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MOVIMENTOS ORGANIZADOS DE 2014 X MOVIMENTOS ESPONTÂNEOS DE 2013

Uma análise simples, clara e bastante explanativa das manifestações que ocorreram, que estão ocorrendo e que ocorrerão nos próximos dias.

Pode parecer que não, mas os protestos de hoje estão mais fortes que os do ano passado. A verdade é que um povo unido pode vencer, mas um povo unido e organizado já tem a vitória.

O planejamento não é uma exigência apenas para as empresas, muito pelo contrário, até os protestos precisaram amadurecer. A geração que emergiu das redes sociais para “mudar o país” encontrou sérios problemas com a desorganização, amplitude e divergências nos anseios da massa.

Agora, exatamente um ano depois, às vésperas do maior evento de futebol do mundo, o movimento ressurge com duas novas características: o sindicalismo e o direcionamento.

Outro exemplo de que o movimento de agora tem dimensões esperadas foi que, em 2013, a mídia, os governos e a população das cidades em que não ocorreram protestos demoraram a entender o real significado das manifestações, bem como os anseios dos manifestantes e o “pano de fundo” que irritava a maioria dos manifestantes em todo o país.

Agora, se conhece a dimensão, se sabe que os protestos aumentarão de tamanho. E, ao contrário do que os anarquistas pregavam, ‪#‎VaiTerCopa‬, sim.

Os metroviários deram início ao que pode se chamar de novo ciclo grevista do país. A Polícia Federal foi o primeiro setor atendido antes mesmo de parar: ameaçou parar na Copa e recebeu 15,8% de aumento no salário.

O novo ciclo grevista inclui uma luta antiga: a dos profissionais de educação. Apenas 5 das 27 unidades federativas do Brasil cumprem o piso salarial nacional e Minas Gerais é um dos estados que não cumpre a legislação.

Além de professores, profissionais de limpeza urbana (garis e motoristas), trabalhadores da agricultura familiar integrantes do Movimento Sem-Terra (MST), integrantes da Força Sindical, etc.

Todavia, assusta é o movimento aliado ao Comitê Popular da Copa, o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, que diferente do MST, é um movimento de luta especialmente urbano. Em tempos de desocupações forçadas, a agitação ganhou força nas capitais que sediarão os jogos da Copa do Mundo.

Do lado oeste e norte do Brasil, os indígenas começam a se movimentar. E têm razão. A maioria dos povos indígenas tem vivido conflitos de terra e é a parte mais fraca – os índios – que sempre perdem. Nas negociações com os latifundiários, o poder financeiro tem se sobreposto ao interesse constitucional previsto, de proteger os nativos.

Esse movimento articulado foi, por outra ótica, uma aposta dos líderes para afastar a repressão dos protestos e, com um caráter mais pontual e formal, serem mais eficazes. “Protestar contra a Copa é muito difuso, é preciso pontuar sobre o quê da Copa que precisamos protestar”, disse um manifestante que esteve nas Jornadas de 2013, que preferiu não se identificar.

Assustaria pouco as greves se o país não estivesse sendo governado por um partido trabalhista. Há algo de errado. E se Dilma desejar continuar no governo terá que se portar diante dos movimentos trabalhistas neste mês. E terá que se portar sendo verdadeira, e cedendo sempre.

Antes se protestava contra tudo e todos os políticos, agora se protesta contra um determinado problema, um determinado político, uma determinada organização, um determinado evento, uma determinada lei.

E, nessa atmosfera abrasiva, apreensiva e esparsa, o Brasil vai receber milhares de turistas estrangeiros, vai gerar um fluxo migratório interno grandioso, irá gerar um lucro de aproximadamente R$ 4 bilhões para Fifa e, por fim, terá um embate, nos bastidores, entre os candidatos das próximas eleições que já demonstram ser uma das mais disputadas e, de quebra, uma eleição presidencial onde há porcentagem significativa de pessoas indecisas quanto ao seus candidatos.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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