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Greve de transporte afeta abastecimento no Noroeste de Minas

Era domingo (20 de maio) quando os caminhoneiros começaram a ocupar algumas das mais importantes rodovias do país, bloqueando a passagem de outros caminhoneiros. Na segunda-feira, dia marcado para o início da paralisação, o movimento ganhou força. As 27 unidades da Federação estavam com rodovias bloqueadas. Sem alarde, sem muita expectativa de que a mídia atentasse os holofotes para a causa, sem certeza de que faria algum efeito diante do caos político em que se encontra o país.

No entanto, a greve se tornou efetiva: reunião de emergência da Petrobras e do Ministério da Fazenda, audiência pública na Câmara, Petrobras congelando os preços por 15 dias com redução de 10% do valor na refinaria (o que significa menos de 5% no preço final ao consumidor) e juiz decretando liberação de rodovias (política de repressão ao movimento, recorrente). Agora, só se fala nisto. Mas a greve é só dos caminhoneiros? É só deles a pauta? É só pelo combustível?

Greve de abastecimento

Está incorreto afirmar que a greve é “dos caminhoneiros”. Isto porque na verdade, o objetivo é gerar uma crise de abastecimento. Por mais que apenas os caminhoneiros estejam parados, os efeitos no abastecimento das cidades é sentido rapidamente. O Noroeste de Minas Gerais já está sem etanol desde o meio-dia de hoje, gasolina e diesel, somente em alguns postos, dos mais de 30 postos da região. A BR-251, que corta a região está interditada. Os supermercados, verdurões e  comércios de alimentação já começaram a sofrer com a falta de produtos dos seus fornecedores. E estima-se que, com a prevalência da greve, o abastecimento irá ser comprometido de forma drástica nos próximos dias.

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Posto de combustível sem combustíveis em Unaí-MG (Foto: Darley Cantuário/Cedida)

Professores, comerciantes e outros setores já dialogam, caso a situação perdure, a possibilidade de envolverem-se diretamente na greve. O setor de serviços, por exemplo, é o maior gerador de renda em Unaí-MG e começou a ser prejudicado com a falta de combustíveis e insumos. Não bastasse isso, as entregas dos Correios também estão atrasadas. A revolta gera uma indignação direcionada à classe política e não aos caminhoneiros, o que é positivo do ponto de vista que os caminhoneiros apenas encabeçaram uma pauta que é de todos: a reforma do sistema tributário, com desonerações necessárias.

O governo

O preço dos combustíveis está oscilando mais desde julho de 2017 porque o governo Temer alterou a forma como o preço era repassado. Antes, havia a contenção do aumento provocada pela alteração mensal ou bimestral do valor do combustível, agora, a precificação é diária e acompanha os mercados internacionais. Enquanto o preço do combustível ficou totalmente volátil, a Petrobras deixou de perder, como fazia antes, chegando a comprar combustível por um preço e o vendia mais barato.

Além de tentar engabelar os caminhoneiros do movimento grevista com uma redução de apenas 10% no valor do combustível na refinaria, por apenas 15 dias, o governo federal escolheu o dia de hoje para fazer propaganda de sua nova identidade visual. Os sites governamentais estão com nova cara e hoje foi o dia do lançamento. Provavelmente planejado, mas extremamente deselegante num dia em que a atenção e revolta dos brasileiros está voltada para o Executivo nacional.

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Governo reservou o dia de hoje (24) para lançar nova identidade visual na internet (Foto: Reprodução/Internet)

Caso o agravo da situação da greve de abastecimento chegue a um nível incontrolável pela Polícia Rodoviária Federal (PRF), o governo federal deverá mobilizar tropas das Forças Armadas (FA) para garantir a Lei e Ordem, com base numa previsão constitucional, com tem sido frequente o uso desse mecanismo. O que se aguarda, até lá, é que uma negociação efetiva e direta com os representantes dos caminhoneiros seja feita, pleiteando o povo e o desenvolvimento socioeconômico do país.

 

*Foto da capa: Diário Unaiense/Reprodução/Internet

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