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Um Congresso de (pouca) vergonha

Tenho o maior respeito por nossos deputados e senadores, eleitos pelo povo para fiscalizar o Executivo, elaborar leis e votar projetos de importância para a Nação. No entanto, o título que encabeça este texto é nada mais que um toque realista e até suave demais para o que tem ocorrido em nosso Congresso (em maiores proporções, na nossa Câmara).
E a pouca vergonha não está somente em assistir filme pornográfico durante a sessão legislativa e alegar ser essa uma “prática comum”. Quem dera fosse somente isso! Uma pena corretiva resolveria o desrespeito à “moral e ordem” da Casa que tira o povo de dentro dela.
Os deputados de nossa Câmara estão votando debaixo de nosso nariz, enquanto assistimos enraivados com a presidente, governador ou prefeito, projetos que colocam a corrupção ainda mais próxima da política, engessam as legislaturas e torna precária a vida do trabalhador. A chantagem partidária chega aos níveis baixíssimos da expulsão partidária, quando não fica somente na restrição de verbas pelos diretórios. Inclusive, a verba partidária que nós cidadãos, pagamos, cresceu.
E isso não é culpa da Dilma, mas de nossos deputados e senadores. Da atual legislatura, não confiei meu voto a ninguém, pois tanto os deputados como o senador em quem votei não se elegeram.
A propósito, temos que nos atentar para um fato ainda mais agravante. O nosso Congresso é um dos mais caros do mundo. Verbas indenizatórias absurdas, emendas funcionando como moeda de troca do governo, além da trágica conta que fica para cada um de nós pagar quando o deputado ou senador não participa das reuniões porque possui compromissos partidários em seu estado (ou pior, em estados em que esteja “trabalhando” sua votação para a próxima eleição).
Talvez a pergunta que você faça é: que projetos são esses? Pois bem, vamos dar “nomes aos bois”.
PEC 171 (Maioridade Penal): não se trata de defender bandidos, pelo contrário, atentar para a real situação de nosso país, onde as cadeias e presídios superlotados pouco recuperam (reincidência aumenta a cada dia), os menores infratores não são levados como deveriam para os Centros de Ressocialização porque poucas vagas existem e o sistema prisional falido custa caro; num país onde a educação parece começar a dar os primeiros sinais de melhoria depois de cinco séculos de baita ignorância para boa parte da população, punir com a prisão que não funciona é colocar o futuro do país em risco e fechar os olhos para as estatísticas sobre crimes e mortes; PL4330 (Lei da Terceirização): afeta diretamente o valor ganho pelo trabalhador em sua atividade e aumenta os riscos, sendo contraindicada pela Organização Internacional do Trabalho (OIT); MP 664 (Fator Previdenciário): embora a queda do fator esteja quase certa, os deputados e senadores precisam manter-se inabaláveis em defesa às investidas do governo que não quer a mudança para a fórmula 85/95, que enfim, facilitará para o trabalhador; PEC 352 (a Farsa da Reforma Política): financiamento privado de campanha (empresas continuarão doando às campanhas e alimentando o toma-lá-dá-cá corruptor que existe no país desde a colonização), senadores teriam mandato de dez ao invés de oito anos (engessando a política, mantendo o perigoso conservadorismo e evitando a entrada de novos nomes na Casa que pode julgar o Presidente da República) seriam inseridos na Constituição sob a farsa midiática de que uma reforma política havia ocorrido. Sim, nas próximas eleições algum senhor com o sorriso no rosto, certamente do PMDB, irá nos dizer em alto e bom som que o seu partido realizou a “reforma política que o povo brasileiro esperava”.
Essa reforma eu não quero e tenho certeza que milhões de brasileiros também não. Queremos o veto ao financiamento empresarial, limite para doações de pessoa física, reforma da legislação sobre horário eleitoral gratuito, fim da reeleição, paridade entre os partidos, sejam eles pequenos ou grandes e, principalmente, uma discussão ampla e irrestrita com participação popular sobre o “custo” do Congresso. Isso é reforma política, claro, com outras dezenas de assuntos importantes sobre o nosso sistema político. O que propõem, infelizmente, não.
Engessado. Judicializado. Intocável. Sensível demais. Caro. Pouco representativo. Desrespeitoso. Chantagista. Oportunista. Esse é o retrato que nosso Congresso adquiriu ao longo de 26 anos de Constituição, salvando apenas alguns poucos que insistem em representar o povo e darem suas cabeças em nome de projetos que respeitam e beneficiam a população e em nome da ética e responsabilidade no trato público.
Se fazer a reforma política verdadeira está difícil, votar corretamente nas próximas eleições não está. Eleja um Legislativo que te represente, tanto no âmbito municipal quanto estadual e federal. E cobre. Seja ativo politicamente. Tome posição. Discuta isso com sua rede social virtual e real. Verifique os fatos. Olhe para o futuro com sede de mudá-lo!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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