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O perigo do discurso de ódio

Numa segunda-feira calma, enquanto andava pela calçada de uma grande rua de minha cidade notei que havia um carro com um adesivo diferente. Era um carro branco, aparentemente novo, que custa em torno de 180 mil reais, com adesivos alusivos à Aécio e com alguns adesivos no para-choque.
Os adesivos, em vermelho, contrastaram com o branco do veículo e me chamou a atenção. Passei mais perto para compreender o que diziam. Foi aí que notei o que significava e tomei nota mental disto. Os adesivos repudiavam Dilma, o PT e Lula. No caso de Dilma e do PT, estava muito bem detalhado, mas Lula era representado por uma mão com um dedo a menos.
Não fotografei o veículo e também não o vi depois outra vez. Talvez era de outra cidade. Pensei um pouco mais e, ao longo de uma semana e meia, refleti acerca disso. O resultado dessa reflexão está contido no texto abaixo.

Estamos vivendo um tempo de divergências políticas, econômicas e principalmente culturais. O Brasil, por ser um país de grande amplitude geográfica e ampla diversidade cultural, é beneficiado por ter muitas ideias, muitas diferenças e ao mesmo tempo muitos conflitos provocados pela diversidade.

Disciplinas fundamentais para entender o funcionamento da estrutura política nacional foram abolidas nas escolas, provocando uma grande fissura no poder de compreensão da atual geração. São jovens que chegam ao primeiro voto sem saber o que fazem os três poderes ou ainda jovens que se dizem revoltados por causa da desinformação.

O ódio, porém, tem ganhado força como em países mais velhos e mais ricos na Europa, Ásia e América do Norte. É gente estuprando mulheres, maltratando idosos, fazendo apologia a drogas e ao crime. O ódio desenvolvido pelo ser humano, porém, parece estar cada vez mais presente no brasileiro. Por aqui, já vimos o ódio em uma escola do Rio com um jovem revoltado atirando, já vimos o ódio pelas mãos daqueles que amarraram um jovem num poste, vimos também o ódio representado no maníaco de Goiânia, entre outros casos.

Todavia, há um tipo de ódio que vem sendo desenvolvido por nós há cerca de 80 anos e ele tem chegado ao nível mais alto agora. 80 anos?! Sim, desde a época do presidente Getúlio Vargas até agora com Dilma. E olha que Vargas não aguentou a pressão e se suicidou.

O ódio tem palavras-chaves declaradas: “fora corruPTos”, “fora incomPTentes”, “fora PT”, “fora Lula”, “fora PTralha”, “fora DiLLma e leve o PT embora”. Ora, pois, o que eles fizeram pelo Brasil para merecer ódio? Aos olhos da grande mídia, parece que algo. Aos olhos daqueles que querem o PT destituído do poder, tudo. Aos meus olhos, nada.

O problema na situação está justamente nos dois sujeitos acima, a grande mídia e os que querem o PT fora do poder, não somente pela falta de clareza da mídia em relação à sua linha editorial, mas pela falta de informações mostradas ao segundo sujeito em questão.

“O Lula roubou, a Dilma não fez nada”, insistem muitos que querem o PT fora do poder. Os casos de corrupção denunciados, é fato, foram superiores a qualquer outro governo nos últimos 20 anos. Mas, apenas parte deles foram comprovados e se estiveram à luz da população foi porque foram criados mecanismos de observação e fiscalização dos servidores públicos, sejam parlamentares, executivos, judiciários ou o corpo técnico.

Antes de dizer que o governo do PT foi o pior do Brasil, relembre duas coisas. A primeira é que foram criados mecanismos de combate à corrupção e medidas pró-fiscalização dos entes governamentais (Controladoria-Geral da União, Portal da Transparência, Lei de Acesso à Informação, Comissão da Verdade e plenos poderes à Polícia Federal para fiscalização e punição dos culpados por crimes na esfera federal). A segunda é que nem Dilma nem Lula estiveram envolvidos em nenhum escândalo de corrupção, nenhum mesmo, mas membros da alta cúpula do partido deles, sim.

Se você não se convenceu de que o governo do PT fez alguma coisa pelo Brasil, lhe recomendo acessar este site: http://www.mudamais.com. Ele irá te esclarecer, com dados, todos os avanços dos doze anos do governo Lula e Dilma e te fornecer informações que lhe ajudarão na escolha do seu candidato daqui em diante. Mas não pare aí. Ouça, veja e leia todos os programas dos candidatos à presidência.

Por último, gostaria de colocar em ciência que precisamos aprender a lidar com as propostas dos partidos que por sua vez são representados pelos candidatos. Estamos invertendo a ordem, criticando duramente a pessoa do candidato e não o plano de governo que seu partido defende e ele, por sua vez, apenas representa.

Geralmente, temos a noção disso quando ouvimos os outros dizerem que “o candidato tal quer privatizar a Petrobras”. Na verdade, o candidato apenas representa o plano de governo que o partido discutiu e propôs como o melhor para o país.

Por isso é tão importante quanto observar a ética do candidato como de seu partido e dos partidos aliados, pois quando o governo for posto em prática, quem realmente vai afetar a sua vida não será o candidato eleito, mas as políticas lideradas por ele, planejadas pelos partidos e efetivamente implantadas por meio dos “braços” (secretarias, ministérios, órgãos) dirigidos por outros membros designados pelo partido do candidato eleito.

Dentro de alguns dias disponibilizarei os comentários acerca dos planos de governo dos quatro principais candidatos à Presidência da República. Aproveite para olhar também os documentos que eu disponibilizarei.

Por fim, quero deixar um pensamento com vocês: “o discurso de ódio reflete nossa incapacidade de reconhecer que somos humanos e também erramos”.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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