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Justifica, mas não resolve

Brasileiros e brasileiras. Há um ponto em que praticamente todos nós concordamos: não temos uma política à altura dos problemas do país. Sim, a coluna de hoje é sobre política (de novo), mas com uma abordagem bastante diferente.

Brasileiros e brasileiras. Há um ponto em que praticamente todos nós concordamos: não temos uma política à altura dos problemas do país. Sim, a coluna de hoje é sobre política (de novo), mas com uma abordagem bastante diferente.

O Brasil passa por uma crise política considerável. Em suas três primeiras décadas de democracia estável, este é o momento mais delicado da política nacional. Várias linhas de pensamento despolarizam as decisões políticas e também contribuem para o surgimento de linhas de pensamento radicais, extremas e até contrárias aos direitos humanos.

O governo atual, eleito por maioria dos votos válidos, sangra. Sangra porque não consegue cumprir o plano de governo ventilado nas eleições. E sangra ainda mais porque as alianças feitas com o PMDB só aumentam o poder deste partido nada ético em suas decisões e com verdadeiros “exemplos” de escandalizados, a propósito, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e outros.

Vendida, a gestão de Dilma Rousseff que tinha tudo para abalizar a sociedade da informação e do conhecimento que vem sendo formada a partir da evolução proposta no início do século XXI, não consegue atingir o êxito em suas ações. Muito pelo contrário, atalhos para coibir a crise sugerem que a gestora Coração Valente perdeu parte de seu vigor com o desgaste dos últimos tempos (desde uma campanha baixa, ataques midiáticos, chantagem partidária, problemas de saúde até a oposição econômica).

Decisões impopulares sem atingir os resultados necessários para o desenvolvimento do país são tomadas. Multas totalitárias àqueles que, ainda que de forma imprópria, mas dentro da legalidade da liberdade de manifestação, fazem greve em favor de seus interesses. Propostas de “desuniversalização” do Sistema Único de Saúde (SUS), criação de políticas fiscais de arrocho e mudança no sistema previdenciário, tendo como resultado níveis de desemprego subindo e inúmeros segmentos produtivos em queda.

Todas as decisões têm justificativas plausíveis dentro de uma lógica. O que está em jogo é que tudo isso justifica, mas não resolve. Não resolve o problema da desigualdade, não resolve a dívida pública, não resolve a exploração desigual das regiões brasileiras, não resolve a criminalidade e muito menos resolve o que precisa resolver: a política e a forma de tomada de decisões.

A luta a ser travada tem ares de batalha impossível de ser ganha, mas exemplos bem-sucedidos ao redor do mundo e o vigor dos brasileiros são a prova de que é possível. É mais que urgente uma reforma do sistema político brasileiro e um enfrentamento real da desumana, inacabável e maldita herança ditatorial dívida pública. Reformas que o pensamento político da esquerda personifica pode ser um dos caminhos (ou parte do caminho) para se obter um bom resultado neste sentido.

Só há um jeito civilizado, democrático e sem os históricos derramamentos de sangue na História (que em muito não resolveram tudo) de se mudar nossa política: a mobilização popular e o avanço da unidade popular. Pode ser lenta e gradual, pode ser imediata, pode ser… A reforma tem que ser já. Estamos fadados de decisões que justificam, mas não resolvem. É hora de resolver!

*Artigo publicado na edição 63 do Jornal Folha de Unaí

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