Categorias
Espiritualidade Posicionamentos

Por que Deus existe?

Ao que tudo indica, a existência de um ser invisível é produto de uma fé, isto é, de uma crença. Mas, se assim o é, por que há razões para Deus existir?

A primeira resposta para esta pergunta está na criação do mundo. De onde viemos? Como o universo pôde existir? Qual a origem de tudo?

Para isso, precisamos entender o que é fé. “Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos” (Hebreus 11:1-2).

Muitas são as perguntas e a vontade de esgotar suas respostas é tanta que faz com que nações invistam bons recursos em pesquisas sobre a origem terrestre. E isso é bom. Isso é História. Isso ajuda a saber que a Terra não é quadrada, mas redonda; que não somos o único nem maior planeta do Universo; faz saber quão imenso e desconhecido é o universo. Tudo isso faz parte da sede por conhecimento que o homem alimenta desde sua existência.

Muitas pessoas acreditam que pelo único motivo de não ter como provar a criação do mundo por um ser sobrenatural é premissa para que esse ser não exista. É um argumento, mas que vai na contramão da falta de explicações ‘científicas’ sobre o começo do nosso mundo.

Ora, se o Big Bang existiu, quem o realizou? Não é admissível que o todo seja criado do nada sem nada e com tamanha perfeição. Organismos aquáticos, animais de todas as espécies, plantas e nós. Tudo feito de forma minuciosa.

John Locke, citado por Reale & Antiseri (2005) confere que “[…] por certeza intuitiva, o homem sabe que o puro nada não produz um ser real mais do que não posso ser igual a dois ângulos retos. […] nós sabemos que há algum ser real e que o não-ente não pode produzir um ser real, essa é a demonstração evidente de que algo existe desde a eternidade” (REALE; ANTISERI, 2005, p.93).

O filósofo ainda vai mais fundo e abrange a racionalidade. “[…] conhecemos que há um Deus com mais certeza do que existe qualquer outra coisa fora de nós” (LOCKE apud REALE; ANTISERI, 2005, p.103).

O livro de Gênesis retrata com profundidade a criação. “No princípio Deus criou os céus e a terra” (Gênesis 1:1).

Mas, apesar dessas dúvidas que persistem, é importante notarmos a profundidade da questão. Ora, se esse ser é espiritual, divino e superpoderoso, seu acesso é somente através da fé. A própria Bíblia Sagrada conclui sobre isso em Hebreus 11:6, “sem fé é impossível agradar [conhecer] a Deus, pois quem d’Ele se aproxima precisa crer que Ele existe e que recompensa aqueles que o buscam”.

Quando se fala de Deus, de quem falamos?

Fala-se de um Ser onipotente (que tem todo poder), onisciente (que sabe de tudo, que conhece a todos) e onipresente (que está em todo lugar). Fala-se de um Ser que não tem oposto (Satanás ou Diabo não é o oposto de Deus). “Tu governas sobre todos os reinos do mundo. Força e poder estão em tuas mãos, e ninguém pode opor-se a ti” (2 Crônicas 20:6b).

Mas como se pode falar de alguém que não se vê? Simples, testemunho e fé. Testemunho significa que alguém falou. Fé significa que quem crê na existência de um Deus já provou-a através de singularidades próprias.

Na antiguidade, nossos antepassados provaram pela fé, a existência de um Deus Pai. Num passado mais recente (há cerca de 2000 anos), as pessoas provaram a existência de um Deus Filho cujo nome foi Jesus Cristo. E agora, em pleno século XXI, provamos a existência de Deus por meio do Espírito Santo, o Consolador, que evidencia em cada um a obediência aos ensinamentos de Jesus Cristo. Logo, se há uma entidade espiritual e invisível, é impossível que a fé genuína seja um show.

A fé genuína necessita, para que os outros creiam no Ser em que se acredita, ser efetiva, isto é, prover ações que demonstrem isso. O discípulo Tiago escreve no capítulo 2 de sua carta: “De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso a fé pode salvá-lo? Se um irmão ou irmã estiver necessitando de roupas e do alimento de cada dia e um de vocês lhe disser: “Vá em paz, aqueça-se e alimente-se até satisfazer-se”, sem porém lhe dar nada, de que adianta isso? Assim também a fé, por si só, se não for acompanhada de obras, está morta” (Tiago 2:14-17).

E, se Deus existe, por que muitas pessoas não creem n’Ele?

Há, em síntese, quatro motivos para que as pessoas possam não crer em Deus.

O primeiro é não conhecer a Deus. Para se conhecer a Deus é preciso dar esta liberdade de conhecer o que é espiritual, é deixar um pouco de lado o ceticismo e crer. Jesus, num diálogo com mestres da Lei (que, em tese, deveriam conhecer a fundo Deus) expressa uma frase que pode ser conduzida neste sentido. “Vocês estão enganados! Pois não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus!” (Marcos 12:24b).

O segundo motivo é pessoal. Vai de acordo com a vida pregressa da pessoa. Muitas interpretações, a bagagem cultural, traumas, perdas, sofrimentos, decepções, cultura familiar, enfim, tudo isso influencia na descrença em Deus. Afinal, é muito lógico que uma criança que cresça num lar ateu vá professar que Deus não existe e o mesmo acontece quando filhos de famílias cristãs são induzidos aos costumes cristãos. Existe uma influência grandiosa que interfere na crença ou não de que Deus existe.

O terceiro motivo que as pessoas podem ter para afirmar que Deus não existe ou pelo menos não crer na existência de um ser espiritual é a rebeldia. Àqueles que conhecem a Deus, mas decidiram pela rebeldia, são considerados loucos. Afinal, se nos foi dada a liberdade, a rebeldia é uma opção, ainda que não seja apropriada. “Portanto, a ira de Deus é revelada do céu contra toda impiedade e injustiça dos homens que suprimem a verdade pela injustiça, pois o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles, porque Deus lhes manifestou. Pois desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, seu eterno poder e sua natureza divina, têm sido vistos claramente, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de forma que tais homens são indesculpáveis; porque, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe renderam graças, mas os seus pensamentos tornaram-se fúteis e os seus corações insensatos se obscureceram. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos; […] Tornaram-se cheios de toda sorte de injustiça, maldade, ganância e depravação. Estão cheios de inveja, homicídio, rivalidades, engano e malícia. São bisbilhoteiros, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, arrogantes e presunçosos; inventam maneiras de praticar o mal; desobedecem a seus pais;
são insensatos, desleais, sem amor pela família, implacáveis. Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que as pessoas que praticam tais coisas merecem a morte, não somente continuam a praticá-las, mas também aprovam aqueles que as praticam” (Romanos 1:18-22; 29-32)

E o quarto e provavelmente mais aceitável – e comum – é a causa de um cristianismo que se deteriora à medida que substitui a Bíblia Sagrada pelas interpretações megafônicas e midiáticas de fundamentalistas, se tornando uma referência imprópria para outras pessoas. A verdade é que muitos cristãos não se parecem com o Deus que professam. Enquanto dizem que Deus é amor, não amam. Enquanto dizem que Deus é fiel, não honram com sua própria fidelidade. Enquanto gritam que Cristo morreu por nós, tomam as mesmas atitudes daqueles que crucificaram – e zombaram – de Cristo.

É neste importante ponto que se estaca um importante alerta, o da necessidade de dizermos o que fazemos e fazermos o que dizemos. Isso se resume a integridade. Paulo, escrevendo aos Romanos, executa uma pergunta profunda que pode ser refeita nos dias de hoje: “Você, que se orgulha na lei, desonra a Deus, desobedecendo à lei? Como está escrito: ‘O nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês'” (Romanos 2:23-24).

Quer queiramos ou não, Deus existindo ou não, algumas pessoas não se importarão. Mas, se a palavra d’Aquele que acreditamos nos incita uma missão única de pregar o Evangelho à todas as nações, devemos nos esforçar para fazê-lo, não somente por palavras, mas sobretudo, por ações.

Se você acredita que Deus existe, procure se perguntar diariamente quem é esse Deus e se você está obedecendo às regras expressas no livro que Ele inspirou para nos ensinar.

Se você não acredita, dê-se a chance de conhecer esse ser sobrenatural que, por amor a todos nós (crentes e descrentes), deu a vida do seu único filho para nos salvar de uma eternidade de castigo pelos tantos erros que cometemos nesta Terra.

Por fim, Efésios 4:4-6 reflete o poderio de Deus nas nossas vidas. “Há um só corpo e um só Espírito, assim como a esperança para a qual vocês foram chamados é uma só; há um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai de todos, que é sobre todos, por meio de todos e em todos”.

E se você ainda acredita que não merece o amor de Deus, confira isso. “Pois o amor de Cristo nos constrange, porque estamos convencidos de que um morreu por todos; logo, todos morreram. E ele morreu por todos para que aqueles que vivem já não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou” (2ª Coríntios 5:14-15).

E antes que alguém venha lhe dizer sobre a “religião certa” (lembrando que religião não é o mesmo que denominação, leia isso: “A religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tiago 1:27).

Reflitamos sobre isso para nossas vidas.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

Comente! Aqui é o lugar!