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Espiritualidade

Amar até o fim, como Jesus fez

*Reflexão Bíblica aplicada no Grupo de Oração Universitária “Semeadores da Palavra” no dia 25 de fevereiro de 2016, no IFTM Paracatu.

Jesus Cristo, Filho de Deus, que também era Deus e que morreu por cada um de nós, pecadores, nos amou até o fim. Essa é a narração de João no capítulo 13, versículo 1, na Bíblia Sagrada. “[…] sabendo Jesus que havia chegado o tempo em que deixaria este mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim“.

Na continuação, Jesus lava os pés dos discípulos, identifica o traidor e pronuncia ali o segundo mandamento mais importante. Era um mandamento novo, simples e forte. “Um novo mandamento lhes dou: Amem-se uns aos outros. Como eu os amei, vocês devem amar-se uns aos outros. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos, se vocês se amarem uns aos outros”. (João 13:34,35)

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Arte: Kdfrases/Reprodução

Amar. Essa foi a “carreira”, o “ministério” do Cristo. E ele soube fazer isso muito bem. Ele entregou-se na cruz por um bando de gente que não merecia (e continua não merecendo), como eu. Porque foi para isso que ele veio à Terra, para fazer a vontade do Pai, e a vontade do Pai era restaurar o contato, a intimidade, porque somente pelo sacrifício de um seu era possível salvar a todos.

E Jesus não foi covarde, ele foi muito responsável, como aqueles que amam devem ser. Ele falou que ia voltar aos céus, mas não ia deixar aqueles que estiveram com ele sem um apoio. “E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem, pois ele vive com vocês e estará em vocês. Não os deixarei órfãos; voltarei para vocês”. (João 14:16-18)

Mas por que Cristo havia de dar esse novo mandamento? O próprio João explica que Deus, a natureza divina, é o amor. (1ª João 4:7-8) Mas que amor é esse? Como é que pode ser manifesto em nós, humanos, esse amor. Simples: obedecendo aos mandamentos de Cristo. “E este é o amor: que andemos em obediência aos seus mandamentos. Como vocês já têm ouvido desde o princípio, o mandamento é este: que vocês andem em amor”. (2 João 1:6)

Grande parte das pessoas que leem a Bíblia pela primeira vez sem estarem sendo acompanhadas tiram uma interpretação muito lógica: o Deus do Antigo Testamento não é um Deus que amava muito, já o do Novo Testamento é um Deus muito afável. Errado. O Deus era o mesmo, que amava da mesma forma e sempre foi justo e santo da mesma forma. A proximidade de Deus com seu povo, porém, era terceirizada, o sistema religioso diferente e uma série de coisas foram alteradas da época de Noé até Jesus. Então nos deparamos com o salmista dizendo as características de Deus em Salmos 103:8-14.

“O Senhor é compassivo e misericordioso, mui paciente e cheio de amor. Não acusa sem cessar nem fica ressentido para sempre; não nos trata conforme os nossos pecados nem nos retribui conforme as nossas iniquidades. Pois como os céus se elevam acima da terra, assim é grande o seu amor para com os que o temem; e como o Oriente está longe do Ocidente, assim ele afasta para longe de nós as nossas transgressões. Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem; pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó”. O mesmo Pai, o mesmo misericordioso, o mesmo perdoador. Deus é e sempre foi o mesmo e sua natureza nunca se alterou.

Logo, se Deus é assim e se devemos permanecer no amor, fica fácil entender como amar até o fim. Que fique claro: fica fácil entender, não é fácil de praticar! “Se alguém confessa publicamente que Jesus é o Filho de Deus, Deus permanece nele, e ele em Deus. Assim conhecemos o amor que Deus tem por nós e confiamos nesse amor. Deus é amor. Todo aquele que permanece no amor permanece em Deus, e Deus nele. Dessa forma o amor está aperfeiçoado entre nós, para que no dia do juízo tenhamos confiança, porque neste mundo somos como ele. No amor não há medo; pelo contrário o perfeito amor expulsa o medo, porque o medo supõe castigo. Aquele que tem medo não está aperfeiçoado no amor. Nós amamos porque ele nos amou primeiro. Se alguém afirmar: “Eu amo a Deus”, mas odiar seu irmão, é mentiroso, pois quem não ama seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ele nos deu este mandamento: Quem ama a Deus, ame também seu irmão”. (1 João 4:15-21)

Para amar até o fim, como Jesus fez é preciso se desprender de si. É preciso perder a vida. É alterar o caminho para ajudar o outro e não para evitar o outro. É se importar com quem “não é da sua conta”. É pedir perdão quando se está ferido. E perdoar quando se está sangrando. É fazer, é ser diferente. A lógica do “toma-lá-dá-cá” não funciona para o amor. Da ausência de segundas chances também não. De contar os erros também não. E muito menos de fazer duzentos dias de oração para saber se é da vontade de Deus ajudar um necessitado. Amar até o fim é radical, é racional, é subversivo ao mundo. Amar até o fim é doar-se.

Contudo, é para os que amam em Cristo que está a paz, a certeza de estar fazendo o que é correto. Foi até o fim que o bom samaritano amou o seu próximo. E são os salvos que vão até o fim. “Devido ao aumento da maldade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo”. (Mateus 24:12,13) Desejo que você vá até o fim. Pois é até o fim que se ama!

*Reflexão Bíblica aplicada no Grupo de Oração Universitária “Semeadores da Palavra” no dia 25 de fevereiro de 2016, no IFTM Paracatu.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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