dos gargalos da máquina pública, distribuição de energia e água, saneamento básico, evolução da ciência e tecnologia, fomento à sustentabilidade, etc. Há um problema, isso é difícil de explicar e causa nós na cabeça do telespectador se for explicado sem consciência. Por isso, para falar sobre isso os candidatos precisam ter feito ou estudado isso.
Retomo o pensamento de um conhecido, “nas nossas eleições, ao invés de escolhermos em quem votar, escolhemos em quem não votar”.
E, de fato, isto tem acontecido.

Diante da última semana, abro um espaço para comentar sobre dois casos ligados ao resultado de nossas eleições.
A reportagem de Veja que mostra um trecho do suposto depoimento do doleiro da Petrobrás foi mais uma vez, manobra eleitoreira. Além de confessar que a reportagem foi escrita sem provas, a publicação ‘excepcional e adiantada’ na quarta das últimas cinco eleições prova o uso eleitoral da maior revista do Grupo Abril.
Fugindo à isso, Veja demonstra que quer Dilma fora do Poder. Nada contra, mas com reportagens não reais (sem apresentação de provas) é uma afronta ao povo brasileiro, ao sistema democrático e ao processo eleitoral.
Mas vamos ao segundo fator, desta vez, intimamente ligado ao PT. Enquanto transitava pela sala de minha casa, ouvi o âncora do Jornal Hoje, da TV Globo, informar sobre o ataque à sede da Veja.
Passei a mão sobre minha cabeça e imaginei que aquilo poderia ser uma reprise do anarquismo proposto pelos Black Bocs no segundo semestre do ano passado contra a Globo e a Abril. Mas não era.
O descontrole dos socialistas da UJS foi demais. E o pior, fontes afirmam que haviam militantes do PT. Sinceramente, eles passaram dos limites. Devem ser investigados e punidos, como quaisquer outros.
A liberdade de imprensa não pode ser ameaçada de maneira alguma. É lamentável uma ação dessas.

Por estes motivos, a atual campanha terminará com um saldo feio e negativo. Muita gente foi exposta ao ridículo, massacrada e linchada midiaticamente em face de programas políticos. A chamada “desconstrução”, a meu ver, não é uma prática de honestidade.

Se Aécio perder a eleição, todos saberemos que haverão vários processos contra o TSE acusando de burlarem as urnas.
Se Dilma perder a eleição, já sabemos a ferrenha oposição que será feita no Congresso e sobretudo, a indignação contra a Grande Mídia.

É fato que todos os fatores acima descritos podem ter influenciado, mas é fato também que quem perder a campanha perderá para si mesmo.
Ou para a arrogância ou para a indiscutível soberba.
Amanhã, os brasileiros vão às urnas. Parte significativa votará em branco ou anulará o seu voto. Outros não farão questão de se deslocar e justificarão.
Todavia, a maior parte irá votar na esperança de um Brasil melhor. Por enquanto, Aécio lidera as pesquisas que acertaram no primeiro turno, mas em compensação, o número de indecisos também está considerável.
Numa eventual repetição do que ocorreu no primeiro turno, Aécio
vencerá com pelo menos 56% dos votos.

Estarei consciente de que fiz a minha parte, sem terrorismo, com a verdade e enfrentando as adversidades de fazer uma campanha numa cidade onde defender o voto em Dilma Rousseff soa como ser demonizado, fazer o mal ou até mesmo ser inconsciente. A manifestação dos eleitores aecistas é massiva e a tentativa de sufocar a minha escolha é ainda maior.

Nunca fui para um debate de calúnias, injúrias nem mesmo de deturpação do candidato adversário – tanto no primeiro como no segundo turno. Faltaram com o respeito e sobretudo, espalharam boatos para inviabilizar um debate claro, simples e decisivo no voto.
Aos poucos que conversei, debati e aprendi, agradeço a atenção. A alguns poucos que me deram a oportunidade de debater de forma mais profunda, assinalo aqui a minha gratidão.

A participação no processo eleitoral começa na investigação da vida pregressa do candidato e só termina depois da execução e fiscalização do mandato do eleito. É um ciclo que só termina na morte, porque o futuro depende de escolhas e as escolhas se encontram em nossas mãos.

Por fim, esta campanha – a mais acirrada da democracia – reuniu
para si diversos coeficientes de natureza maligna, incluindo uma campanha horrenda onde os candidatos privilegiaram as ‘farpas’ às propostas.

Esse clima, esse afã, me fez passar dos limites em determinados momentos. Me fez investir muito tempo no conhecimento político-eleitoral, porque eu sabia que esta seria uma das mais duras campanhas que o Brasil já teria visto.

Me preparei previamente, enfrentando opiniões opostas, sobretudo.
Amanhã, espero juntamente com milhões de brasileiros, ver que 50% dos brasileiros mais eu escolheram a continuidade de Dilma Rousseff no poder para continuar mudando o Brasil, consolidar o processo de revolução social e pacífica e eliminar de vez alguns dos piores gargalos do dinheiro público.

Na confiança de que Deus escolherá, através de nós, o nosso representante nos próximos quatro anos, agradeço à Ele por ter me possibilitado viver de forma plena nos dias atuais, sendo agraciado diariamente pelo doce da vida, pelo carinho das pessoas e pelo reconhecimento da verdade.

Que façamos o nosso melhor nas urnas e deixemos no poder àquela que tanto fez pelo povo brasileiro.

Bom voto a todos!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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