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POR QUE O CETICISMO PODE VIRAR DOGMATISMO NA POLÍTICA?

Depois de muito tempo sem publicar algo, volto a trazer um tema relativo à política nacional. A pergunta que intitula este texto traz uma reflexão sobre o perigo que corremos por desconfiar de tudo que está evidente e tornar isso em dogmatismo, ou seja, confiar que há uma verdade absoluta, mesmo que sem a observância de provas.

A presidente Dilma Rousseff, em seus programas de televisão, adotou uma postura propositiva no primeiro turno. No segundo turno, com um confronto da polarização PT-PSDB novamente e, claro, dois planos de governo com características e focos distintos, a situação mudou.

A pauta, porém, continua sempre a mesma para todas as esferas governamentais: combate à corrupção, saúde, segurança, educação, mobilidade urbana e controle da inflação.

Ouvi alguém justificando o voto no Aécio Neves com a seguinte frase: “eu vou votar no Aécio porque o desemprego aumentou, a inflação subiu”.

Logo, pensei: de onde ele tirou isso? Não há lógica para falar de algo que os dados comprovam justamente o contrário. (vide final do texto)

Então, partamos para o real objetivo deste texto.

O dicionário Priberam crava que o ceticismo é a “disposição para duvidar de tudo; a descrença”. Ora, se é assim, o ceticismo é algo bom! Sim, mas desde que ele não ultrapasse a razão e a inteligência humana.

Afinal, quão desagradável seria, por exemplo, apresentar provas de inocência a um juiz e ele ignorá-las em razão do ceticismo e sentenciar a privação da liberdade sem sua mínima culpa.

As redes sociais como o Facebook e o WhatsApp se tornaram grandes aliadas dos céticos porque possibilitam que as pessoas prestem um desserviço ao próximo, espalhando boatos e mentiras infundadas que, muitas vezes, pela falta de tempo do usuário, são replicadas.

O dogmatismo, por sua vez, segundo o dicionário Priberam, é o “ponto fundamental e indiscutível de uma crença; verdade absoluta”. O dogmatismo está presente principalmente naqueles que gostam das generalizações “todo político é ladrão”, “política não presta”, “não existe ninguém honesto na política”, “todos os governos são ruins”, “quem recebe bolsa família não trabalha”, etc.

O dogmatismo é o acreditar em tudo. O dogmatismo é o ato de, mesmo que não haja motivos, razões ou que todos os dados e fatos provam o contrário, acreditar em algo. O dogmatismo se fundamenta na expressão “viseira do cavalo”, que o obriga a olhar tão e somente para o que se apresenta em sua frente – e até para o que, muitas vezes, nem se apresenta.

Agora é um tempo oportuno para discutir a política nacional e seus rumos, mas ainda há muitos que se fecham a uma única visão ou a uma única defesa, muitas vezes sem razão ou por mera sensação de inerência. Futebol, política e religião se discute, sim. O problema de quem não discute esses temas, em especial a política, é que acaba sendo convencido por quem discute, porque a maior arma de qualquer debate ou discussão não são os ataques ou as defesas, mas os argumentos, principalmente os propositivos.

O último caso que alarmou o Brasil fruto de uma tempestade midiática que foi reforçada pelas ‘correntes’ nas redes sociais acabou finalizando ontem, o vírus Ebola no Brasil. Os jornais estampavam o medo da contaminação no país sem aguardar o resultado dos exames e quando o ministro da Saúde, Arthur Chioro, afirmou que esperaria o segundo exame para ter certeza, a tempestade iniciou com manchetes de jornais expondo números considerados pelos jornais como “preocupantes” de – pasmem – uma pessoa com suspeita – não é infecção comprovada, é suspeita – de Ebola. Esqueceram (com exceção da BBC Brasil) de informar que o Brasil ampliou a ajuda ao continente africano para tentar conter o vírus.

Estamos acostumados a propagar as ideias, as convicções e as conclusões parciais que a Grande Mídia tem feito sobre o atual governo federal. Não há uma guerra, mas há uma pergunta cética que ronda as redações diariamente: “como é que um operário e uma mulher que nunca tinha sido candidata a nada souberam fazer mais em 12 anos que todos os presidentes após a ditadura juntos?”;

Essa pergunta não é a única, mas é a principal. Por outro lado, há uma certa convicção de que alguém vai perder se a Coligação Com a Força do Povo ganhar de novo. Talvez seria melhor substituir o “perder” por “deixar de ganhar”, sob uma ótica mais realista e humana. Eu só tenho uma única certeza: o povo trabalhador brasileiro vai ganhar.

Quer saber a verdade sobre tudo que ocorre no país? Acesse várias fontes de notícias. Sugiro Carta Capital, G1, BBC Brasil, Estadão, Rede Brasil Atual e, claro, os blogs independentes. Contraste as informações e tente encontrar sempre, nas reportagens, as provas razoáveis para o juízo sobre alguma situação.

Portanto, não podemos ser céticos a ponto de desprezar fatos e dados nem dogmáticos a ponto de confiar em tudo que escutamos, vemos ou até mesmo presenciamos sob uma única ótica. O jornalismo requer a avaliação dos dois lados de qualquer situação por um simples motivo que Shakespeare em seu glorioso ‘O Menestrel’ já registrava, “por mais delicada que seja uma situação, sempre existem dois lados”.


Informações de comprovação:

Por que apoiar Dilma? – http://goo.gl/WTMvY0

Sobre o desemprego: http://goo.gl/jhUwUT e http://goo.gl/H2zbR0
Sobre a inflação: http://goo.gl/2aX9Ed e http://goo.gl/NF9U85
Sobre a ajuda do Brasil à África: http://goo.gl/7ISr7J
Sobre o Bolsa Família: http://goo.gl/6NI62O
Ebola: http://goo.gl/ioXrZO

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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