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Antes um metro de ciclofaixa que mais um quebra-molas

Artigo publicado no Jornal Folha de Unaí

Você anda de bicicleta? E qual o porquê de andar numa? Cada um de nós, unaienses de nascimento ou de coração, podemos, de memória, lembrar de quantas pessoas ao nosso redor têm como principal meio de transporte a bicicleta. Já estimou-se há alguns anos que o número de bicicletas em Unaí era de quase 10 mil. Mas não é preciso ter um dado oficial para perceber que o número de ciclistas na cidade é muito grande, mas já foi maior.

E por que houve a diminuição do número de ciclistas? Três fenômenos explicam isso de forma certeira: estímulo governamental ao automóvel, falta de políticas públicas para garantir incentivo e segurança aos ciclistas e o surgimento dos ciclomotores acessíveis, as populares “cinquentinhas”. O carro, a moto e os próprios ciclomotores são muito mais rápidos e confortáveis que uma bicicleta, logicamente, mas exigem uma contrapartida também maior e mais cara do condutor. Mas, se todos estão sujeitos ao mesmo trânsito – dos pedestres aos caminhoneiros –, por que não há incentivo ao uso consciente dos meios de transporte?

É uma pergunta que se repete em todos os cantos do país. Alguns governos, porém, têm tentado responder a esses questionamentos da melhor forma possível: com iniciativas pequenas. Em São Paulo, o prefeito Fernando Haddad inaugurou recentemente, sob muita conspiração midiática, a histórica ciclovia na Avenida Paulista. E assim a cidade que fechou os olhos para os ciclistas durante muito tempo hoje começa a colocar um ponto final nessa história de descaso, triplicando a malha cicloviária. Em Unaí, os primeiros metros de ciclofaixa apareceram na ponte do Córrego Canabrava, recentemente reformada.

É preciso reconhecer que o primeiro passo foi dado. Isso, somente, não basta. Além de coibir o desrespeito dos outros condutores (motociclistas, motoristas e carroceiros), é preciso aumentar a malha de ciclofaixas e implantar ciclovias na cidade. É preciso também uma política forte e em parceria com as escolas para a reeducação dos cidadãos unaienses no trânsito. A proposta pode ser a reforma da Avenida São João, eliminando os estacionamentos e implantando a ciclofaixa de fora a fora. Para ajudar é preciso também criar um modelo de ciclofaixa na Avenida Governador Valadares e eliminar os estacionamentos laterais da Rua da Serra continuada pela Rua Dulce Torres Brochado, para assim dar lugar a mais uma ciclofaixa contornando a cidade. Paralelamente a este esforço, é necessária a criação de uma ciclovia entre o bairro Mamoeiro e a ponte sobre o Rio Preto e a implantação de outra ciclofaixa nas duas principais ruas que dão acesso ao complexo de bairros do Novo Horizonte. Tudo isso, claro, depende de avaliação de viabilidade técnica por profissionais qualificados para tal, ou seja, de um estudo de viabilidade.

Tão certo como foi acertada a decisão da Prefeitura Municipal de Unaí em construir os primeiros metros de ciclofaixa, será também a escolha da nova concessão de transporte público. Desta vez – é o que espera a população – um processo sério e comprometido com a efetividade do serviço precisam ser priorizados, levando em conta a necessidade de incentivar o uso do transporte com tarifas justas, rotas bem planejadas e conforto para os passageiros.
Congruente a tudo isso, tem a implantação da zona azul e um trabalho de reformulação do trânsito nos bairros que precisa ser feito. Existe muito o que fazer na cidade, mas não é reclamando pelo pouco que já foi feito que resolveremos a situação, é buscando mais e melhores condições de vida, mais investimentos e menos chantagem política (que é o tema da próxima coluna). É buscar mais ao invés de reclamar do pouco que já foi feito.

É por meio de um impresso local que fica noticiado o movimento “Vá de Bike ou Caminhando”, um anseio de muitos em defesa de todos. Ciclistas, pedestres e todos que querem um trânsito melhor podem participar em prol da segurança, da qualidade de vida e da sustentabilidade. O movimento é um anseio que parte de corações unaienses e que permeará, de forma prática, sucinta, natural e política, no coração de todos os unaienses e que, esperamos, ser ouvido pelo poder público do município. O “Vá de Bike ou Caminhando” é você que anda de bicicleta pelas ruas da cidade. É você que não anda pelo medo, pela insegurança ou pela falta de condições infraestruturais. É você que trocou a bicicleta pelo carro, mas que precisa voltar à bike por questões de saúde. É você que quer um trânsito melhor.

O “Vá de Bike ou Caminhando” não é um movimento financeiro, mas social, não é uma entidade, mas um grupo descentralizado, sem sede, mas com sede de mudança. O “Vá de Bike” é uma afirmação da cidadania unaiense. O movimento é feito por unaienses para unaienses. Achegue-se a nós, venha conhecer o movimento: https://goo.gl/VIQqOu que em breve ganhará um blog oficial, o bikeoucaminhando.blogspot.com.br. A mudança começa em nós, o futuro que queremos tem que ser nosso presente!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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