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Por que os deputados que você pouco conhece querem o seu voto?

Unaí-MG, polo do agronegócio mineiro e, cidade que cresce a níveis contundentes. Dezenas de candidatos estão nas ruas por meio de panfletos, bandeiras, bottons, adesivos e carros de som em busca de seu voto. Mas, afinal, quem são esses que pouco conhecem a nossa cidade, mas que decidiram fazer uma campanha pesada no Noroeste de Minas Gerais e por que têm este interesse?
Por motivos meramente políticos, os candidatos aparecem ‘à francesa’, devagar e com muito cuidado. As aparições começam em inaugurações de obras públicas, depois no envio de verbas e depois a colaboração da mídia é fundamental para tornar conhecidos nomes como Antônio Lerin, Edson Moreira, Dilzon Melo, Paulo Abi-Ackel, Rodrigo de Castro, Arquimedes, Dinis Pinheiro, entre outros.

As aparições

Arquimedes, ex-prefeito da cidade vizinha de Paracatu-MG, resolveu aparecer ao lado daquele que pode ser o candidato unaiense mais bem votado, Thiago Martins. A “dobradinha” é uma articulação das forças políticas do ex-prefeito de Unaí, Antério Mânica, e do atual prefeito de Paracatu, Olavo Condé.
Sob o nome de Antônio Lerin (PSB), foi liberada uma verba para início da construção do Hospital do Câncer do Noroeste Mineiro. A obra, no entanto, nem deu sinais de início.
Sob o nome de Dilzon Melo (PTB), foi entregue um ônibus do Programa Caminhos da Escola. O Programa, porém, é uma iniciativa do governo federal. O Centro Socioeducativo de Unaí também foi entregue com suas honras, mas se tratava de um projeto em execução no governo de Minas Gerais.
Já sob a alcunha de Rodrigo de Castro (PSDB), os R$ 87 milhões (pacote de obras) anunciados por Delvito Alves. O pacote, porém, engloba muitos recursos já previstos pelo governo do Estado sem a intervenção da Câmara de Deputados.
Edson Moreira (PTN), conhecido nacionalmente por ser o delegado que cuidou do caso “Eliza Samúdio” envolvendo o ex-goleiro do Flamengo, Bruno, aproveitou a exposição para se colocar no cenário político estadual. Em setembro de 2013, concedeu uma entrevista inesperada para a Rádio Veredas 98FM em Unaí.
Até então, não existia motivo para tal entrevista, mas hoje faz sentido, depois de ter sido eleito vereador de Belo Horizonte e agora disputar uma vaga na Câmara de Deputados Federais. Outro fator que pode ter sido decisivo na importância de buscar votos em Unaí foi, segundo fontes, sua esposa ser proprietária de um restaurante na cidade.
Sob o mérito de Paulo Abi-Ackel está a promessa de incluir o município de Unaí no Fundo do Centro Oeste (FCO). O problema está em a proposta não ter sido aprovada e a promessa, antiga, continuar em pauta sem expectativas de cumprimento.
Dinis Pinheiro (PP), até então presidente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), começou seu trajeto por Unaí ainda no ano passado. Algumas visitas, a prestação de contas da ALMG e depois o Fórum de Promoção pela Paz Escolar (Forpaz). Entrevistas nos meios de comunicação locais e, de repente, o deputado formaliza sua candidatura como vice-governador do Estado.

Potencial de votos

O município de Unaí tem 58.204 eleitores e Paracatu soma 61.891 eleitores aptos a votar nesta eleição. O potencial real de mais de 100 mil votos fez crescer o interesse dos candidatos sobre estas duas cidades e diferente do que ocorre no cenário nacional, não há uma polarização entre PT-PSDB. São vários candidatos de frentes ideológicas partidárias iguais, mas com apoios contrários, ou seja, quem realmente quer derrotar o outro não é o candidato em si, mas o grupo político que o apoia ou o patrocina.
Alcançar o prestígio dos eleitores do Noroeste Mineiro ajuda a reduzir o desnível de votos da região central de Minas com o Norte e Noroeste, onde as políticas públicas chegam com mais lentidão ou nem chegam. Por tais motivos é muito importante que os candidatos preparem “o terreno” antes para pedirem votos depois.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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