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“Pessoas de bem”, um termo mal utilizado em nossos dias

Um termo muito usado por inúmeras pessoas para caracterizar pessoas de boa conduta é “pessoas de bem”. Mas o que é ser alguém “de bem”?

Um termo muito usado por inúmeras pessoas para caracterizar pessoas de boa conduta é “pessoas de bem”. Mas o que é ser alguém “de bem”?

Ser uma pessoa de bem é ir ao sentido literal da palavra “bem”, da boa conduta. É não cometer crimes do ponto de vista legal, é buscar sustento próprio, legítimo e de origem limpa, é respeitar todos, independente de cor, etnia, ideologia ou crença. É não se omitir perante os deslizes éticos e morais nem perante aos crimes. É usar das ferramentas e métodos civilizados para punir, responsavelmente, quem desrespeita as leis e para enaltecer aqueles que, de forma exemplar, se empenham em cumpri-la ou aperfeiçoá-la. Ser “de bem” é, antes de mais nada, aprender uma consciência moral que junta a ética, o convívio social e a boa conduta dentro e fora de casa.

Acontece que o termo “pessoas de bem” também tem sido usado para designar pessoas que querem se sobrepor a um determinado grupo social. Por exemplo, um cidadão hipotético se julga uma “pessoa de bem” por trabalhar e não cometer nenhum crime hediondo, mas comete infrações de trânsito ou sonega, mesmo que isso não venha à tona porque “todo mundo faz”. Acontece também que, geralmente, o indivíduo humano – totalmente suscetível a erros – não reconhece sua própria condição e julga aquele que rouba, mata ou vende drogas como “pessoal de mal”, como se os crimes, embora na esfera penal sejam devidamente separados devido a sua gravidade, não fossem transgressões éticas e morais do ser humano.

Sonegar, matar, roubar, furtar, traficar, infringir leis de trânsito e cometer leves perturbações à ordem social estão no mesmo patamar daquilo que chamamos de “erro”, coisa de nós, humanos. Não podemos nos acostumar aos erros, mas lutar diuturnamente para evitá-los. Enquanto pessoas, enquanto sociedade, enquanto instituição.

Infelizmente, por causa desse juízo de valor próprio que ignora a nossa condição legal (Art. 5º da CF/88) e humana (somos imperfeitos, por natureza), muitos insistem em julgar, condenar e chegar até o absurdo da barbárie humana. Casos de “justiça com mãos próprias” são cada vez mais horripilantes e presentes no cotidiano das cidades brasileiras. Presos, bandidos já estão cumprindo parcela horrorosa e desagradável da condenação pelos seus erros. Muitas vezes, o capital ainda domina até mesmo a forma de cumprimento das penas.

Somos a quarta maior população (terceira, conforme estudo recente) carcerária do mundo, mas o sistema prisional recupera pouco – ou nada – e de nada adianta usar a crueldade ou fazer um massacre, como no Carandiru. Muito menos adianta reduzir a maioridade penal e menos ainda instituir a pena de morte.

Mais do que nunca, é preciso que as verdadeiras “pessoas de bem” saiam às ruas, aos presídios, às escolas, aos hospitais e, sobretudo, às favelas, subúrbios e bairros periféricos para levar, de fato, o respeito, o tratamento e a dignidade que nem o Estado nem o Sistema Prisional Brasileiro, por causa de seus inúmeros gargalos, conseguem dar.

Não, não é preciso que as “pessoas de bem” saiam para protestar contra ou favor disso ou daquilo. Mas para fazer. Para irradiarem honestidade, serenidade, respeito e justiça. Se os templos religiosos e as universidades abrigarem gente de bem, que sejam esses os primeiros locais a se movimentarem para salvar àqueles cuja esperança única é a morte ou cujo destino é a mazela social, temperada com a engrenagem do sistema que fere, mata, usa e abusa de seres humanos como se fossem coisas.

Capa: Pixabay/Reprodução

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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Uma vez um conhecido relatou um caso de justiça própria feita por uma população que, por atraso da polícia, ficaram mais tempo com o estuprador. “Ao matar aquele homem, alguns acharam o certo, menos mais um doente no mundo. Ninguém percebeu, porém, que agora ao invés de 1 criminoso há dezenas”, concluiu tristemente esse conhecido.
Pessoas de bem, afirmo, é quem ainda consegue ver o bem no outro, mesmo que esteja muito escondido. “Sair para fazer” , não mais para opinar o que é certo ou errado. Que caminhemos para essa verdade!

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