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Nas origens: sorrisos, lembranças e conclusões

Entrei em período de férias na penúltima semana de maio e dentre minhas poucas viagens planejadas e não frustradas, acabei não indo mais que a dois lugares, ambos aproveitando oportunidades surgidas. Ontem (11/06), pude ir à Águas Lindas de Goiás-GO, minha cidade natal, e ali, dentro de um aspecto de perspectiva, pude tomar muitas conclusões, ver pessoas cujo em toda a minha vida escutei falar, mas por causa de minha pouca idade à época não cheguei a reconhecê-las.

Pessoas

Graças à boa reputação dos meus pais enquanto comerciantes no início da expansão da cidade (ainda em processo de emancipação quando chegaram), a partir de 1993, as pessoas nos receberam muito bem e, saudosos, lembravam dos tempos de crescimento populacional da cidade, da violência desenfreada e das dificuldades outrora vencidas nos tempos de comércio. Visitei algumas famílias das quais sempre ouvi falar e nunca nem fiz ideia de quem eram, pois das outras vezes que voltei à cidade não cheguei a visitar ninguém.

Fui recebido com muita alegria e com lembranças. O clima gostoso e bem aconchegante do local aliado a boa recepção e o espírito comunitário das pessoas é algo inexplicavelmente bonito de se participar. A simplicidade e o bom relacionamento entre os vizinhos parece ser algo bem diferente por lá, realmente como sempre ouvi falar, e bastante próximo do que sempre gostei, apesar de sempre morar num local em que o individualismo ainda é alto por causa da rotina das pessoas próximas.

Destaco duas famílias. A primeira, a família da dona Zélia, que cuidou de mim durante os primeiros meses de vida. E segundo, a família do senhor Mitter, cuja esposa, conhecida por Zezé, também cuidava de mim quando eu “fugia” para a casa dela, que ficava na rua do fundo. Algumas histórias ouvidas e, certamente, uma certeza: quase 18 anos se passaram e o carinho das pessoas continua o mesmo, fruto de uma boa passagem dos meus pais por lá.

Na rua…

Águas Lindas já foi considerada uma das cidades mais violentas do país. No entorno do Distrito Federal, dentro de outra jurisdição policial, e crescendo de forma descontrolada e sem presença firme do Estado, o resultado de tudo isso é uma comunidade amedrontada. Já contei aqui sobre assaltos que meus pais sofreram no passado enquanto eram comerciantes.

Hoje, com estimativa de 300 mil habitantes segundo dados da Prefeitura, mas de pouco mais de 187 mil segundo o IBGE (dados confusos, mas no Entorno do DF é assim mesmo, infelizmente), a cidade está melhor estruturada com obras de infraestrutura e um policiamento reforçado que ajudaram a abaixar os níveis de criminalidade e aumentar o lazer, cultura e esporte na cidade.  Para os moradores, ainda é uma cidade bastante perigosa, mas bem melhor para se viver que antes (emancipada em 1995, a cidade teve um auge de criminalidade absurda até por volta de 2007).

E na rua em que morei, pude ali encontrar as mesmas construções do passado que vi por fotos. Agora, em péssimo estado e com outro uso. A rua, que antes não era asfaltada, está asfaltada pela metade. E as ruas do fundo já estão todas asfaltadas com estrutura de fossa séptica instalada.

Maternidade

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Clínica Santa Rita (Foto: Bruno Cidadão)

Aproveitei que passava pela avenida comercial principal da cidade para visitar a maternidade na qual vim ao mundo. De porte pequeno até os dias atuais, a Clínica Santa Rita continua firme na região, certamente, atendendo a milhares de pessoas todos os anos.

E sobre a reflexão, ela ainda está sendo processada em minha mente. Quem sabe eu não consiga contá-la mais pra frente aqui, mas o mais importante é que eu consiga construí-la e praticar os efeitos dela. É bom que olhemos para o passado não com saudade, mas com sede de fazer diferente e melhor no hoje e no amanhã.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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