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Brasil: antes ingovernável, agora reformista

28 de abril de 2017 foi mais um dia de manifestações pelo país. Desta vez, foi convocada uma Greve Geral de vários setores da economia. Houve adesões, mas para o governo federal não há muito o que se preocupar. E, de fato, Michel Temer, presidente do Brasil após o impeachment de Dilma Rousseff, não tem com o que esquentar a cabeça, afinal a Câmara já votou e o Senado – ah, o Senado – vai passar “à moda” tudo que está sendo enfiado goela abaixo dos brasileiros.

Meu discurso parece derrotista. E, na verdade, o é. O Brasil estava ingovernável desde o final da eleição de 2014 até o final de agosto de 2016, tempo em que foi levantado, proposto e efetivado o impeachment de Dilma Rousseff. Taxas de desemprego subindo, economia estagnada, governo enfiando os pés pelas mãos, Congresso travando a votação de leis importantes, Eduardo Cunha chantageando com o governo – e com nossa cara, claro. Mas chegou Michel Miguel Elias Temer Lulia, o vice-presidente agora presidente. Haviam dúvidas acerca da governabilidade dele. Muitos, por causa da sua baixa aprovação popular, achavam que ele não resistiria muito tempo. Eu fui um dos que duvidei que ele aguentaria muito tempo.

No entanto, no Brasil, temos surpresas quando se trata de política. Em menos de três meses, Temer tornou-se o presidente do “ajuste”. Corte de cargos, extinção de ministérios e inserção de velhas figuras no governo como Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central) caracterizaram essa nova fase. Virou o ano. O recesso dos parlamentares foi o tempo que Temer teve para traçar sua nova estratégia política. Se deu certo? Perguntem de quem foi a ideia de fazer um café da manhã com quase 400 deputados antes da votação da reforma da Previdência. Perguntem também o porquê de tantas visitas realizadas à sua residência oficial. Temer dialoga, dialogou e, com seu jeito ‘PMDB’ de fazer política, mostrou que vai muito além.

Se você espera que as manifestações vão barrar as reformas, sinto muito. Os nossos deputados e senadores já estão comprados ou vendidos – não sei qual é o termo adequado. O governo que aí está, o qual eu sou também responsável através do voto, vai arrebentar com o país. E eu tenho medo do que pode vir em 2018, afinal, vão existir dois grandes lados: os ‘salvadores da pátria’ e os ‘construtores de um novo Brasil’, ambos, engendrados em escândalos de corrupção. Você e eu já estamos pagando o preço.

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Charge do Duke, 23/04/2017 (Fonte: Jornal O Tempo/Reprodução)

Entrará governo e sairá governo e o problema será o mesmo. A primeira reforma que precisamos é a política, feita pela sociedade (e não pela classe política). Só depois, com lucidez, poderiam ser feitas as reformas tão necessárias para retomar o crescimento do país, sanear os problemas futuros com Previdência e, claro, colocar o Brasil pra frente, como deve ser. Em outras palavras, eu defendo as reformas trabalhista e previdenciária, mas só depois da reforma política popular, da auditoria cidadã da dívida pública, da auditoria do BB, Caixa e BNDES, da contratação dos concursados aprovados e não convocados, do corte pela metade dos cargos comissionados, da cobrança dos R$ 436 bilhões que as empresas devem para a Previdência, da simplificação dos auxílios pagos ao Judiciário e, claro, da revisão salarial dos cargos políticos.

Depois disso tudo, eu garanto, as reformas não serão tão emergenciais. Enquanto isso não for feito, porém, o Brasil é um país reformista que penaliza, e penaliza muito, todos os que estão na base piramidal da economia, os de baixa renda, os que vivem em situações precárias e, sobretudo, os nossos agricultores rurais familiares.

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