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“MINEIRAZZO”, COPA DAS COPAS, ORGULHO, “A CULPA” E “A LIÇÃO”

Este texto é um relato informal do intitulado “vexame histórico” ocorrido hoje no Mineirão. Se puder, deixe seu comentário, inclusive se não concordar!!!

Antes de mais nada, hoje foi um dia normal até as 17h. Tudo foi igual.
Eu tomei banho, me aprontei com a bermuda e camiseta, varri a calçada, coloquei o CD com as músicas-tema da nossa Copa, o companheiro Marco Pozza passou e buzinou, aprontei minha bandeira e cantei juntamente com a Seleção toda a primeira parte do Hino Nacional.
Isso não é superstição, já aviso. É apenas uma série (não na mesma ordem) de coisas que faço, de formas diferentes ou não, antes dos jogos, por conveniência e necessidade.

MINEIRAZZO
O Brasil jogou mal, desestabilizado e tecnicamente desarrumado. A Alemanha veio no oposto, compacta, rápida e oportunista. Chegou e fez o que fez. Uma análise honesta e isenta encontrei no site Esporte Candango, feita pelo jornalista Jânio Gomes, com quem tive a honra de trabalhar: http://goo.gl/3K3Efd
O Maracanazzo de 1950 se repetiu no Mineirão, contra a Seleção que nos viu conquistar o Penta. Terrível! Os gols aí estão:http://goo.gl/oJY5Mp
A torcida, por sua vez, fez bonito e feio, mas prefiro exaltar a parte bela aos xingamentos desnecessários direcionados ao Fred e à presidente Dilma. A torcida fez bonito ao parabenizar a Alemanha, ao gritar no final que tinha orgulho de ser brasileira, mesmo com o “chocolate” de 7 a 1 numa semifinal em casa e ao aplaudir o time de Felipão que se reuniu no meio do campo.
Acreditar no “Mineirazzo” não é fácil. Não havia convicção de que o Brasil ganharia, mas nunca se esperava isso, uma goleada. A mídia vai retratar isso com muita clareza nas páginas da história futebolística com as chamadas garrafais dos jornais e sites, como fez a Folha de S. Paulo.http://goo.gl/CC0nr0
Retratando meu sentimento logo após o jogo, enviei um e-mail à uma pessoa muito querida e assim escrevi:
“[…]Em 2014, o Brasil não ganha mais a Copa do Mundo.
Tudo se desenhava bem, mas a “Neymardependência” e a técnica de posicionamento inadequada levou o Brasil à um chocolate. Justo, por sinal.
Este foi o primeiro jogo em que o árbitro não falhou. Foi o primeiro jogo em que o Neymar não jogou. E foi o primeiro jogo que o Brasil perdeu por 7 a 1 na história das Copas do Mundo.
Eu não fiquei triste pelo “chocolate”, mas pela derrota. Quando o David Luiz disse que “só queria ver esse povo sofrido feliz”, lembrei-me de você. As lágrimas internamente se mexeram e logo, logo, farei uma publicação no Facebook, como a que fiz no dia 12 de junho.
Se alguém vier lhe dizer que o Brasil jogou bem, discorde. O Brasil só jogou bem no segundo tempo, quando a derrota já estava instaurada.
Se alguém vier lhe dizer que foi uma derrota injusta, discorde. O Brasil jogou tão mal no primeiro tempo que parecia aqueles amistosos entre Cruzeiro e Unaí, ou melhor, entre meu irmão e eu na calçada de casa.
Desta vez, tenho a alegria de dizer que participei de uma Copa do Mundo onde os jogadores fizeram a sua parte, a torcida e eu também. A torcida fez bonito, aplaudindo o bom futebol da Alemanha.
Nosso caminho é escrito por Deus. Não sei o que isso nos trará de bom, mas tenho a certeza de algo de bom nos acontecerá por isso, principalmente para aprendizado da nação.
A verdade é que fizemos a Copa das Copas, no sentido literal. A copa dos recordes, inclusive os negativos para o Brasil. […]”

COPA DAS COPAS
A Copa do Mundo 2014 ainda não acabou. Todavia, os quatro dias que se sucederão serão de lágrimas e muita conversa com a psicóloga da Seleção Brasileira para aguentar jogar a disputa pelo terceiro lugar e quem sabe, contra a sua maior arquirrival, a Argentina.
A Copa das Copas existiu. Nunca um país havia isentado a Fifa de impostos bilionários, nunca os turistas tinham se divertido tanto, nunca os estádios de uma Copa foram construídos em tão pouco tempo, nunca se teve tamanha derrota de um anfitrião, ainda mais quando se fala em Seleção Brasileira de Futebol de Campo, a Pentacampeã mundial.
O legado desta Copa vai ficar, bom e ruim. Lamento muito que alguns ainda não enxerguem o lado bom. Por favor, não quebrem nada. Voltem às ruas, se necessário, durante as campanhas eleitorais, e promovam de vez uma mudança no Brasil. Eu espero participar da ‪#‎EleiçãodasEleições‬de forma ativa, contribuindo para o futuro do país que amo.
De uma vez por todas, caiu a tese de que a Copa havia sido comprada. Caiu também a tese de que o Brasil era o país do futebol e do carnaval, apenas. Caiu também o título do maior artilheiro das Copas do Mundo – Ronaldo -, para o alemão Miroslav Klose.
Nunca um país na história do futebol mundial jogou todas as Copas, exceto o Brasil. Nunca ninguém foi penta, senão o Brasil. Nunca ninguém jogou tão alegremente como o Brasil. A hegemonia continua, mas mais uma vez, uma derrota em casa sacramenta a comoção da torcida nacional, 64 anos depois.
Aliás, o Brasil é o único país do mundo onde qualquer criança sabe “bater bola”, nem que seja apenas no quintal de casa ou no videogame.

ORGULHO
“A esperança morre comigo”. Desde o primeiro até o último minuto de jogo permaneci confiante, como sempre. “Empurrei”, simbolicamente, o time com minha torcida. Vibrei no gol de Oscar, no final, lamentei todos os gols da Alemanha e me emocionei com as palavras de Júlio César e David Luiz.
Passeando pelo Twitter, vi uma postagem interessante: “O Brasil perder é ruim, mas vergonha mesmo é para quem torce contra”.
Assim como os milhares de torcedores que estavam no estádio e cantaram, mesmo ao final do jogo desolador, o velho coro “eu sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”, me senti arrepiado e repeti o mesmo, em voz baixa, já sendo tolhido por críticos que, desde o primeiro gol da Alemanha, começaram a exaltar as “remelas dos olhos” de nossa Seleção.
Pintei minha rua e me preparei para torcer, não me arrependo em momento algum. O sentimento de patriotismo não é uma paixão ilógica, mas lógica. Não é intolerância, mas respeito e admiração por pessoas que fazem o que eu não consigo fazer, que fazem exemplarmente aquilo que sei muito mal fazer. A paixão pelo futebol está na cultura, na minha formação. Veja a postagem fatídica do dia 12 de junho, início da Copa do Mundo: http://goo.gl/4lB8GO
Nos dias 12 e 28/06 enviei SMS para todos os meus contatos no celular, propondo uma “Copa interna”, um sentimento novo de fazer mais e melhor sempre, a começar pelo amor ao próximo. Muitos me responderam, outros não. No final desta Copa, redigirei outro SMS e os enviarei novamente, com a certeza de que completarei meu dever enquanto torcedor brasileiro.
Se me perguntarem: “O que você fará na próxima Copa, caso o Brasil participe?”, irei responder com toda a certeza que repetirei meus preparativos, porque quero aproveitar este momento para promover um sentimento de renovação do amor para meus próximos, mas mais que isso, quero transmitir esta mensagem de esperança à quem já está desacreditado da vida.
Eles são craques e já choraram muito hoje. Falar deles é clichê, portanto, deixo as entrevistas dos dois maiores jogadores desta Seleção nesta campanha, seguidos do Neymar. http://goo.gl/m96QJQ ehttp://goo.gl/q6ZxKt

“A CULPA”
Não coloquem a culpa nem no Neymar, nem no Felipão, nem nos 14 jogadores que estiveram em campo, nem mesmo no Mick Jagger, nem mesmo nos “pessimistas”. Não coloquem a culpa sobre ninguém.
A Alemanha jogou melhor e o Brasil estava despreparado. Felipão assumiu a culpa que lhe cabe, os jogadores representados por Júlio César também. Mostramos, dentro de campo, que nosso futebol é bom e respeitoso, mas que infelizmente hoje não jogamos nada bem.
Os tensos momentos de Cafu e José Maria Marin são uma vergonha, mas também podem ser explicados pela fúria da derrota. Que esta confusão não esteja alimentada.
SEMEADORES DO ÓDIO, DA DISCÓRDIA, DA VIRA-LATICE E DO PESSIMISMO, por favor, poupem aqueles que fizeram milhares de famílias se juntarem para assistir a jogos, que fizeram milhões de pessoas alegres por um tempo com um gol, que fizeram por minutos alguém fazer as pazes com outrem com um aperto de mão, um abraço ou um beijo.
Criticar é aceitável. Retratar os erros é o trabalho da imprensa. Procurar alguém para culpar é idiotice. Todos já sabem quais foram as falhas e os responsáveis assumiram as falhas, dentro de campo e sob as câmeras. Felipão foi genuinamente líder ao receber cada jogador após o apito final e reuni-los para dizer “a responsabilidade é minha”, ou seja, “a culpa é minha”. Veja a entrevista coletiva do treinador: http://goo.gl/PLAJvL
Vamos ouvir nos próximos dias um monte de “se Neymar, se Felipão, se…” e de “mas”, todavia, ignorem e sejam verdadeiros, justos, compreensíveis e honestos para aceitar as críticas e os “tapas” que levarão.

“A LIÇÃO”
Eu acredito que a nossa derrota, assim como se fosse uma vitória, tem um fundo de aprendizado. Talvez mais que um fundo.
Precisamos aprender, isto é fato.
Vamos vencer daqui pra frente várias outras barreiras.
Precisamos escolher com cautela nossos representantes nas próximas eleições e não podemos colocar nossa confiança em apenas um ídolo. Precisamos analisar o conjunto e fazer as alterações certas, se convier.
Nunca se esqueçam de arriscar tudo, fazerem o necessário e irem além. Amem a vocês mesmos e aos seus próximos. Sejam compreensivos e justos.

Além disso, quero ressaltar aqui a importância da espiritualidade na vida dos jogadores desta Seleção. O Deus a quem eu sirvo é o mesmo que muitos deles professam e, não é por isso, que quando falo “se Deus quiser” devo ficar triste “se Deus não quiser”, porque tudo que acontece tem um fundo de proveito para nós.

Por fim, deixo a recomendação de que não desesperem, pois a esperança, alegria, força para reinventar e principalmente a capacidade em se reerguer como a fênix, temos por natureza.

Finalizo com três citações. A primeira é de Cazuza, na música “O Brasil vai ensinar o mundo”, a segunda é uma passagem bíblica situada no livro de 1ª Pedro, capítulo 4, versículos 11, 12 e 13 e última, uma frase minha que retrata bem a “caixinha” de hoje.

“O Brasil vai ensinar o mundo / A convivência entre as raças / preto, branco, judeu, palestino / Porque aqui não tem rancor / E há um jeitinho pra tudo […] / A arte de viver sem guerra / E, apesar de tudo, ser alegre / Respeitar o seu irmão / O Brasil tem que aprender com o mundo / E o Brasil vai ensinar ao mundo / O mundo vai aprender com o Brasil / O Brasil tem que aprender com o mundo / A ser menos preguiçoso / A respeitar as leis / Eles têm que aprender a ser alegres / E a conversar mais com Deus” – http://goo.gl/9yGnSd

“Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém. Amados, não estranheis a ardente prova que vem sobre vós para vos tentar, como se coisa estranha vos acontecesse; Mas alegrai-vos no fato de serdes participantes das aflições de Cristo, para que também na revelação da sua glória vos regozijeis e alegreis.” –http://goo.gl/yF1gRU

“A vida é uma caixinha de surpresas onde cada dia é um presente que pode ou não ser agradável, mas que no final sempre nos leva ao aprendizado.” – http://goo.gl/AIsnKf

Fiquem com Deus.
Avante Brasil, sempre!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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