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Com licença, irmãos, vou falar de democracia

Se quisermos escolher bem, vamos ter que conversar. Uns com os outros. Com os nossos políticos. Com os candidatos.

Irmãos. Somos irmãos. Nascidos aqui ou em qualquer lugar do mundo. Como humanidade, somos irmãos. Há muito tempo não escrevo algo espontâneo, não seriado, aqui. Então, peço licença aos meus irmãos para expressar aquilo que é direito de todos: minha opinião sobre o futuro do país do qual faço parte. Esse texto tem possibilidade de agredir suas ideias, mas eu garanto que jamais você e sua humanidade.

A política é a ciência da liberdade.

Pierre-Joseph Proudhon, fundador do Anarquismo

Atualmente somos um país em busca de salvadores da pátria. E há algo errado nisto. Já falei em outros momentos e volto a repetir: não precisamos de um salvador da pátria, até porque ele não existe, já que todos são homens, irmãos, consideravelmente errantes.

Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo.


Eça de Queirós, escritor

Temos uma nostalgia monárquica nos tempos atuais, por isso, matamos uns aos outros pra eleger um presidente, mas votamos em qualquer um para governador, prefeito, deputados, vereadores e senadores. Embora, principalmente prefeitos, vereadores e governadores, são os quais temos mais contato e somos mais impactados por suas políticas.

A monarquia, totalmente indireta, na Inglaterra funciona bem. A Inglaterra é uma espécie de Brasil Europeu, no entanto, com um governo representativo monárquico cujo poder está na mão do Parlamento que ainda que seja contrário à Rainha, a respeita. A solução inglesa, porém, não é aquela que o Brasil precisa.

O meu ideal político é a democracia, para que todo o homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado.

Albert Einstein, cientista

Na nossa política, precisamos de democracia. Nossa democracia representativa está contaminada, é fato. Por isso, não dá pra gente propor simplesmente trocar as figurinhas sem mudar o sistema. Tenho, desde 2012, defendido que precisamos de uma reforma política para manter e aperfeiçoar a democracia. Com tanta dificuldade em votar, em escolher um candidato, acho que está na hora de realmente fazer algo. Propor algo grande, funcional, estruturado, que vá fazer o povo, a gente, nós, entrarmos no campo político de forma direta e não mais indireta. Mas antes disso, temos um desafio pela frente, as próximas eleições.

Dedica-se a esperar o futuro apenas quem não sabe viver o presente.

Sêneca, filósofo

Nestas eleições, temos que procurar um alinhamento. No Executivo (governador e presidente) e no Legislativo (Senado Federal, Câmara Federal e Câmara Estadual). Atualmente, o Partido Novo propõe uma lógica completamente diferente dos demais partidos. Há mais uma pequena porção de partidos que pensam fora da caixa do sistema atual. Elegê-los pode renovar a estrutura formal de representatividade no país.

Vamos para uma situação sucintamente descrita. Para o Governo de Minas, há três candidatos fortes. Dois são polarizados (PT-PSDB) e um, uma terceira via. Em praticamente todos os estados, a situação se repete. Mas basta um breve olhar para os inúmeros candidatos ao Legislativo e ver que há muita dificuldade em escolher.

Há candidatos que já estão eleitos (isto porque já têm um colégio eleitoral formado) e as poucas vagas que sobram nas Câmaras e no Senado serão disputadas por candidatos dos mais diversos tipos. Os partidos, muitas vezes, concentram-se no número de candidatos e acaba fazendo dividir os votos. Assim, o partido tem fraquíssima representação. E esse ano iremos votar em dois senadores. A escolha já difícil ficou duplamente difícil.

Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim.

Millôr Fernandes

Estamos no meio. Nem mandamos totalmente, nem somos mandados completamente. Por isso, volto a explicitar: precisamos ampliar o “eu mando em você” e diminuir o “você manda em mim”. Para isso, haverá necessidade de uma Constituinte, mas pra isso acontecer, o projeto integralmente feito pelo povo deverá ser aprovado pelos integrantes eleitos pelo povo. Com dinheiro do povo.

Estamos, porém, distantes de uma solução rápida. Falta educação. Não estou chamando meus conterrâneos e nem a mim de mal educados. Estou dizendo que há um déficit na nossa educação. Há um sistema educacional que está sendo lentamente renovado e que já precisava ter sido renovado há três ou quatro décadas. Por isso, está cada vez mais difícil fazer com que jovens e adolescentes se interessem pela política.

A política que eles vivem, na escola, é defasada. Não há democracia, não há representatividade. Não há conselhos, grêmios, diretorias e departamentos com ouvidos abertos para as necessidades dos próprios alunos. E quando há, não são coordenadas pelos próprios alunos. Falta autonomia. Por isso, irmão professor, te peço licença para te dizer: você precisa atualizar seu modelo de governo na sala de aula.

Democracia sem educação é anarquia.

Ivone Boechat, palestrante

Voltando aos presidentes, precisamos ser honestos. O Brasil não é para amadores. Não dá pra governar o Brasil sem saber gerir. E gestão é um termo que faz parte do cotidiano de muitos candidatos, exceto de Jair Bolsonaro, Guilherme Boulos e Álvaro Dias, na lista dos dez primeiros nas últimas pesquisas eleitorais. Se Boulos não tem outra fonte de recursos senão explorar o setor secundário e suas riquezas, Álvaro Dias é um perdido no espaço, com atuação somente no ambiente acadêmico e parlamentar.

Sobre Bolsonaro cabe dizer que suas propostas são pouco fundamentadas. E não estou falando de economia, pois este é um assunto já com procuração para Paulo Guedes. Com alta taxa de rejeição, um eventual governo não teria nem um terço do Congresso a seu favor, o forçando a tomar medidas de grave agressão aos direitos humanos para conseguir governar. Se você ainda não entendeu, eis a explicação: se ele não conseguir governar, vai ter que fechar o Congresso, dando início a um período ditatorial. Por força do Presidente da República ser o Chefe das Forças Armadas, todo o comando já estará nas suas mãos.

Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.

Evelyn Beatrice Hall, autora de um dos pensamentos de Voltaire

Voltando aos capazes de gerir nossa grande pátria, encontramos um ex-ministro e ex-presidente do Banco Central, economista, que tem dificuldades em se projetar em outras áreas. Falo de Henrique Meirelles, que serviria melhor no Banco Central outra vez. Encontramos também a ex-ministra de Meio Ambiente, Marina Silva. Seu grande erro foi ter apoiado Aécio em 2014, futuramente encontrado em casos de corrupção. Sua imagem, hoje manchada, tinha grandes chances de se tornar a terceira via ideal para a grande maioria dos brasileiros após a Lava Jato.

Seguindo, encontramos Haddad. Ainda não entendemos se ele é quem vai ser o presidente ou Lula, por isso, acho difícil ele conseguir ir muito além se não mexer no programa de governo por vontade e decisão própria, assim como Dilma fez em 2014. Administrou a Prefeitura da maior cidade do país e, embora não reeleito, foi progressista nas suas pautas. Maior que Haddad em capacidade de gestão, encontramos Geraldo Alckmin. Sobre ele pesa o título de popular governador do maior polo econômico do país, o estado de São Paulo. O único problema de Alckmin é que até agora ele não conseguiu transformar sua campanha em campanha presidencial. São Paulo não é Brasil. Brasil não é igual São Paulo. Nem Fernando Henrique Cardoso, guru do PSDB, lembra-se dele.

Já Ciro Gomes, ex-ministro, ex-governador do Ceará e ex-prefeito de Fortaleza, tem graves dificuldades em expressar o que vai mudar na vida dos brasileiros, caso ele seja eleito, apesar de sua forte capacidade de gestão. Sua experiência acadêmica e no trânsito político poderiam ser aliadas do povo brasileiro. Seu posicionamento, sempre 8 ou 80, acaba o levando em contradição por algumas falas polêmicas, tal como o candidato Bolsonaro.

A democracia é construída, mantida e aprimorada através da palavra.

Hideraldo Montenegro, poeta

Se quisermos escolher bem, vamos ter que conversar. Uns com os outros. Com os nossos políticos. Com os candidatos. Sério, não perde oportunidade. Sei que tudo anda corrido, mas dá uma desligada nas “notícias” e vai atrás da ficha dos candidatos. Desliga-se do que todo mundo está falando agora e vai procurar saber do plano de governo do seu candidato. Se você quiser acessar os enviados pelos candidatos para o TSE, basta acessar o site de divulgação das candidaturas aqui.


Assista. E reflita. Nós temos RESPONSABILIDADE por nossa política. Vídeo: JOCUM/Reprodução

Um abraço e um muito obrigado por ter me dado licença, irmãos e irmãs.

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Excelente reflexão, Bruno, embora suas reflexões sejam sempre muito bem fundamentadas e explicadas. Você não citou um candidato que bem crescendo nas pesquisas, então pergunto sua opinião sobre João Amoêdo. Abraço!

Cássia, melhor que isso, falei sobre o Partido Novo e dediquei um parágrafo inteiro sobre ele! Acredito que o Novo traz um pensamento fora da caixa. Amoêdo não chega nem a 3% das intenções de voto. E quando cito um abaixo disso (Boulos), é por sua incapacidade de governo, o que não é caso de Amoêdo. “Atualmente, o Partido Novo propõe uma lógica completamente diferente dos demais partidos. Há mais uma pequena porção de partidos que pensam fora da caixa do sistema atual. Elegê-los pode renovar a estrutura formal de representatividade no país.”

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