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Política

O que está em jogo no nosso Brasil instável?

“E teve Copa, e teve tudo, só não vai ter terceiro turno”…

O Brasil de hoje é diferente do Brasil de um ano atrás. Demissões, crise econômica, ajuste fiscal. Oportunismo político, alianças quebradas, pré-candidaturas e pré-campanhas em andamento. Sensação de que “fomos roubados”, violência nos grandes centros e um Estado pouco eficiente no interior.

Mas o Brasil de hoje é diferente do Brasil de quinze anos atrás. Desemprego controlado, inflação sob controle, prevalência de programas sociais. Democracia em fortificação, independência político-econômica de grandes potências, sistema eleitoral consolidado. Crimes de corrupção investigados, punidos e reparados, o inimigo das polícias se transformou e o Estado mais presente nas formas de provisão de oportunidades na educação e cuidados básicos em saúde, saneamento, habitação, etc.

Na atual situação, é impossível afirmar o que será do Brasil nos próximos dez anos. Não porque o governo não esteja trabalhando em torno de metas, objetivos e diretrizes firmes e reais, nem também porque o trabalhador não sabe onde está indo. Mas porque ronda um ar de oportunismo e golpismo por parte de um grupo pequeno de atores da política nacional – mas que nem todos são políticos.

Para este pequeno grupo, têm-se um objetivo: fazer o governo sangrar, fazer o povo sofrer em meio à uma crise e criar um terreno propício para saírem ganhando. Este pequeno grupo – perdoem-me as exceções – têm as suas caras conhecidas: são grandes grupos financeiros que lucram com a desgraça do povo, empresas que demitem sumariamente ao invés de tentar acordos de proteção ao emprego, velhos conhecidos da política do “quanto pior, melhor” (entre os quais parte da mídia) e, claro, oportunistas de plantão. (http://goo.gl/QGpvpV)

Recuado, o governo tem sete (sic) por cento de aprovação. Engessado, o governo vive à mão da chantagem do Congresso. Infelizmente, a união desejável no momento de crise não existe. E ela não existe porque a união fará com que todos ganhem e àqueles golpistas não suportam que todos ganhem, mas que somente eles ganhem, somente os seus interesses sejam atendidos. (http://goo.gl/MdXfbS)

O que está em jogo, para mim, não é se o governo vai se sair bem ou não, se os interesses partidários serão atendidos ou não, mas o que está em jogo é a vida de cada brasileiro e de cada brasileira. O que está em jogo são os programas sociais que contribuem para a redução da desigualdade e para o “pagamento da dívida” histórica que temos com os negros, índios e minorias deste país, desde os tempos em que o Império Português colonizou o Brasil. O que está em jogo é o emprego, a oportunidade de acesso à educação e saúde, a segurança, o acesso à cultura, ao desenvolvimento humano e ao lazer.

Empresas são importantes numa sociedade cujo domínio é capitalista. Mas as pessoas não devem se tornar números quando se trata de uma crise – e nem na bonança. Cada pessoa possui uma história, uma luta, uma dificuldade. E tudo isso precisa ser levado em conta. Ter o carro do ano é importante, mas mais importante que isso é ter uma casa, ter o que comer e, sobretudo, ser plenamente suprido em suas necessidades educacionais, sanitárias e culturais.

O que está em jogo é a construção da sociedade do conhecimento. E a construção desta sociedade, passa, obrigatoriamente pela educação. Jamais se investiu tanto em educação, de forma financeira e política, como nos últimos 13 anos da história deste país. E, com exceção do Estado Novo de Getúlio Vargas (isso é o que os livros contam), nunca houve tamanho poder de decisão da classe trabalhadora do país.

O que está em jogo é a maturidade dos nossos representantes e de nossa democracia. Uma eleição legítima, decidida no voto, não pode ser anulada sem provas previstas na Constituição. Um(a) presidente só pode ser deposto(a) num processo de impeachment quando comprovado um crime de responsabilidade. Ora, se ainda não há provas, como instaurar o #ForaDilma?

Mais grave que isso é a notícia (http://goo.gl/9lZcTi) de que Augusto Nardes (ministro do TCU, tribunal que julga as contas da gestão) está recebendo ameaças virtuais em seu e-mail institucional. E ameaças que pretendem obrigá-lo a rejeitar as contas de 2014 do governo, dando um passo a mais para o impeachment. Ofensas pessoais, de baixo calão e que incitam a violência… Isso configura golpismo. E nos átrios da História, sabemos que isso aconteceu várias vezes.

Todos os dias, nas ruas do país, nas rodas de conversa e nas redes sociais, os ataques a presidente são visíveis. Alguns respeitosos, atacando o governo e as medidas impopulares, com razão (http://goo.gl/HkzGgD). Outros fogem ao bom senso e atacam a mulher, à avó, àquela que para para socorrer o ciclista acidentado (http://goo.gl/A3D2Jp), àquela que passa por um momento delicado em sua saúde física e emocional. Todo exagero, de qualquer parte que seja, deve ser coibido.

A única coisa que nós, que elegemos Dilma Rousseff como Chefe de Estado, não permitiremos calados, é um processo de impeachment baseado no golpismo e no oportunismo. Se houver queda de Dilma, não rui somente o PT. Enganados seríamos se acreditássemos nisto (http://goo.gl/52ZiCp). Se ruir o governo atual, rui toda a estrutura democrática do país, abrindo espaço para um abalo sísmico que pode resultar numa nova estrutura de poder (http://goo.gl/H3X9UU). Volta da Ditadura Militar? Se ouvidos os protestos de uma minoria conservadora, sim. Realização de nova eleição com alijamento dos partidos atualmente governistas? Se ouvidos outra parte dos protestos dos últimos tempos, sim.

Todavia, manter a chamada ‘governabilidade’ a qualquer custo não é uma boa. Quem perde, em todos os casos, são os brasileiros. Vai ter ajuste fiscal? Sim, é a única saída enxergada neste momento. Vai ter prevalência dos programas sociais? É imperativo isso, senão o plano de governo de Dilma Rousseff pode ser rasgado. E a educação? Na Pátria Educadora, construtura da sociedade do conhecimento, é fundamental o investimento integral em educação. O Plano Nacional de Educação precisa ser cumprido a todo custo. (http://goo.gl/qJt4c4)

A conta da crise e da corrupção que vem de muito tempo neste adorável país não pode ser colocada somente nas costas dos trabalhadores. É necessário que medidas como o aumento da contribuição sobre o lucro líquido pelos bancos, a repatriação de recursos desviados, a rediscussão da dívida pública e uma ferrenha busca pelos sonegadores e punição seja feita.

O que está em jogo somos eu e você, brasileiros, amantes de uma Nação firme, forte e feliz.

E teve Copa, e teve tudo, só não vai ter terceiro turno”… (grito de ordem dos participantes do Diálogo com os Movimentos Sociais, vide https://goo.gl/by6Nzs)

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