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#EleiçõesUnaí2016: juventude e a disputa eleitoral

A penúltima postagem da série #EleiçõesUnaí2016 traz um tema inédito: a participação de jovens na disputa eleitoral em Unaí-MG. Candidataram-se ao cargo de vereador 25 jovens com 30 anos de idade ou menos, destes apenas 5 são mulheres. A candidata mais jovem tem 20 anos e é acadêmica de Enfermagem. Se a linha de corte for para aqueles que nasceram após a Constituição Federal de 1988, que consolidou o sistema democrático no país após a Ditadura Militar, o número de jovens desce para 14, apenas.

Destes 14 jovens, procuramos cinco de bases políticas diferentes para entrevistar e conhecer como eles enxergam, de dentro e fora, a importância na participação política. Também buscamos a opinião de outros jovens acerca da participação de pessoas da mesma geração na política. O resultado é uma audição inédita e pioneira em Unaí-MG. Salientamos que um dos candidatos procurados não respondeu às solicitações até o fechamento desta reportagem.

A importância da juventude na política

Jovens, tanto os candidatos quanto os não candidatos procurados receberam a mesma pergunta, com um pequeno ajuste que você confere abaixo:

Candidatos: Gostaria de saber sua opinião a respeito da importância da participação da juventude na política e como você acha que suas propostas podem se destacar diante do cenário eleitoral unaiense.

Não candidatos: Gostaria de saber sua opinião a respeito da importância da participação da juventude na política e como você acha que o jovem pode se destacar diante do cenário eleitoral unaiense.

130000073861Amanda Alves, 20, a candidata mais jovem de Unaí ao cargo de vereadora pelo PMN, falou acerca de sua história e da sua expectativa. “Desde os meus 10 anos de idade, via e ouvia falar de política no meio da minha família, sem entender nada. […] Aprendi, desde cedo, a caminhar junto com a sintonia da política. […] Sabendo que nos dias de hoje devido o desgaste que já sofremos e que ainda estamos sofrendo fica complicado de acreditar em um “um sistema defasado, antigo, da política”. Por isso, acredito agora em um “NOVO”, esse novo eu me refiro ao um novo Governo, novo mandato, novo Futuro e uma nova Unaí. Nós, jovens, não podemos desistir tão fácil de uma nova oportunidade e uma nova chance, que não sabemos se vamos tê-la novamente. Os nossos pais lutaram muito para chegar até aqui, nós jovens estamos com tudo nas mãos, então basta só nós agirmos, colocar nossos pés e mãos em ação”, completou Alves.

ppLucas Diniz, 20, diz que o que a política necessita hoje é “de ideias novas, com pessoas jovens, renovadas, talvez essa geração seja menos corrupta, seja uma juventude mais aberta para resolver os problemas, é preciso renovar, sangue novo, vida nova, atitudes novas, inteligência nova. Essa juventude pode se destacar pelo fato das pessoas estarem cansada dos mesmo políticos, das mesmas promessas”, concluiu o comerciante.

Sara Lee, 26, candidata a vereadora pelo PRP, explicou que a participação do jovem veio de um fenômeno sociológico provocado pela crise política do país. “A crise política pela qual estamos passando produziu dois fenômenos distintos, o primeiro é a intensificação do ódio da população para com a classe política, o segundo é o despertar do interesse do jovem pela política, como não se via há muito tempo no nosso país e sem sombra de dúvidas estes acontecimentos mudam a nossa forma de ver e de fazer política. A representatividade é essencial na política e na democracia, infelizmente a maior parte das pessoas não se sentem representadas nem pelo legislativo nacional nem pelo municipal, que são os nossos vereadores, que em teoria deveriam ser representantes mais fiéis, pois são figuras mais próximas que deputados e senadores; nós jovens entendemos a importância da representatividade e temos um olhar novo sobre a política, acredito que além de “voto consciente”, temos que ter também “campanha consciente” e “política consciente”, o jovem que decidiu entrar para a vida política de forma direta, conhece bem as funções e atribuições de um vereador sabe, por exemplo, que não pode prometer que vai construir uma creche. A consciência política dos candidatos jovens é de grande valia não apenas para representar a eles próprios, mas também para representar todas as classes e todas as idades, sempre nos disseram que nós eramos o futuro, pois bem o futuro chegou e agora é a hora da verdade”, explanou Sara.

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Jovens apoiam candidatura de Sara Lee e pautas de minorias (Foto: Rhayza Mendes/Imagem Cedida)

pp-1Já para o estudante Raniel Ribeiro, de 15 anos, a participação do jovem na política “é de extrema relevância visto que a mesma traz uma conexão entre o público popular e as esferas administrativas. Normalmente os jovens tem um grande meio social, e visto que a política atende os interesses de todos, é muito importante um porta-voz mais envolvido com a realidade dos grupos”, concluiu.

Rodrigo Hebach, 22, candidato a vereador pelo PSDB, explanou um pouco de sua trajetória de vida, que revela também seus ideais e propostas para um eventual mandato. “O que vemos muito por aí são vereadores com projetos que basicamente são de prefeito. De acordo com a nossa legislação, as funções do vereador basicamente são legislar e fiscalizar o gestor municipal. Ele não pode fazer nenhum projeto que cause gastos a prefeitura. Eu sempre fui muito envolvido com causas sociais na nossa cidade, no LEO Clube, na Juventude PSDB e entre amigos mesmo. unaiSou estudante de direito, estou no oitavo período do curso, sou católico, cursilhista e apaixonado pela renovação carismática católica.  Eu tenho um projeto chamado “jovem de atitude”. O que é o projeto? O jovem que estuda, trabalha, vai pra festa, namora… Mas que quer contribuir com a cidade, projetos sociais. A Prefeitura deve abraçar esses jovens, isso inclui os movimentos como o LEO, Interact, de igreja etc. E utilizar isso para promover esporte, lazer, integração da sociedade com a prefeitura. […] Eu tenho comigo vários sonhos e quero fazer uma política voltada para o bem comum. Sem politicagem de prejudicar uns aos outros. Mas de defender o que é melhor para as pessoas, para a cidade. Também quero dar continuidade a um projeto de combate a dengue que a maioria não tem coragem, pois após 3 vezes que tiver visita na casa da pessoa e não regularizar a situação, a pessoa leva multa. Como pesaria no bolso, maioria tem medo de ter reação adversa das pessoas”, ressaltou o candidato.

Luiz Paulo Oliveira, 28, considera que o cenário atual da política brasileira é preocupante, mas é exatamente aí que os candidatos jovens podem se destacar. “Essesluiz que começam cedo na política têm a oportunidade de demonstrar (e muito bem) que conhecem o local ondem vivem, o que precisa para melhorar, inclusive com uma linguagem mais simples, seja com fotografias, bate-papos, vídeos e diversos outros meios de comunicação.  O jovem político moderno tem muitas chances de sair na frente se for criativo, e ainda mais, ter uma excelente carreira na política se ter projetos de destaque e assim mostrar-se atuante no dia-a-dia”, finalizou o técnico em contabilidade.

bbbBruno Sartori, 27, candidato a vereador pelo PTB, dispõe sobre o seu principal projeto, o “Câmara Juvenil”. “Felizmente, o interesse da população sobre a política vem crescendo. Desde os protestos de junho de 2013 é perceptível um aumento nesse interesse, principalmente nos jovens. Trabalho com assuntos voltados a política há 12 anos e antes desses protestos a preocupação das pessoas com política era praticamente nula. Acredito que a falta de representatividade tenha impulsionado essa aproximação das pessoas com a política. Eu, por exemplo, me senti ignorado pelo legislativo de nossa cidade e por isso resolvi me ‘levantar do sofá’ e fazer alguma coisa. Junto a mim vieram outros jovens que também buscam por uma vaga e sentem essa falta de representatividade. Esse envolvimento da juventude na política é, sem dúvidas, um gatilho para inovarmos a forma com que ela é feita em nossa cidade, por isso, um dos meus projetos é o Câmara Juvenil, um projeto para educação, com alunos do 8º e 9º ano das escolas municipais, e que contará com 15 jovens eleitos pelas escolas para formar o grupo de vereadores Juvenis. Caberá a esses vereadores, em uma reunião mensal que ocorrerá antes da sessão ordinária da câmara, encaminhar propostas, demandas e discussões sobre os mais diversos assuntos ligados aos interesses das escolas. O mandato dos vereadores juvenis será de um ano, com certificado de honra e mérito pelos serviços prestados a sociedade. O critério de escolha usado pelas escolas deve estar entre concursos de redações, análise de currículo escolar e participação dos alunos nas atividades da escola, o que possivelmente acarretará em uma melhoria nas notas dos alunos que estejam empenhados em se tornar um vereador juvenil, além de aproximar estes jovens da política unaiense. Creio que por estarem mais interessadas e focadas na política, as pessoas verão este projeto com bons olhos e darão a ele a devida atenção como já ocorre em minhas redes sociais onde eu já o divulgo e ele tem excelente aceitação”, assinalou o candidato.

Leonai Junior Mota, 22, estudante de Engenharia Civil, afirma que “é sempre bom ter pessoas mais novas na política porque eles sabem as necessidades dos jovens, os pensamentos. Como eles sabem das necessidades da juventude eles vão trazer coisas novas pra cidade, para contribuir com os jovens, e com isto, evoluirá nossa cidade”, sintetizou.

O jovem pode fazer a diferença na política?

É notório que a participação política da juventude ainda não é tão imponente, mas é também indiscutível que ideias novas podem gerar a quebra de paradigmas estabelecidos num sistema viciado. Em Unaí, diante da geração atual, conectada, cada vez mais impaciente por mudanças e impulsionada pelos protestos de 2013 e 2014, que anunciaram uma nova era na política brasileira: a era em que a pressão da juventude é capaz de gritar nos ouvidos dos governantes e fazê-los escutar, a qualquer custo.

Há uma expectativa, por parte de uma geração que está desiludida da política depois de muitos escândalos nacionais. Doutro modo, há uma geração que escolheu reagir à desilusão tentando reformular a política através de uma participação direta e efetiva. Para conquistar a confiança de eleitores mais jovens, é preciso mostrar coerência nas propostas e um espírito político diferente. Neste caminho, alguns candidatos a vereador, de chapas e partidos diferentes, têm proposto uma nova política em que, de fato, os interesses coletivos estejam acima dos interesses partidários. Há, também, uma preocupação dos jovens com a política muito além das próprias eleições. Antes de tornar-se candidato, Bruno Sartori divulgou um vídeo muito interessante sobre a compra de votos nas eleições. Veja abaixo.

Tecnologia e Política

Todas as respostas obtidas foram obtidas por meio do aplicativo WhatsApp ou por e-mail. Todos os candidatos foram contatados por telefone. Excetuando o candidato que não respondeu ao nosso contato, todos foram receptivos e não tiveram nenhum tipo de restrição quanto à proposta da reportagem. E quanto aos demais jovens questionados, a disposição em participar da reportagem foi exemplar. Certamente, tecnologia e política, no século XXI estão mais que alinhadas, são inseparáveis. E os eleitos podem utilizar essas ferramentas com a finalidade de aproximarem-se da voz das ruas.

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

0 resposta em “#EleiçõesUnaí2016: juventude e a disputa eleitoral”

Parabéns Bruno, sabe que sou admirador de seu trabalho. Esse é outro que serve de grande valia para a população, principalmente a de nossa queria Unaí, abrir espaço aos jovens, ao novo, a quem realmente se interessa em melhorar nossa cidade e tem um olhar diferente quanto a situação que nos encontramos é muito importante. Grande abraço!

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