Categorias
Política Posicionamentos

Entre o ultrajar e o raiar do sol…

Antes que me perguntem qual é minha posição: sim, é golpe. Não o processo, não a votação, nem mesmo as acusações acompanhadas dos decretos. Pelo contrário, o rito legal foi muito bem obedecido. O que é golpe é a falta de vergonha de muitos deputados e senadores, tão envolvidos em corrupção quanto membros do governo Dilma Rousseff, se esconderem atrás da farsa de “bons moços”. De todos – de todos, mesmo – os parlamentares no Brasil, se encontrarmos mil que são honestos e verdadeiros, estaremos felizes. Ser honesto e verdadeiro não é nunca errar, é assumir os erros e consequências dos erros ao invés de falseá-los, omiti-los ou culpar outrem.

WP_20160417_17_31_28_Pro
O sol raiará, todos os dias! (Foto: Bruno Cidadão)

Dilma Vana Rousseff, presidente do Brasil até hoje, sofreu o impeachment por 61 votos favoráveis. Os oito anos de afastamento das atividades políticas não passaram pelos 2/3 e ela ainda pode ter atividades públicas. Uma velha senhora que, certamente, dedicará seus últimos anos de vida a ter sua vida biografada, paparicar seu neto e dar algumas palestras pelo país. Ficou claro que o que tirou a presidente do cargo foi a edição de decretos que passavam por cima da Lei de Responsabilidade Fiscal, graças a um conjunto de fatores que culminaram na derrocada do governo e, consequentemente, dos números da economia.

Se formos para um debate de ideias, teremos que pesar o que levaremos. Se for para levar o coração, jamais Dilma seria condenada. Se for para levar a letra da lei, sim. E se for apelar para uma tentativa de equalizar as coisas, talvez o resultado fosse ainda mais desfavorável à condenação. Ao invés de renunciar, como fez Collor durante o processo de impeachment, Dilma compareceu ao Senado, respondeu todas as perguntas que lhe foram feitas e de forma altiva, falou sobre seus atos. Como gestora, Dilma deu passos importantes em inúmeras áreas do serviço público e é inegável a valorização da educação no âmbito das ações federais.

Todavia, processo é processo. Lei é lei. E o processo legal, o rito, foi plenamente obedecido. Existiram várias alegações da defesa que bateram de frente com os argumentos de acusação. Cai a presidente eleita por 54 milhões de brasileiros, incluindo eu. Ganharam “na mão grande”, de forma indireta, o “terceiro turno” das eleições. Gritamos, presenciamos, resistimos. Mas coisa que não se faz – a menos que realmente seja indispensável como fora durante o regime militar – é rebelar contra os poderes constituídos, principalmente, numa democracia. Espera-se o voto.

CrB37OPWAAQK-fq
Dilma Rousseff comparece ao Senado Federal para responder ao processo de impeachment em 29/08/2016 (Foto: Agência Senado/Reprodução)

Abre-se um grande precedente para a eliminação sorrateira e conveniente de outros presidentes. E a História não ficará vazia quanto a tudo isso. Nós, a geração que vive 2016 na pele, entende muito bem que há recessão, há uma exploração absurda do setor financeiro e uma carga tributária alta. Mas também somos a geração capaz de fazermos boas escolhas e ampliarmos a participação na política.

Existirá uma Terra perfeita? Só quando Cristo voltar e nos elevar aos céus! Enquanto existirmos, iremos errar. E como instituições, como sistemas, continuaremos errantes também!

Por fim, assim como Getúlio Vargas é uma de minhas inspirações enquanto político, Dilma Rousseff ganhou meu apreço na forma verdadeira e interruptiva de lidar com o país. Errou feio em muitas coisas. Mas teve que corrigir erros do tão populista Lula. E sofreu ataques por pessoas machistas e por parte de uma elite que só critica a pobreza e a miséria, sem nada fazer para reduzir a dor de nossos concidadãos mais pobres. Dilma é a Coração Valente que o Brasil conheceu. Ela entregou sua alma ao Brasil e, mesmo assim, isso não resolveu nossos problemas.

Desejo responsabilidade ao Michel Temer, homem que admirei por tanto tempo, apesar de seu partido, e, de 2015 para cá, me decepcionou quanto aos atos governamentais. Que haja muito mais que seriedade, que haja sensibilidade para com o povo, para com os mais necessitados, principalmente. Desejo que a chantagem da Câmara e do Senado não voltem à tona.

É o fim de uma saga. Hoje, vocês que desejaram, apoiaram e lutaram pelo impeachment, venceram. E nós fomos ultrajados e tragados em nosso voto, legítimo e soberano. Tiram-se as opiniões e as posições, sobram-se as almas. Continuemos em comunidade! Avante, pelo Brasil, sempre!

Comente! Aqui é o lugar!