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Errei a entrada. E agora?

“Era nessa, mas já passou”. Uma expressão que faz ferver o sangue de qualquer um apressado com hora marcada que acabou de passar por uma entrada que daria no lugar de seu compromisso e agora terá que corrigir o erro, andando quilômetros à busca de um retorno. Quem nunca errou uma entrada no trânsito que atire a primeira pedra! (risos)

Errar não é difícil. Aliás, acertar é a exceção. Somos errantes, errados e suscetíveis ao erro. Isto quer dizer que erramos sempre, por causa disso somos produto de nossos erros e propensos a errar continuamente. É da nossa natureza errar. Por isso estudamos, para reduzirmos os erros. Erros que vão desde o caráter até o conhecimento, desde uma palavra que sai da boca até o dedo que dispara o gatilho contra o inocente.

Todo erro tem consequência. Seja ele reparável ou não, ele tem consequência. Se erramos a entrada, temos de pegar um retorno e, nisto, andar mais que o planejado, gastar mais combustível que o planejado e, por sua vez, aumentar o tempo do trajeto planejado e estar ainda mais suscetível a um acidente.

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Há gente que, nas estradas da vida, ao errar, não volta atrás! Isso parece até força e superação, mas nem sempre. Às vezes, o caráter humilde de voltar atrás, dizer que errou e pedir perdão, tentando recuperar o que foi perdido (seja um relacionamento, uma ação financeira ou uma decisão desesperada), é tão necessário quanto seguir em frente.

Outras pessoas erram e, simplesmente, justificam-se com “todo mundo erra” ou “você também errou” ou ainda “perfeito é só Cristo, então não devo desculpas a ninguém”. Já imaginou se em todo erro não assumirmos nossa participação e suas consequências? Que tipo de pessoas seremos? Talvez pessoas imaturas, sem capacidade alguma de obedecer a regras ou resolver conflitos.

Mas há um tipo de gente que tem um caráter bonito de se ver. Gente que assume as consequências dos seus erros (e às vezes até dos outros), tenta repará-los e ouve com humildade a “sentença” que sempre vem na hora da raiva, sem justificar, apenas pedindo perdão. E não sei se isso só aconteceu comigo, mas quando uma pessoa abriu-se sobre seus erros pedindo perdão, parece que o perdão ficou bem mais fácil. Para mim, sempre foi mais fácil perdoar alguém entendendo o arrependimento da pessoa que sem ver arrependimento. E entender que sempre existem vários porquês por detrás de um erro.

Entretanto, Jesus nos chama a algo muito mais profundo: a oração do Pai Nosso nos revela que devemos perdoar os outros para que sejamos perdoados! Eita! Com tanto pecado, Deus nos perdoou através do sacrifício de Cristo, ou seja, a entrada errada já não é mais o problema. Agora existe a consequência que cabe ser assumida, o erro ser reparado e a vida seguida em frente! Perdoar o outro, mesmo que ele não se arrependa, é um desafio e tanto, mas é para o que Deus nos chama a fazer.

Por inúmeras vezes na vida, errei as entradas. Em algumas vezes, soube pedir perdão. Em outras, não. Em muitas outras, deixei que o orgulho fosse mais forte. Em outras, “abafei o caso”. E agora, quando enfrento tudo isso, percebo que é muito mais difícil e será muito mais difícil todas as retratações. No entanto, erros meus, consequências minhas!

Espero continuar animado para enfrentar. Errei a entrada, e agora? Agora é aceitar a realidade, tratar os erros, corrigi-los, repará-los e escrever uma história nova, sem omitir nem negar o passado!

Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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