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Política

Contra todo e qualquer tipo de golpe

A última vez que escrevi sobre política para este blog foi em setembro do ano passado. Agora o momento é de muita euforia. Desde o início da Operação Lava Jato, em 2014, pela Polícia Federal, esse é o momento mais crítico de todos com milhões de pessoas nas ruas protestando a favor e contra a nomeação do ex-presidente Lula como ministro da Casa Civil do Governo Dilma. Hoje, dois anos depois do seu início, o saldo da Lava Jato é positivo ao erário: mais de 2,9 bilhões de reais já foram devolvidos aos cofres públicos.

A nomeação, claramente executada para tirar das mãos do juiz federal Sérgio Moro a investigação sobre Lula e passá-la ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que é golpe no processo legal em curso, causou indignação em parte da população que teme que as investigações sejam atrapalhadas. Junto com isso, houve o vazamento de escutas telefônicas gravadas sem autorização judicial que logo chegou às redes sociais provocando uma grande onda de protestos pelo país.

A questão em si é que neste momento de euforia, aceitar qualquer que seja a violação das leis do país, é aceitar que toda transgressão seja normal. Lula, Delcídio, Moro, Cunha… Não importa quem seja. Suplantar a lei, anular o Estado Democrático de Direito e violar a Constituição são crimes. E crimes devem ser tratados como crimes: investigados, responsabilizados, punidos e corrigidos.

Embora estejamos assistindo a vazamentos constantes das delações e a operações megafônicas da Polícia Federal em torno das fases da Operação Lava Jato, não é motivo para burlar o processo legal em curso. É bem provável que Lula seria preso preventivamente em breve – totalmente sem necessidade, mas no passo que andam os ânimos do juiz Sérgio Moro, isso aconteceria -, o que agora dificilmente vai ocorrer com o processo correndo no STF. Há possibilidade de que as investigações sejam retardadas, mas a expectativa é de que elas jamais parem.

A Comissão Especial que vai julgar o processo de impeachment de Dilma Rousseff será eleita hoje (17) na Câmara. Manifestações estão marcadas para várias capitais do país. A presidente está cada vez mais limitada em suas ações, tentando apenas apagar o fogo que insurgiu nos últimos dias. Governar, dentro das atuais condições, tornou-se um verdadeiro sacrifício, principalmente porque a oposição já anunciou que vai travar o Congresso. Lula, com seu discurso carregado e sempre animado, figura de herói protegido num governo que, apesar de todos os avanços, foi sangrado até não conseguir mais reagir. E sua volta em 2018, atiçada pelos grupos governistas e, com a exceção de conseguirem julgá-lo e tirá-lo da disputa, é certa. Para um ex-presidente que carrega consigo quase 80% de aprovação da população no seu mandato, derrotar qualquer candidato que surja no cenário nacional não é difícil.

De um lado, o interesse nacional vai por água abaixo enquanto grupos pró e contra o impeachment digladiam em suspeitas – e quase nada de evidências. Do outro, os principais partidos do país se agrupam para defender ou acusar o ex-presidente Lula, Dilma, Cunha e o juiz Moro. Nas ruas, os ânimos exaltados começam a causar brigas e cada vez mais violência, indo à radicalização. Num país onde os julgamentos têm sido primeiro por parte da imprensa para depois, de fato, serem julgamentos na forma da lei, é sempre preciso estar atento ao que acontece nos bastidores da política. E, por último, decisões importantes para o futuro do país que dependem unicamente do Congresso, como a autorização do uso da pílula do câncer no tratamento de paciente com a enfermidade, estão paradas.

Em um Congresso de pouca vergonha, um país com uma parte da mídia e da elite totalmente golpista e antiética e uma massa trabalhadora com pouco acesso à informação e educação de qualidades, as decisões sobre os rumos do país neste momento estão perigosamente em risco. Salvar-se-á a democracia, os direitos e a noção de que não há nenhum partido ou ser humano neste país que conseguirá governar sozinho, promover uma revolução que extirpe como mágica a corrupção ou mesmo que vá eliminá-la por meios violentos. Dilma deu a alma ao Brasil e consumiram-na com pouco proveito ao povo brasileiro. Contra todo e qualquer tipo de golpe, estamos unidos em favor da democracia. Que investigue-se. Responsabilize-se os culpados. Puna-se e Corrija-se.

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