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Somos ineficientes demais

Esta semana será de muita agitação na cidade, porque a reportagem de 19 minutos que foi ao ar ontem na Rede Bandeirantes de Televisão, no programa Custe o Que Custar, foi enfática, reveladora e porque não, motivo de reflexão para nós. Assista a reportagem aqui:http://goo.gl/3cuxnk
Todos nós que estamos acostumados ao dia a dia das manchetes nos jornais nacionais e nas emissoras de amplitude global sabemos que a notícia tem que ser nova, diferente e, preferencialmente, um furo – algo que ainda não foi levado a público.
Os repórteres Oscar Filho e Naty Graciano levaram isto a sério e trouxeram para o Brasil um novo absurdo que partiu de um lugar conhecido por nós que andamos nesta cidade. Não estou falando de uma fazenda que poucos conhecem, mas de uma comunidade que fica próxima de um dos locais mais movimentados da cidade, a poucos quilômetros do centro da cidade.
“Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique. Todo o resto é publicidade”. Sábia frase de George Orwell.
Perdoem-me os repórteres que não fazem o que vou descrever agora, mas preciso revoltar contra a mim mesmo e reexaminar a minha própria conduta diante do Jornalismo. Mais que isso, pensar acerca do meu trabalho: é jornalismo ou publicidade? As informações que dou vazão são um serviço à sociedade?
Da minha parte, creio que não. É preciso que nos reexaminemos.
Estamos pautados em assuntos políticos, financeiros, empresariais. Sendo carregados e movidos por quem paga melhor ou ainda pelo partido que defendemos, quando a notícia não deve ter partido, não deve ter motivações políticas e muito menos financeiras. Publicamos o que queremos e aquilo que agrada aos outros, geralmente a maioria ou quem nos paga.
A maioria de nós, profissionais de comunicação unaienses, ainda estamos presos em somente publicar aquilo que os outros já publicaram. Ou pior que isso, nem publicamos o que os outros publicaram de importante. Esquecemos que o nosso público-alvo não depende de nossas informações, por isso temos de conquista-lo. Esquecemos que qualquer atividade de imprensa é voltada para um serviço à sociedade.
Muitas vezes nos prendemos às brigas políticas, aos avanços do prefeito A ou aos retrocessos do prefeito B. Queremos, muitas vezes, colocar lenha numa fogueira que não produzirá bons efeitos para ninguém, somente aumentando o dualismo do bom e do malvado que não precisam existir quando os dois deram boas contribuições para o desenvolvimento da cidade.
Ainda bem que existem empresas de comunicação e profissionais sérios, íntegros e bem portados diante do que o Jornalismo é e precisa continuar a ser. Jornais que não se prendem às informações institucionais, nem às pautas sugeridas. Jornalistas que não se vendem aos seus patrões, nem mesmo aos políticos ou aos seus próprios interesses em detrimento da informação de qualidade. Ainda bem que estes existem e não se contentam em fazer publicidade, mas em executar o ofício que aprenderam, na faculdade ou na vida. Esses bravos guerreiros em Unaí, muitas vezes desvalorizados, não lutam por dinheiro, mas pelo compromisso que fizeram ao escrever a primeira linha de um texto jornalístico, dar o melhor deles e cumprir com todas as regras de ética e profissionalismo inerentes ao ofício.
Peguemos os bons exemplos de nossa cidade, aliemos aos outros exemplos que vemos no cenário nacional e busquemos a revitalização do serviço de comunicação em Unaí. Então, ainda é tempo de repensarmos, de publicar o novo, de buscar informações, de denotar aquilo que querem esconder e de não esperar que alguém de São Paulo, Brasília, Belo Horizonte ou Rio de Janeiro tenha que se deslocar de lá e vir até aqui fazer um serviço que nós, profissionais de comunicação locais, deveríamos fazer.
Já tem gente fazendo isso. Ficaremos para trás, na mediocridade? Ainda há tempo. É possível construir uma nova geração do Jornalismo em Unaí!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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