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Sobre aperfeiçoar-se no amor*

Tarefa duplamente difícil. Assim que julgo escrever este texto. É, no primeiro momento, difícil porque se trata de um pedido de uma pessoa que “do nada” tornou-se minha fiel companheira de caminhada cristã. No segundo momento porque é para falar sobre relacionamento, coisa que não sou nada experiente, salvo os de elementos de bancos de dados computacionais. Mas vamos ao desafio.

Tarefa duplamente difícil. Assim que julgo escrever este texto. É, no primeiro momento, difícil porque se trata de um pedido de uma pessoa que “do nada” tornou-se minha fiel companheira de caminhada cristã. No segundo momento porque é para falar sobre relacionamento, coisa que não sou nada experiente, salvo os de elementos de bancos de dados computacionais. Mas vamos ao desafio.

Era uma vez um garoto. E era uma vez uma garota. Ambos se conheceram e eram tão diferentes em aparência, em gostos, em religião, em quase tudo, mas tinham corações sintonizados na visão de amor, de relacionamento, de romantismo. E nesse ínterim surgiu uma paixão entre os dois. E, cá entre nós, apaixonar-se é bom. E quando é correspondido, ainda melhor! Uma pausa aqui.

Mas relacionar-se é mais profundo que apaixonar-se. Sabe, relacionar não é essa coisa de “ficar”, de morar junto no primeiro mês, de ir pra cama no segundo encontro e nem mesmo de se apaixonar platonicamente por alguém. Relacionar é envolver, é dar ao outro a capacidade de adentrar na sua história, de questionar, de achar estranho ou de aplaudir, de descobrir suas vergonhas. Relacionar é se importar, é cuidar, é ser mais pelo outro do que ser mais para si mesmo.

E com todos esses conceitos formados, parece que um relacionamento é um jardim com flores sem espinhos. Não, não é. Não é porque nós somos humanos. E humanos erram, machucam, fazem um monte de coisas que não deveriam apenas porque são humanos e imperfeitos. E é nesse momento que paramos e nos perguntamos: “e os relacionamentos perfeitos?” Sinto muito. Eles não existem. Não é o Escolhi Esperar, a “unção da pureza”, o Movimento pela Virgindade até o Casamento, a igreja A, B, ou C, a rigidez dos pais dela, a origem dele ou qualquer outro sistema ou história que vai fazer um relacionamento perfeito nem garantir que ele não termine.

É nesse momento que entra Deus Pai, seu Filho e o Espírito Santo. Com toda certeza, é o relacionamento de ambos, individualmente, com Deus que vai determinar o nível de aperfeiçoamento do amor que o casal vai gerando, porque é em Deus que situa-se o Amor e é Ele a fonte de vida. O ágape, o amor do Pai por nós, é o primeiro que temos que aprender. Para depois praticar o philia (o amor da amizade, da compaixão) e o eros (o amor erótico, entre o casal). Sem compreender a grandeza do ágape, toda a prática dos outros tipos de amor será confusa, talvez distante da vontade de Deus, talvez até distante do objetivo, ou seja, sem conhecer o amor de Deus talvez você perca tempo e recursos demais tentando amar de forma inadequada.

Lembra-se de que os humanos erram? Então, é preciso perdoar. E, se existe alguém que nos ensina a perdoar é Jesus Cristo. Ele é a expressão máxima de amor do Pai por nós e a expressão máxima de perdão que temos a seguir. É pelo perdão que n’Ele encontramos que podemos, então, perdoar verdadeiramente nossos irmãos.

Sabe aquela vontade de ir ao sexo naquele abraço quente e envolvido do seu namorado já no terceiro ano de namoro? Pois é, uma das benesses do Espírito Santo é o domínio próprio, e serve exatamente para não deixar que aquilo que não é para acontecer, aconteça antes da hora. E sabe aquela hora que você errou feio com ela e ela não quer nem ver a sua cara até que o dia amanheça? Talvez seja depois da meia-noite e é o Pai o único que estará de ouvidos abertos para te entender, para te ouvir, para te orientar, para te dar paz.

E por falar em paz, sabe aquela paz que há quando os dois estão juntos, aquilo que faz você parar o mundo à sua volta para que se concentrar no que está fazendo junto com a pessoa especial? Se essa paz já é boa, imagine a paz que é de Cristo, a paz que Ele nos deu de forma perene, através de seu Espírito Santo.

Se relacionamento é tudo isso, precisamos primeiro aprender a nos relacionarmos com nós mesmos. Depois com Deus. Para depois nos relacionarmos com os outros. Primeiro precisamos conhecer quem somos, nos posicionarmos, e nesse momento colocar nossas vidas diante do Pai. Ele é suficiente em nós, em tudo que precisamos. E aí, aperfeiçoando no amor d’Ele é possível amar outrem. Não estou falando que você precisa seguir as “receitas de bolo” que muitos distribuem por aí, mas sim que você precisa estar conectado com Deus, percebendo a vontade d’Ele, observando os princípios que Ele mesmo quer que sigamos e somente isso será suficiente para você entender o quê e como fazer.

Agora, voltando à história do início, ela foi e é uma linda história de ser contada. Ela, por causa de alguns motivos, simplesmente está em fase de arquivamento. Os corações desses dois jovens estão machucados, logicamente, mas Deus está cuidando dos dois. Está cuidando de uma forma muito especial para que sejam pessoas melhores depois de tudo, para que possam aprender com a experiência, para que possam entender e esperar no tempo e no próprio Deus as respostas para suas dúvidas, incompreensões e esperanças.

*Texto publicado originalmente no blog Uma Xícara de Talita, na Série Autores Amigos, da blogueira e estudante de Comunicação Social na Universidade Católica de Brasília (UCB), Talita de Souza.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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