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REGRAS E PRINCÍPIOS: QUAIS ADOTAR?

Antes de falar sobre regras e princípios, é importante assinalar o conceito de liberdade, fundamental para discernir sobre os conceitos acima.

Segundo o dicionário Aurélio, liberdade é a “faculdade de cada um se decidir ou agir segundo a própria determinação”. Acrescente-se “segundo o que conhece”, pois ninguém toma decisões sem saber do que se trata, até porque não conheceria qual lado escolher.

O cristianismo, por exemplo, estabelece que a verdade liberta. Jesus Cristo, falando no livro de João, capítulo 8, versículo 32, diz “e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.

Ora, alinhado nisto é preciso tomar conhecimento dos lados e possibilidades de decisão para discernir sobre qual escolher.

Portanto, vamos ao que interessa.

Lexicograficamente, isto é, no dicionário, regra é “aquilo que regula, dirige, rege ou governa”. Princípio, por sua vez, é “preceito, causa de origem, tem a ver com a formação básica”.

Há uma expressa diferença entre regras e princípios. Quando se adotam os princípios, há um norte dos limites do que se pode fazer e do que não se deve fazer, levando sempre em consideração “até onde posso ir”.

Quando se adota as regras, há o que não se pode fazer, ou seja, “eu não posso passar daqui”.

Quando somos “doutrinados” em regras, tendemos a descumpri-las. Quando somos “doutrinados” em princípios, tendemos a obedecê-los.

Mas por que tendemos a descumprir ou a cumprir algo que nos foi passado, talvez, até de igual forma?

Por dois simples motivos.

O primeiro é que descumprimos pela curiosidade. Se falamos para uma criança que ela não atravessar uma rua, certamente ela atravessará curiosa para saber o que acontece se ela atravessar. Principalmente se for num momento em que não estiver sendo observada.

O segundo é que descumprimos por querermos o diferente e o novo. Por exemplo, se você disser para um funcionário que deverá apertar continuamente as teclas 1, 2 e 3, numa sequência de 50 vezes, o que acontecerá se ele fizer de forma diferente? Como na maioria das coisas, a tentativa é muito eficaz e desvenda mistérios.

Todos os dois motivos se misturam com a curiosidade, instinto animal. Mas, então, para ser curioso, para descobrir, para progredir, é preciso avançar diretrizes e quebrar limites?

Talvez sim, talvez não. Dependerá de sua forma de absorção dos limites (se por regras ou por princípios) e de sua amplitude de conhecimento sobre o que se pretende desvendar.

Vamos à exemplos práticos.

Se você foi doutrinado em princípios, saberá que pode fazer tudo até certo limite. Por exemplo, a criança que foi instruída com princípios sobre não atravessar a rua porque algo de ruim poderia lhe acontecer, um veículo poderia colidir com ela e que seria muito mais seguro e agradável atravessar com a companhia de um adulto, certamente ela não iria de imediato descumprir o que foi aprendido, ainda que permanecesse a vontade de atravessar sozinha.

Logo, o funcionário, se instruído que a sequência 1, 2, 3 é a correta para o bom funcionamento do sistema e que sair desta sequência iria acarretar danos (reversíveis ou irreversíveis) para os dados manipulados e que obedecendo às ordens do líder ele seria muito valorizado, provavelmente o trabalhador iria pensar mais de uma vez antes de quebrar o acordo verbal feito com o seu superior.

Esse tipo de abordagem vale para todos os aspectos da vida. Quanto mais informação e mais conhecimento acumulado, melhor será para a tomada de decisões. Por isso, é sempre importante que os pais conversem com seus filhos em idade adolescente sobre sexo (prós e contras de todas as possibilidades que encontrarão nos seus laços de relacionamento), necessidade de trabalho, necessidade dos estudos, cautela em lidar com desconhecidos, enfim, todos esses assuntos que são “chatos” para os adolescentes, mas que são melhor dialogados que impostos.

Portanto, adote princípios e não regras. Conheça tudo, retenha o que é bom e faça aquilo que convém.

Deus seja com todos!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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