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Quando o respeito está nas palavras e não nas ações…

Nesta semana, enquanto eu aguardava numa fila de quatro pessoas para ser atendido e reapresentar um cheque, observei necessariamente algumas ações de um senhor de aparentes quarenta anos, de uma senhora idosa e de uma jovem.

Primeiro, a jovem que estava na minha frente estava resolvendo um problema quanto à sua pensão. Sua vida era trágica: perdeu os pais enquanto criança e morava com a avó, que também faleceu. Resultado: juntou-se com um parceiro e moram numa casa a sós, sob tutela da tia. Por ela ser pensionista, a condição de “casada” a emanciparia e, por sua vez, eliminaria sua pensão, dizia a tia que a acompanhava. Eu não conheço a vida dessas pessoas, mas posso afirmar com certeza que eles não estão sendo honestos consigo mesmos, pois estão recebendo um recurso que, por lei, se estivessem civilmente regulares, não receberiam pela plena capacidade de trabalhar e, sobretudo, por já possuírem emancipação cível e penal.

Por conseguinte, uma senhora que estava duas posições atrás de mim aguardava ansiosa por seu atendimento. Neste meio-tempo, ela pediu ao senhor que estava assentado em frente à mesa para deixá-la passar na frente justificando que deveria levar o neto na escola e a hora já estava avançada. Mais do que direito, foi dever meu e do senhor que foi por ela procurado deixá-la passar na frente. Em menos de três minutos, a senhora cadastrou a sua senha e saiu.

Até aqui, nada de mais. Fiquei extasiado pela presteza do senhor em ceder o lugar para a senhora de forma tão generosa e com palavras tão bonitas e amistosas.

Em seguida, era a minha vez de ser atendido. O senhor que deu o lugar para a senhora não respeitou tal ordem, colocando os seus documentos para abertura de conta frente ao atendente. Sem saber o que fazer, o atendente olhou os documentos e disse “conta de telefone celular não é aceito como comprovante de residência, o senhor não possui uma conta de água ou luz?”. O senhor, que conversava ao telefone, tentou obrigá-lo a dar entrada. O atendente manteve-se firme.

Até aqui, nada de mais. Eu fui atendido, reapresentei o tal cheque e estava assinando um papel quando ouvi as seguintes palavras dirigidas de forma imponente ao atendente “eu sou dono de muitos imóveis em Unaí, é claro que eu tenho uma conta de água. Vou mandar trazer aqui agora!”.

Ele continuou acionando seu celular e ligando para aquela que supostamente seria sua esposa, cujo nome no celular era “Aamor”. De forma autoritária, ele disse sem nenhum pronome de tratamento “conta de água ou luz em nome de [nome do senhor], tem ou não tem?”. Depois de uma rápida interlocução, ele disse “eu quero que traga para mim agora aqui no Bradesco, estou aqui na mesa esperando”, e tocou levemente a mão sobre a mesa. Depois de alguns segundos, ele afirmou ao atendente “já está trazendo para mim agora, é só esperar, pode começar a dar entrada aí”.

Apesar de ser um senhor de palavras tão carinhosas e bonitas para com a senhora desconhecida que pediu lugar e ele cedeu, o mesmo contrasta com uma ação impositiva, autoritária e até desrespeitosa com os demais. Primeiro sentindo-se no direito de passar à frente porque deu lugar à uma senhora. Depois, autoritariamente, em afirmar sua condição financeira e seu imediatismo, como se isso o fosse colocar em discrepância entre os demais.

São coisas que a gente vê a todo momento. Somos todos iguais. O respeito, porém, é o que difere uns dos outros.

*Relato informal de uma situação real ocorrida nesta semana no Banco Bradesco S.A.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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