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Espiritualidade

Graça e Salvação, uma questão além de nós

Há quem acredite. Há quem não acredite. Há quem tenha sérias dúvidas. Existe salvação? Existe vida após a morte física?

Como cristão, sou convicto de que haverá, sim, uma vida após a nossa morte física. Ora, esta vida porém, será eterna. Há, basicamente, dois “lugares” para se estar após a morte. Um é no céu, outro é o inferno. Descrições sobre estes lugares à parte, hoje o tema é Graça e Salvação, portanto, vamos aos pontos importantes.

O que é graça? De acordo com o dicionário Aurélio, graça é “favor, perdão, benevolência, dom sobrenatural”. Alguns outros dicionários trazem ainda a seguinte definição “favor imerecido”.

E o que é salvação? Mais uma vez de acordo com o Aurélio, salvação é “ação ou efeito de salvar; ato de se libertar; redenção; felicidade, contentamento infinito e eterno obtido após a morte”.

De posse das duas definições podemos agora passar para o contexto bíblico. Três perguntas básicas precisam ser feitas: eu preciso de salvação? Quem pode me salvar? Como eu consigo a salvação?

Para a primeira pergunta, alguns textos bíblicos elucidam a necessidade de salvação e para quem ela é direcionada. “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus; sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus” (Romanos 3:23,24). “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram. Porque antes da lei já estava o pecado no mundo, mas onde não há lei o pecado não é levado em conta” (Romanos 5:12,13). O pecado traz separação, separação está que só é quebrada na reconciliação através de Jesus Cristo.

E Cristo não somente morreu por nós, como morreu quando nós não merecíamos. Ainda continuamos a não merecer, diga-se de passagem, o sacrifício dele ali na cruz. “Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano. O qual, quando o injuriavam, não injuriava, e quando padecia não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente; Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. Porque éreis como ovelhas desgarradas; mas agora tendes voltado ao Pastor e Bispo das vossas almas” (1 Pedro 2:21-25). Por isso a salvação é pela graça, ou seja, não a merecemos.

Para a segunda pergunta, é fato que poucas dúvidas existem. Mas perguntar “quem pode me salvar?” é importante para saber a que tipo de Evangelho você dá a confiança, a que tipo de fé você confia e em que tipo de mensagem você acredita. Muitas doutrinas vendem a fé cristã como sendo uma prisão, uma escravidão, mas o próprio Cristo diz que quem nele está já não é mais servo, mas amigo, pois participa dos planos e é íntimo de Deus. “Vocês serão meus amigos, se fizerem o que eu lhes ordeno. Já não os chamo servos, porque o servo não sabe o que o seu senhor faz. Em vez disso, eu os tenho chamado amigos, porque tudo o que ouvi de meu Pai eu lhes tornei conhecido” (João 15:14,15). Mas apenas Cristo é o caminho, único e verdadeiro. “Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho? Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (João 14:5,6).

Para a terceira pergunta, temos que entender o “processo” simples e de fácil entendimento para a salvação. São quatro etapas, cuja ordem acontece de forma automática e depende unicamente de quem deseja a salvação.

Primeiro se ouve o Evangelho de Cristo (a boa nova que conduz o pecador a conhecer o que Deus deseja para a vida dele e então, automaticamente, há uma reflexão acerca da necessidade da salvação, isto é, da reconciliação com Deus por meio do Jesus Cristo pregado no Evangelho). A própria Bíblia Sagrada diz que “[…] a fé vem por ouvir a mensagem, e a mensagem é ouvida mediante a palavra de Cristo” (Romanos 10:17).

Após ouvir a mensagem de Cristo, existe um confronto espiritual interno. Quem ouve tem duas opções: dizer ‘sim’ para Cristo e reconhecê-lo como Senhor e Salvador de sua vida e assim ser salvo pela fé ou dizer ‘não’ e continuar procedendo sem a reconciliação com Cristo. Não necessariamente esse confronto acontece após uma pregação numa igreja, por exemplo. Pode acontecer em qualquer lugar e, até mesmo, sozinha enquanto lê a Bíblia a pessoa pode sentir-se na necessidade de realizar essa decisão. Portanto, esta é uma decisão pessoal, crer ou não é uma decisão pessoal.

Decidido a crer na mensagem do Evangelho, o resultado disso é a mudança. Começa pelo marco pessoal de confessar os pecados e decidir a iniciar uma nova vida. “Se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer em seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo. Pois com o coração se crê para justiça, e com a boca se confessa para salvação” (Romanos 10:9,10).

A terceira etapa é a consequência da decisão na segunda etapa. Ninguém pode obrigar a pessoa a “confessar seus pecados”. A própria pessoa sente essa necessidade ao ouvir e entender a mensagem do Evangelho de Cristo. Se o que a pessoa ouviu ou leu não tocou suficientemente para que a pessoa despertasse de sua natureza pecadora, algo há de errado e, geralmente, está no teor, interpretação e anunciação do Evangelho e não na pessoa que recebe a mensagem. Nesta terceira etapa, a pessoa já é considerada uma nova criatura.

“Por isso daqui por diante a ninguém conhecemos segundo a carne; e, ainda que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, contudo agora já não o conhecemos desse modo. Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação; pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação” (2ª Coríntios 5:16-19).

Para finalizar, depois de já possuir a salvação pela fé e receber o Espírito Santo, a reconciliação entre Deus e o homem, existe um quarto passo que é a profissão de fé pública, ou seja, é a afirmação de que você tornou-se uma nova pessoa após conhecer Jesus Cristo e reconhecê-lo como Senhor e Salvador. Conhecer mais da Bíblia, conhecer mais a fundo a fé e o livro-manual da fé cristã é necessário para viver uma vida de acordo com a vontade de Deus. Isso precisa ser algo contínuo e, com certeza, uma igreja que em sua doutrina seja fiel à Bíblia e aos ensinamentos nela contidos ajudará bastante no crescimento espiritual desse novo homem ou nova mulher.

Com isso, é razoável dizer que a fé cristã não é cara para a aceitação, mas é cara sim para sua manutenção. Manter a fé cristã em integridade é seguir os ensinamentos de Cristo que, confrontam com a opinião e, sobretudo, a natureza humana. Mas assim sendo, a recompensa para aqueles que buscam integralmente a Cristo é a salvação, esta que é eterna.

O encontro com Cristo (com seu Evangelho) produz uma mudança imediata e irreversível no ser humano. O pecado continua na nossa vida, infelizmente. A diferença é que ele agora não mais satisfaz, mas é cada vez mais impedido de existir. O Espírito Santo foi deixado a nós, humanos, para que tenhamos da parte de Deus o auxílio e direção.

Estudo aplicado na reunião de 18/05/2015 do Grupo de Oração Universitária do IFTM Paracatu, “Semeadores da Palavra de Deus”.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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