Categorias
Jovens Sem Nome

Jovens Sem Nome: Aborto, drogas e depressão

Maria (nome fictício) é uma adolescente de 15 anos. Acabou de ingressar no ensino médio e já teve dois namoradinhos. Aos 13 teve sua primeira relação sexual. Desprevenida, não usou preservativo e como seu parceiro de carnaval nunca mais apareceu, ela se viu grávida dois meses depois e abortou para não envergonhar a família. Hoje, sabedora da necessidade do uso de preservativo, não sai de casa sem um em seu estojo escolar.

João (nome fictício) é um adolescente de 15 anos. É aluno de ensino médio. Gosta de futebol, videogame e já toma uma cervejinha com os amigos no fim de semana. Aos 9 experimentou o primeiro copo de cerveja e de lá pra cá, aumentou a dose. Tem namorada, de 13 anos, tem atividade sexual regular e tem uma moto cinquentinha rebaixada para andar nos fins de semana.

Laura (nome fictício) é uma adolescente de 17 anos. Está terminando o ensino médio. Descobriu que gosta de meninas e provou do primeiro beijo homossexual numa festa em que foi. Anda sempre com fone de ouvido. Foi traída por um namorado aos 16 e se revoltou, se cortando escondida. Vai para a escola sempre com blusas de frio, mesmo com o calor escaldante.

Luan (nome fictício) sempre teve facilidade com as artes. Tem 18 anos e acabou de ir pra faculdade. Foi espancado pelo pai após ter sido pegado dando um amasso  em um primo do mesmo sexo. Daí pra frente colocou dois piercings e se declarou homossexual. Seu pai não conversa com ele há um ano. Já experimentou cocaína e maconha, mas atualmente só usa LSD quando vai à boate da cidade. Trabalha num banco e veste terno social o dia inteiro.

O que as histórias dos personagens fictícios têm em comum? Nada e tudo. Todos tiveram algum problema. Em alguma fase da vida o percurso não foi bem feito e o controle saiu das mãos. As falhas podem ter várias origens, mas todas têm vários resultados. Se, para alguns, a consequência foi sentar o pé no mundo das drogas e da bebida, para outros, relacionamentos de risco foram contraídos para suprir a necessidade existente de afeto e carinho.

E quantos de nós não caímos em depressão ou nos afundamos em drogas (lícitas, como os remédios e cigarro ou ilícitas, como os entorpecentes)? Os motivos podem ter várias raízes. Tornamos-nos fracos, decadentes e, depois, dependentes. Muitos podem ter suas mortes decretadas em pouco tempo de vício. Outros vivem quarenta, cinquenta, sessenta anos sem uma dor física, mas com muitas feridas profundas na alma.

Talvez o melhor retrato de jovem sem nome seja aquele que hoje testemunha mudanças. Mas talvez o mais real seja aquele ou aquela jovem do seu bairro que tem um comportamento distinto e que pouco fala sobre si. Seja um antídoto para a depressão e um impeditivo para os vídeos: seja diferença, seja presente.

Dê nome, reconhecimento e voz a um jovem.

Gostou? Compartilhe!

Comente! Aqui é o lugar!