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Política

A chantagem é perigosa para o povo

Artigo publicado na edição nº 62 do jornal Folha de Unaí-MG.

Dá-se o nome de chantagem para o ato de ameaçar, pressionar ou torturar alguma pessoa ou instituição para obtenção de benefícios próprios. Neste delicado artigo, vamos abordar a chantagem político-partidária que tornou-se comum desde a instauração da República no Brasil, permeando o Planalto, os estados e os municípios do país.

Chantagem também pode ser entendida como a prática do “toma-lá-dá-cá” no âmbito político. Para aguentar a indisposição peemedebista representada por Eduardo Cunha, presidente da Câmara dos Deputados e no caso de Dilma e Temer caírem, presidente do Brasil até novas eleições, Dilma Rousseff entregou o seu governo (que estava teoricamente impossível) ao partido mais velho da democracia. A presidente, que mexeu mal demais em todos os ministérios, entrega-se ao PMDB para não sangrar mais e evitar o agravamento da crise política. Mesmo os dilmistas mais otimistas não aguardavam que a presidente se renderia às orientações de Lula e dos caciques petistas para manter a tal “governabilidade”.

Se não mexer de novo, a bem do povo, a presidente perderá o apoio daqueles que votaram nela para praticar o plano de governo apresentado em seu governo. Cortes de ministérios, redução de secretarias, ajuste fiscal sem discussão da dívida pública e entrega de cargos ao PMDB (a pessoas com passado não tão limpo quanto os seus predecessores), não resolve em nada a situação do país. Apesar de controlar a crise política, não resolve as feridas do país. Não é um enfrentamento positivo nem mesmo digno do legado da Chefe de Estado que, por tanto tempo, superou a perseguição ditatorial. Apesar de muitos avanços desde o início do ano, Dilma mexeu mal e contrária ao povo brasileiro.

Mas, a chantagem também provoca efeitos locais. Todos os unaienses sabem bem como é o período eleitoral na cidade. Quente, polarizado e com poucas discussões profundas. Este ano, porém, a campanha já começou. E já sabemos como deverá ser desenhado o cenário político para o próximo ano. Os burburinhos nas ruas, bem como as eleições passadas, dizem muito sobre como deverá ser composta a campanha do próximo ano.

Recentemente, o PMDB unaiense anunciou que irá participar das próximas eleições, provavelmente, numa chapa única. A sigla, porém, deverá se render à polarização formando uma união com PSDB da cidade, que deve lançar um candidato, como em 2012. Logo, fica Delvito Alves à busca de um vice-prefeito (ou vice-prefeita) para concorrer na chapa. Estuda-se nos bastidores a existência de uma chapa feminina nas eleições. Mas, por causa da polarização, a chapa feminina (possivelmente com figuras do Legislativo) deverá se aliar ao atual prefeito. Em meio a tudo isso, há uma inquietação do PR para lançar Thiago Martins, líder de oposição na Câmara e recentemente absolvido de um processo no TRE-MG, para o posto de candidato a prefeito. O opositor do governo é o principal candidato para as próximas eleições, esbarrando no progressismo de Delvito Alves, que deverá no início do próximo ano começar a ofensiva pré-eleitoral. Além dessas possíveis candidaturas, o PT, o PSOL e o PEN devem lançar seus candidatos em chapas únicas.

Diante desse cenário, dói adiantar que nós, o povo unaiense, seremos vítimas da chantagem partidária. O terreno está lançado e a “política do travamento” deverá protagonizar os próximos meses. Desde a votação do Orçamento de 2016 até outras medidas de fundamental importância para o município. Ao vivo, a TV Rio Preto anunciou colocar em pauta um novo jornalismo, com uma nova abordagem dos fatos. É o mínimo que espera a população unaiense, já que a TV é uma concessão pública, destinada a atender os interesses da comunidade local. Jornais e revistas da cidade se transformaram em agências, com um objetivo único: prestarem serviços às instituições públicas e aos partidos de forma legalizada e mais profissional.

Do ponto de vista do povo unaiense, Delvito Alves é o principal favorito nas próximas eleições. O prefeito, que entrou de cabeça em áreas intocadas do governo e da sociedade, parece ter se encontrado no Executivo municipal após dois anos de muita lentidão e pouca ação. Do ponto de vista dos opositores, Thiago Martins é o único nome para derrubar o favoritismo de Delvito Alves, já que, enquanto candidato a deputado estadual, angariou 27.028 votos no Noroeste Mineiro, com expressiva parte destes na cidade.

A sociedade unaiense, de forma mais incisiva, irá cobrar de seus representantes uma postura mais política nos próximos meses. A ascensão das redes sociais favoreceu o diálogo político e a divulgação dos fatos. A única esperança é que a próxima eleição municipal favoreça um debate intenso de propostas, sem ataques pessoais e com profundidade nas discussões. Já a nível nacional, agora que a faca no pescoço de Dilma afastou-se um pouco, espera-se que haja governo do país e enfrentamento de questões inescusáveis e improrrogáveis. Não percamos a esperança nem o vigor de olhar para frente e ver um país melhor nem de observar que Unaí está melhor.

Artigo publicado na edição nº 62 do jornal Folha de Unaí-MG.

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