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Reduza a marcha: que tal um olhar mais demorado sobre a vida?

A reflexão de hoje é uma proposição a qual me condicionei. E, na verdade, sempre me condiciono quando vou provocar um determinado assunto para escrever sobre ele. E convido você que está lendo a fazer uma profunda reflexão sobre seu cotidiano e sobre a forma como você vê sua vida.

A reflexão de hoje é uma proposição a qual me condicionei. E, na verdade, sempre me condiciono quando vou provocar um determinado assunto para escrever sobre ele. E convido você que está lendo a fazer uma profunda reflexão sobre seu cotidiano e sobre a forma como você vê sua vida.

Em 2013 conheci um magazine digital que chama-se Obvious, cujas publicações estão sempre disponíveis na internet e o conteúdo é colaborativo, cujos autores podem se cadastrar e, sendo bons, conseguem escrever no espaço. Gente, como a gente, escrevendo para a gente. O resultado são textos muito gostosos de serem lidos, com reflexões profundas. O mais curioso de tudo é o lema deste magazine: “um olhar mais demorado”.

O celular despertava às 7h. O último boa noite era dado às 2h da manhã (ou mais tarde que isso). O trabalho ia das 8h ao meio-dia. E depois de uma hora corrida de almoço, voltava para ficar até 16h50, quando ia para a faculdade tomando o ônibus quinze minutos depois. Chegando lá, aula até 23h20 e ônibus de volta para casa chegando às 1h. do dia seguinte. E todos os dias, de segunda a sexta-feira era (e ainda é)  a mesma rotina.

O ritmo frenético ajuntou-se com a imensa carga de trabalho que o meu ofício me dava nestes tempos. Folga? Nem quando me eram dadas, eu pegava. Não pensava. Não apreciava. O caminho de casa começou a ser o mesmo todos os dias. O ritmo das pedaladas também. O celular já não recebia mais escritos espontâneos da minha parte. Atrofiado, somente lia e-mails e os respondia, respondendo à demanda de trabalho. Somando-se a tudo isso estava o fim de semestre na faculdade, com disciplinas cujo risco de reprovação é grande.

No ápice disso, parei tudo. O foco voltou-se para a faculdade. E para o pensar. O ritmo frenético pausou. E então os procedimentos robóticos, automatizados e danosos estacaram. Me propus um tempo de raciocínio sobre a vida. Usando da flexibilidade que meu trabalho propõe usei as manhãs de chuva para aqueles 15 minutinhos a mais na cama que toda manhã de chuva pede. Fui visitado por uma grande amiga. Liguei para amigos. Tomei banho de chuva (para variar…). Vi o sol se por. A lua passear pela janela do meu quarto. E tomei sorvete na praça.

Me propus um olhar mais demorado sobre a vida. Drummond atentava para o fato de que “a vida necessita de pausas”. O livro de Eclesiastes retrata que há tempo para tudo na vida. Prazos que podiam ser levados adiante foram. A prioridade não mais era o fato, mas o todo. Ler a Bíblia, orar, entender textos, ouvir o coração e meditar em temas importantes. Pensar antes de responder, de agir, de exprimir uma opinião.

Reduzi a marcha, a velocidade e passei a atentar a cada detalhe, novamente. Tem muita coisa a fazer, é claro. 2015 vai acabar. Foi um ano cheio de novidades, aprendizados, conquistas e, sobretudo, um ano de ajustes. Um ano cheio de vitórias e, principalmente, de derrotas, acidentes e perdas, mas tudo isso com a suficiente graça e misericórdia de Deus para comigo. Um ano cheio. E é esvaziando-me de tudo que trato o passado de forma a ajudar no presente, fazer história para o futuro e, sim, vivendo no hoje plantando para amanhã.

Acha que está correndo demais? Faça um break, tome um sorvete, passeie, altere sua rotina, durma um pouquinho a mais, leia uma literatura diferente, diga que você ama quem você ama, preste atenção nos sorrisos, olhe nos olhos, proponha-se a ter um olhar mais demorado sobre a vida. Faz bem. Seu corpo, sua mente e aqueles que vivem contigo carecem disso.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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