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UNAÍ: POLÍTICA ORIENTADA AOS INTERESSES PARTIDÁRIOS

Na reunião da Câmara dos Vereadores de Unaí-MG do dia 02/12, os vereadores de situação e oposição trocaram ferpas duras. Foi a primeira vez em 10 anos de acompanhamento das mais elevadas discussões do Legislativo unaiense que vi agressões verbais gratuitas em uma sessão.

O vereador Ilton Campos saiu de si e proferiu acusações duras, algumas fundamentadas, outras não. O vereador José Goiás rebateu as críticas e pediu respeito. Dorinha Melgaço fez um discurso eloquente e acalorado, sendo aplaudida veementemente pelos presentes.

Afinal de contas, depois disso, o que vai acontecer?

Vamos primeiro entender o que ocorreu.

Nesta sessão, estava em votação um projeto de lei do Executivo de criação de três novas secretarias municipais (Desenvolvimento Econômico, Atenção ao Idoso, e Ordem Pública e Defesa Civil) e aprovação da suplementação orçamentária para fechar o último quadrimestre do ano, além de outras pautas.

Na prática, o projeto mais polêmico, a suplementação orçamentária é o que se chama de “autorização para fechar as contas”. Todas as vezes que o governo supera a arrecadação e/ou estoura o orçamento, esta suplementação é necessária para autorizar os gastos “a mais” do governo. No caso de Unaí, esta é uma prática vista sempre. Em 2012, por exemplo, Antério Mânica chegou a cometer um deslize grave que lhe custou os direitos políticos por oito anos, quando ele enviou aos unaienses uma carta criticando – e culpando – os vereadores da oposição de não apoiar a suplementação sob o risco de o município ficar parado. Desta vez, Delvito enfrenta o mesmo, mas quem quer “dar o troco” é a oposição, de base ex-governista, na Câmara puxados por Thiago Martins, sobretudo.

A criação de novas secretarias não seria um problema caso as atuais secretarias não fossem lotadas por pessoas com pouca competência para gerenciar as questões do município, com exceção de algumas. Infelizmente, esse é um problema que não ataca somente a gestão de Delvito Alves, mas da maioria dos municípios do Brasil, sobretudo os interioranos, pois além de faltar mão de obra capacitada para exercer os cargos, a imprensa desempenha um papel pífio no auxílio ao poder público. Portanto, criar novas secretarias teria riscos, mas não deixaria de ser um avanço para que o município enfrente de melhor forma os problemas que vêm surgindo.

Ânimos exaltados não seriam significado de revolta?

Não neste caso. A verdade é que o Brasil tem um cenário político conservador, avesso à mudanças – estas que muitas vezes iriam trazer melhorias -, e por tal motivo, muitas boas propostas deixam de ser aprovadas no Legislativo.

Em Unaí, a revolta dos vereadores de oposição se dá em muito pela viabilização de recursos e obras em potencial que Delvito Alves anunciou nos seus dois anos de mandato. O prefeito, que entrou no cargo depois de uma campanha agressiva dos dois lados, parece ter ganhado força para se reeleger, principalmente depois da perda dos direitos políticos do ex-prefeito Antério Mânica, que seria candidato em 2016.

É importante lembrar que a “mexida” nas cadeiras da Câmara ocorreu porque a então secretária municipal de saúde, Andréa Machado, que se envolveu em denúncias de favorecimentos na pasta e foi exonerada, voltou para sua cadeira, desbancando Shilma Nunes – que agora é secretária municipal de Gestão Participativa. Desde então, o governo perdeu maioria.

Ora, com um cenário de 8 a 7 votos para a oposição, fica fácil dizer o resultado da maioria das votações. Se for boa para o povo, mas for de autoria da situação, não é aprovado. E assim, a “engrenagem” não vai andar e o município patinará nos interesses pessoais e partidários de um grupo político.

E, voltando à primeira pergunta, o que vai acontecer daqui pra frente?

Não se sabe ao certo, mas se pode afirmar que Delvito Alves terá de travar um embate forte e ser corajoso para enfrentar a oposição que tenta bloquear parte de seus projetos. Ao mesmo tempo, o prefeito terá que dar ouvidos à necessidade de capacitação dos gestores municipais, bem como um investimento pesado na melhoria da mão de obra dos funcionários da “casa marrom”.

A Unaí que Delvito comanda é uma cidade que já tem mais de 50 bairros, quase 84 mil habitantes, 15 vereadores e um dos maiores PIBs agropecuários do Brasil. Com a entrada de um governista de oposição no governo estadual, Delvito terá que dialogar e desprezar as privações partidárias em nome da população unaiense para angariar fundos para melhorias urgentes na zona urbana da cidade, sobretudo, no trânsito, saúde, educação e gestão interna.

Esse é o momento de a população não esquecer os nomes daqueles, que em nome de suas posições partidárias conservadoras, recusam a mudança que beneficiaria a muitos.


Reunião Câmara 02/12/2014: https://www.youtube.com/watch?v=zs9y_5Prk8M
Entrevista Delvito Alves: https://www.youtube.com/watch?v=4YsmAWVQWR8

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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