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#SobreAJuventude: a geração sem educação (financeira)

Enquanto alguns culpam a juventude por não saber poupar, esquecem-se que não se foi ensinado isso quando crianças.

A atual geração jovem se formou entre os anos 1990 e 2000, a última década do milênio passado. Os pais estavam abalados com a chegada da globalização e da internet, ainda desconhecidas em terras brasileiras. Eles também sofreram com um impeachment que acarretou uma instabilidade financeira que perdurou por anos. Mudanças na legislação brasileira também mudaram a forma de se relacionar no trabalho, na escola e na vida em comunidade.

Longe da estratégia familiar e educacional esteve a educação financeira. Literalmente, não se pensava nisso, até porque as trocas recentes de moedas criaram um desânimo geral. O congelamento da poupança, outro desânimo para aqueles que estavam começando a formar uma mentalidade investidora, poupadora, que se preocupava com o futuro. Parte das pessoas advindas dessa geração aprenderam com os pais que o melhor investimento era aquele que significava uma escritura de imóvel, um consórcio num banco tradicional ou o tradicional dinheiro debaixo do travesseiro (não literalmente).

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Jovem com contas e cartões na mão (Fonte: Gazeta do Povo/Reprodução)

Essa geração amarga os números da inadimplência no país. Contribui para que a estatística do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) revele 61,7 milhões de brasileiros que não pagam suas contas. Triste, não é? Mas a boa notícia é que essa geração aprendeu tanto com os erros que está fazendo parte de um novo tempo: o ensino à nova geração, que já nasceu ciente da necessidade de investimentos para o futuro frente ao imediatismo que o mundo tem exigido.

São muitos os professores, empreendedores e especialistas jovens que vão dando dicas, ensinando e criando ferramentas todos os dias. Abaixo, trarei algumas experiências de jovens que estão funcionando em todo o país.

Pegar táxi ficou mais fácil com o Easy Táxi, não ficou? Pois é, a iniciativa do app foi de um jovem e ele, além de ganhar dinheiro, percorre o mundo contando como foi sua vida de empreendedor a dono de uma empresa que valia 1 bilhão de reais em 2015.

Em Paracatu-MG, algumas das escolas públicas e particulares recebem semanalmente as atividades do Interacoope, um programa que promove educação cooperativista e financeira nas escolas, atualmente promovido pelo Sicoob Credigerais. O Interacoope, encabeçado por Rizia Lima (pedagoga, com várias formações adjuntas e atualmente pós-graduanda em Educação Financeira), caiu na graça dos alunos. Crianças que não tinham hábito de poupar ou não sabiam nada sobre bancos, dinheiro e investimentos, agora compreendem, com brincadeiras, músicas, atividades lúdicas e visitas às agências do Sicoob na cidade, a importância de administrar bem as finanças.

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Uma das turmas, na Escola Municipal Tia Áurea, em Paracatu-MG (Foto: Reprodução/Facebook)

Em Unaí, Minas Gerais, adolescentes de 14 a 21 anos participantes do Programa Jovem Aprendiz (programa de emprego legal fomentado pelo Ministério do Trabalho) têm que passar quatro horas por semana em sala de aula para completarem uma formação profissional, iniciada nas empresas em que trabalham, e continuada no Centro Polivalente de Atividades Socioculturais e Ambientais (Cepasa).

Dentre as várias disciplinas desenvolvidas no curso ofertado pela instituição, estão Educação Fiscal e Matemática Financeira. Ambas são disciplinas muito práticas, e na última, os alunos são desafiados a passar por um processo de consultoria financeira individual. Os alunos constroem os seus próprios orçamentos financeiros, colocando no papel valores recebidos e valores gastos ou a gastar. Instruídos a manter reservas de emergência, aposentadoria e educação, são orientados segmentar o restante do salário em Gastos Essenciais, Objetivos de Médio Prazo e um percentual fica para gastos com o que quiser. Os percentuais são analisados em cada situação, individualmente. Enquanto há alunos que gastam menos de 15% dos seus salários com gastos fixos (essenciais) e não sabe para onde vai o restante do dinheiro, há aqueles que já sofrem com o problema da dependência financeira dos pais, pois falta dinheiro para completar o orçamento. Cada situação, tratada individualmente, é levada a sério de forma que uma cópia do planejamento final fará parte dos arquivos relacionados ao aluno no curso.

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Jovens de uma das turmas do Programa de Integração e Qualificação do Cepasa, em Unaí-MG (Foto: Bruno Cidadão)

Com todos esses exemplos e muita informação gratuita sobre finanças disponível na internet, como o canal unaiense Investidor Nato, no Youtube, fica mais fácil poupar, investir e se organizar financeiramente. É hora de recuperar o tempo perdido, jovens, fazendo melhor.

Enquanto alguns culpam a juventude por não saber poupar, esquecem-se que não se foi ensinado isso quando crianças.

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