Categorias
Comportamento

Preconceito: é preciso anulá-lo!

Um tema delicado. Na sociedade atual, temos convivido com diversos abusos de personalidade e poder. Assim como também temos convivido numa era em que a alta sensibilidade causa discussões infindáveis. Mas até que ponto é preconceito?

De acordo com o dicionário Priberam, preconceito é “ideia ou conceito formado antecipadamente e sem fundamento sério ou imparcial; intolerância; estado de abusão, cegueira moral; superstição”.

Agora, partindo do fato de que o preconceito é algo que existe e está presente na sociedade, é preciso entender o que é o preconceito na prática. Algumas frases que, dependendo da situação, podem ser interpretadas como preconceituosas: “volta pra senzala, preto”, “isso é trabalho pra mulher”, “homem de verdade não lava vasilha”, “tudo que é brasileiro não presta”, “gay tem que morrer”, “todos os evangélicos são intolerantes”, “políticos são todos corruptos”, “afrodescendentes são do ‘Diabo'”, “quem tem Down é abobalhado”, “unaiense tem que pastar”. E tantas outras frases que ouvimos e deixamos passar despercebidas, sem corrigir o emissor, sem pensar no efeito que isso pode gerar para o afetado.

Mas, e se fosse com você? E se você fosse o negro, a mulher, o evangélico, o político, o portador de Síndrome de Down, o unaiense? Como se sentiria? É certeza que não se sentiria bem e gostaria muito de ter a oportunidade para mostrar o valor que você tem e desfazer o conceito previamente formado por outra pessoa.

Esse tipo de preconceito precisa ser combatido todos os dias. Começa em casa. Depois na escola. Depois nos grupos sociais. Começa com a primeira advertência, quando ao ver o filho xingando alguém, os pais o chamarem à parte e o advertirem a não repetir isso, mostrando-o como igual ao afetado. Na escola, a coibição desse tipo de preconceito precisa ser forte. E nada mais eficaz que a diversidade. Escola é lugar de levar gente de todo tipo, mostrar diferentes realidades e comparar ideias e valores.

Certamente, o filho bem educado, doutrinado em princípios, conhecerá melhor o mundo e saberá valorizar bem o outro conhecendo-o na escola ao invés de estranhar o diferente nas “estradas da vida”. Nos grupos sociais (clubes, grupos religiosos e outras aglomerações afins), a repressão a todo tipo de preconceito precisa ser constante para evitar que futuramente crie-se a cultura da intolerância ao diferente no próprio grupo.
Para tanto, é preciso anular o preconceito de nossas vidas.

Muitas vezes, o preconceito está tão arraigado em nós que nos desculpamos com a frase “eu fui criado assim”. O fato é que as palavras não ajudam se não vierem acompanhadas de atitudes. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém nem de nada, mas é preciso respeitar o gosto do outro, desde que, claro, este gosto não seja ofensivo ao direito do outro.

A melhor receita contra o preconceito é aquela que você mesmo usa. Porque não adianta um esforço tremendo e custoso dos governos para combater o ódio e o preconceito enquanto as pessoas não estiverem dispostas a mudar. Certamente, se existe preconceito até com o amor, que é o sentimento/ação mais belo da face da terra, não existirá preconceito que mate? Então, é hora de começar a mudar. Não se trata de uma questão política somente, mas humana. É preciso analisar, à luz daquilo que você acredita, se o outro, o seu par, o seu “irmão” humano está sendo prejudicado, se ele está sofrendo, se ele está sendo bem valorizado e se há algum vestígio de preconceito que o debilite.

Por último, o enfrentamento ao preconceito começa no plano individual. Comece conhecendo-se a si mesmo, desfazendo-se de todo o preconceito próprio, com sua vida, com seu estado financeiro, com sua família, com seu cabelo, enfim, desfaça o preconceito que você possui em relação a si mesmo. Comece chamando o negro para sentar-se ao seu lado e participar da sua vida. Comece chamando o pobre para comer à sua mesa. Comece sentando com o hippie na grama. Comece tratando o conservador com respeito. Comece chamando o universitário para dentro das instituições políticas [universitários têm, em sua maioria, ideias estupendas para o futuro do país]. Comece ouvindo o jovem e seus sonhos para o país. Com o preconceito não se brinca, se neutraliza, se combate e anula-o.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

Comente! Aqui é o lugar!