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Jovens Sem Nome: Adolescente grita, jovem luta

Na democracia brasileira, o adolescente só pode gritar. Por ser menor, apenas a exposição pode fazer o ato de um adolescente se tornar público, seja pelas mídias convencionais, seja pela exposição através de processos judiciais, discussão de novas leis, etc. No exercício político, no entanto, o jovem tem sua posição. Ainda que frágil, ainda que muitas vezes fora de ordem, ainda que cheia de bagunça mental, a participação do jovem é completamente aceitável.

Você se lembra do nome de algum dos precursores das “Jornadas de Junho de 2013”? Penso que não. Mas certamente se lembra contra qual time foi a vitória que levou o Brasil ao pentacampeonato em 2002, não se lembra? Temos dificuldade em lembrar os momentos em que a juventude foi protagonista, sobretudo dos jovens que foram protagonistas. Ou alguém se lembra do nome de algum dos adolescentes que puxaram a ocupação das escolas em 2016? Por mais que se esforçasse para lembrar, dificilmente saberia de um, afinal, adolescente só grita, não tem voz ativa e muito menos poder de decisão.

Isso precisa mudar consideravelmente. Se não mudar, correremos o risco de termos adultos calados e conformados com a situação atual do país, da vida, do mundo. E o conformismo resultará em uma vida completamente desobrigada de luta, logicamente, também desobrigada de vitórias, conjunção necessária para que a geração decline ao abismo.

No Brasil em que o adolescente só grita e o jovem só luta, adultos, que decidem, precisam ao menos ouvir o grito e sentir a luta dos jovens. E não somente em tempos de propaganda partidária.

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Por Bruno Cidadão

Comunicador | Pesquisador | Checador

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